26 de nov. de 2012

O Harém de Kadafi (Annick Cojean)

Título: O Harém de Kadafi
Autor: Annick Cojean
Edição: 1
Ano: 2012
Páginas: 238
Idioma: português 
Editora: Verus
Sinopse: Um relato chocante do reino de terror de Muamar Kadafi e uma análise sensível do destino das mulheres vítimas desse sistema. Soraya tinha apenas quinze anos quando Muamar Kadafi foi visitar a escola onde ela estudava. No momento em que ela lhe estendeu um buquê de flores, ele colocou a mão na cabeça da menina e acariciou seus cabelos. Era o gesto secreto que sinalizava a suas guarda-costas que ele a havia escolhido.

O Harém de Kadafi (Annick Cojean)


Annick Cojean tinha um tema precioso nas mãos. Ela poderia ter escrito um livro de ao menos 500 páginas, se não tivesse tanta pressa em publicá-lo. Alguns depoimentos são rasos demais e, quem não entende a religião e a política da Líbia, talvez se perca em muitos momentos. 
Acredito que a autora não tenha dado uma base para compreendermos com mais profundidade os motivos desses relatos.
Kadafi foi morto em agosto de 2011. Annick Cojean, jornalista, estava na Líbia para cobrir o acontecimento para o Le Monde. Foi quando conheceu Soraya, uma das escravas sexuais do ditador. O livro foi escrito em poucos meses e ficou pronto em abril de 2012, sem tantas informações que poderiam ter sido encontradas. Não precisava ter publicado o livro tão cedo. 
De qualquer maneira, a história é impressionante e chocante. Kadafi pregava a libertação das mulheres da sociedade líbia, os diretos humanos e agia, por trás de todo aquele circo de guardas femininas (as chamadas amazonas), como um diabo. Ele estuprava meninas e homens poderosos ou não, em nome do poder. O sexo, para Kadafi, foi uma arma política e de guerra.
Vale a pena ler "O Harém de Kadafi" pelos fatos. Pela escrita nem tanto.

Nota 3 de 5

19 de nov. de 2012

Infiel (Ayaan Hirsi Ali)

Título: Infiel - A história de uma mulher que desafiou o islã
Edição: 1
Ano: 2007
Páginas: 504
Idioma: português 
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Em 'Infiel', sua autobiografia precoce, Ayaan narra a impressionante trajetória de sua vida, desde a infância tradicional muçulmana na Somália até o despertar intelectual na Holanda e a existência cercada de guarda-costas no Ocidente. É uma vida de horrores, marcada pela circuncisão feminina aos cinco anos de idade, surras freqüentes e brutais da mãe, e um espancamento por um pregador do Alcorão que lhe causou uma fratura no crânio. É também uma vida de exílios, pois seu pai, quase sempre ausente, era um importante opositor da ditadura de Siad Barré - a família fugiu para a Arábia Saudita, depois para a Etiópia, e finalmente se fixou no Quênia. Obrigada a freqüentar escolas em muitos idiomas diferentes e conviver com costumes que iam do rigor muçulmano da Arábia à mistura cultural do Quênia, a adolescente Ayaan chegou a aderir ao fundamentalismo islâmico como forma de manter sua identidade. Mas a guerra fratricida entre os clãs da Somália e a perspectiva de ser obrigada a se casar com um desconhecido escolhido por seu pai, conforme uma tradição que ela questionava, mudaram sua vida, e ela acabou fugindo e se exilando na Holanda. Ela descobre então os valores ocidentais iluministas de liberdade, igualdade e democracia liberal, e passa a adotar uma visão cada vez mais crítica do islamismo ortodoxo, concentrando-se especialmente na situação de opressão e violência contra a mulher na sociedade muçulmana. 

Infiel (Ayaan Hirsi Ali)

"A decisão de escrever este livro não foi fácil para mim. Para que expor ao mundo estas memórias tão particulares? Não quero que meus argumentos sejam considerados sacrossantos pelo fato de eu ter tido experiências horríveis (...). 
"Tampouco desejo que meu raciocínio seja desdenhado como o discurso bombástico e bizarro de uma mulher que, prejudicada por suas experiências, resolveu pôr a boca no mundo (...).
"A mutilação não me afetou a capacidade intelectual; e quero ser julgada pela legitimidade dos meus argumentos, não como uma vítima".

As experiências de Ayaan são chocantes e nos fazem refletir sobre o mundo em que vivemos. Suas ideias nos despertam indagações e nos motivam a querer fazer algo pela paz, mesmo sabendo o quão difícil isso possa parecer.
Fiquei realmente impressionada com a coragem e determinação dessa mulher que poderia não ter tido sequer uma voz, devido a repressão de sua cultura.
Um dos melhores livros que já li!

Nota 5 de 5
 

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