31 de jan. de 2016

O Oceano no Fim do Caminho (Neil Gaiman)

Título: O Oceano no Fim do Caminho
Autor: Neil Gaiman
Ano: 2013
Edição: 1
Páginas: 208
Idioma: português 
Editora: Intrínseca
Sinopse: Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos.
Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.
Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

O Oceano no Fim do Caminho (Neil Gaiman)

Terminado em 31 de janeiro de 2016.

Como já contei aqui, nunca fui muito chegada ao estilo fantástico, mas estou me rendendo. Este livro é uma viagem! Neil Gaiman nos leva a lugares e situações que jamais poderíamos imaginar. E me pergunto como diabos ele tirou essas coisas da cabeça. Quem leu a parte do verme no pé sabe do que estou falando.

A narrativa é maravilhosa: nos prende do começo ao fim - e não conseguimos parar de ler. O que eu achei bacana no livro é que não dá para diferenciar o que é "real" (dentro da história, claro) do que é apenas imaginação (ou sonho) de um menino de sete anos de idade, solitário, inocente, assustado e apaixonado por livros. Como a história é contada por um homem de meia idade que narra suas memórias de infância, não fica claro se o personagem inventou tudo aquilo ou se realmente viveu. Os personagens são muito bem construídos e o suspense da história é muito bem elaborado. As metáforas e lições de moral se destacam e cada parágrafo é de grande valia.

"Vou dizer uma coisa importante para você. Os adultos não se parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro eles se parecem com o que sempre foram. Com o que eram quando tinham a sua idade. A verdade é que não existem adultos".

Nota 4 de 5

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27 de jan. de 2016

Um Lugar Para Todos (Thrity Umrigar)

Título: A Doçura do Mundo
Ano: 2008
Edição: 1
Páginas: 298
Idioma: português 
Editora: Nova Fronteira
Sinopse: No casamento de um jovem morador de um prédio de classe média em Bombaim, homens e mulheres dessa comunidade ímpar se reúnem e recordam sua juventude, refletindo sobre as mudanças que os anos trouxeram. As vidas desses parses que cresceram juntos no edifício Wadia são reveladas em toda a sua complexa humanidade: a decadência de Adi Patel devida ao alcoolismo, a língua afiada da fofoqueira Dosamai, a traição e a dor-de-cotovelo de Soli Contractor. Testemunha de tudo isso, Rusi Bilimoria, um empresário desiludido, luta para encontrar o sentido da própria vida e manter unida uma comunidade prestes a se fragmentar.

Um Lugar Para Todos (Thrity Umrigar)

Terminado em 26 de janeiro de 2016.

Um Lugar Para Todos é o primeiro romance de Thrity Umrigar, porém, terceiro a ser publicado no Brasil - e terceiro que li. O livro pode não ser tão envolvente no começo, afinal, são muitos personagens e capítulos muito longos (o que nos confunde um pouco até ficarmos "íntimos" deles), mas quando você entende a "pegada" do livro, ele passa a ficar interessantíssimo. E a "pegada" é a seguinte: há uma cena, com dezenas de personagens; cada capítulo narra a história de cada um desses personagens de maneira paralela, como se fossem contos distintos, mas envolvendo os outros de alguma maneira. São histórias profundas que retratam o drama pessoal de cada um. Não há um personagem principal, todos têm seu lugar na história. Também não há uma saga ou um romance geral (não é preciso esperar algo acontecer no desenvolver do livro): são histórias pessoais, que se encontram por uma característica comum.
Assim, nos envolvemos e nos identificamos mais com uns que com outros, claro, e tiramos uma lição da vida de cada um para nós mesmos. As histórias de que mais gostei foram as de Tehmi Engineer e Soli Contractor.
Thrity Umrigar tem o dom especial de tornar absolutamente interessantes histórias que parecem comuns (e, assim, tão reais), que podem acontecer com qualquer pessoa. Outra característica da autora é criar personagens com uma idade mais avançada, que poderiam não parecer importantes para outros autores, mas que, nas mãos dela, são incríveis.

Nota 5 de 5

25 de jan. de 2016

Harry Potter e a Pedra Filosofal (J. K. Rowling)

Título: Harry Potter e a Pedra Filosofal
Autor: J. K. Rowling
Ano: 2000
Edição: 1
Páginas: 224
Idioma: português 
Editora: Rocco
Sinopse: Conheça Harry, filho de Tiago e Lílian Potter, feiticeiros que foram assassinados por um poderosíssimo bruxo, quando ele ainda era um bebê. Com isso, o menino acaba sendo levado para a casa dos tios que nada tinham a ver com o sobrenatural pelo contrário. Até os 10 anos, Harry foi uma espécie de gata borralheira: maltratado pelos tios, herdava roupas velhas do primo gorducho, tinha óculos remendados e era tratado como um estorvo. No dia de seu aniversário de 11 anos, entretanto, ele parece deslizar por um buraco sem fundo, como o de Alice no país das maravilhas, que o conduz a um mundo mágico. Descobre sua verdadeira história e seu destino: ser um aprendiz de feiticeiro até o dia em que terá que enfrentar a pior força do mal, o homem que assassinou seus pais, o terrível Lorde das Trevas.

O menino de olhos verdes, magricela e desengonçado, tão habituado à rejeição, descobre, também, que é um herói no universo dos magos. Potter fica sabendo que é a única pessoa a ter sobrevivido a um ataque do tal bruxo do mal e essa é a causa da marca em forma de raio que ele carrega na testa. Ele não é um garoto qualquer, ele sequer é um feiticeiro qualquer; ele é Harry Potter, símbolo de poder, resistência e um líder natural entre os sobrenaturais.

Harry Potter e a Pedra Filosofal (J. K. Rowling)

Terminado em 23 de janeiro de 2016.

Quando Harry Potter foi lançado, eu já era grandinha para "esse tipo de literatura". Na época, minha irmã e meus primos mais novos ficaram enlouquecidos com a história e (ainda mais por isso), eu achava que Harry Potter era coisa de criança - e não ia perder meu tempo lendo uma aventura infanto-juvenil se eu poderia ler coisas mais úteis para a minha idade. Nem aos filmes eu assisti.
Então, não sei o que me deu esses dias, mas fiquei curiosa. Por que Harry Potter é um sucesso tão grande? Não poderia ser ruim, né? Peguei o livro na semana passada e de-vo-rei.
É claro que é infanto-juvenil, mas e daí? A história é muito legal, os personagens são muito legais, tudo é muito legal! É óbvio que não tiramos nenhuma lição de vida incrível dele e é óbvio que a história não nos comove de maneira dramática, mas e daí?
Eu adorei o livro e já coloquei todos os outros da série nas minhas metas de leitura do ano. Tenho 32 anos, mas livros não têm idade. Se você é bobo como eu e nunca leu o livro por preconceito, leia.

Nota 5 de 5

18 de jan. de 2016

Leopoldina e Pedro I - A Vida Privada na Corte (Sonia Sant'Anna)

Título: Leopoldina e Pedro I - A Vida Privada na Corte
Autor: Sonia Sant'Anna
Ano: 2004
Edição: 1
Páginas: 176
Idioma: português 
Editora: Jorge Zahar
Sinopse: É uma pena que uma figura tão singular como Leopoldina seja quase desconhecida dos brasileiros, que sabem muito mais sobre sua rival,a marquesa de Santos. A respeito da princesa, sabem apenas que foi infeliz no casamento e morreu jovem. Esta novela histórica mostra as razões para o desencontro entre os esposos e apresenta também uma Leopoldina profundamente politizada, que dividiu com Pedro a tarefa de construir um novo Brasil. Esta foi a felicidade que Leopoldina pôde encontrar no casamento: tornar-se a principal colaboradora do marido.

Leopoldina e Pedro I - A Vida Privada na Corte (Sonia Sant'Anna)

Terminado em 15 de janeiro de 2016.

Ganhei o livro da Deny, minha amiga mineira que, assim como eu, é apaixonada pela história da Família Real no Brasil, especialmente pela Imperatriz Leopoldina, uma mulher politizada, forte e que tanto sofreu por amor à família e ao seu dever de princesa.
Para quem já conhece a História, não há nenhuma novidade neste livro. Afinal, seria impossível narrar curiosidades inéditas em apenas 176 páginas. Mas o livro é muito bem escrito e bom para nos relembrar da personalidade desta mulher incrível que poderia ter sido muito mais valorizada por todos os brasileiros. Foi Leopoldina a verdadeira responsável pelos feitos de dom Pedro I, enquanto obrigada a conviver com as traições e negligências do marido. O único defeito de Leopoldina e Pedro I - A Vida Privada na Corte é ser curto.
Porém, para quem só conhece a saga de dom Pedro I pelas aulas de História da escola e deseja saber a fundo como foi a vida da Família Real no Brasil, eu indico O Império É Você, de Javier Moro, que tem quase 500 páginas.

Nota 4 de 5

14 de jan. de 2016

Herege (Ayaan Hirsi Ali)

Título: Herege - Por que o islã precisa de uma reforma imediata
Ano: 2015
Edição: 1
Páginas: 272
Idioma: português 
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: A autora de Infiel clama por uma reforma na religião islâmica neste livro polêmico e corajoso que oferece uma resposta a um dos problemas mais graves dos nossos dias Ayaan Hirsi Ali, autora do best-seller Infiel, faz neste livro um apelo poderoso por uma reforma do islamismo, como único modo de acabar com o terrorismo, as guerras sectárias e a repressão contra mulheres e outras minorias. Desafiando com coragem os jihadistas, ela identifica as cinco mudanças que precisam ser feitas na religião islâmica para que muçulmanos abandonem os dogmas que os prendem ao século VII. Segundo Ali, “o islã não é uma religião de paz”; o Ocidente deve apoiar os reformistas muçulmanos e não tolerar os extremistas. Concluído logo depois do ataque ao Charlie Hebdo e num momento em que milhares de pessoas ainda são mortas em nome de Alá, este livro oferece uma resposta a um dos mais graves problemas do mundo hoje.

Herege (Ayaan Hirsi Ali)

Terminado em 13 de janeiro de 2016.

Eu já comentei aqui, na resenha de Nômade, seu livro anterior, o quanto eu admiro a força desta mulher. Ayaan Hirsi Ali é uma guerreira. Apesar de eu não concordar com muito do que ela diz ou faz, não posso julgá-la porque nem na imaginação eu poderia viver o que ela viveu.
Acontece que, como na opinião de tantas outras pessoas - que ela mesma cita em seus livros, temos a impressão de que ela é uma mulher traumatizada e revoltada com o Islã (o que não seria de se admirar).

"Por que, quando defendo esses argumentos, recebo tão pouco apoio e tantas injúrias das próprias pessoas do Ocidente que se dizem feministas, que se dizem liberais?
Não espero que a nossa liderança política levante bandeiras para questionar diretamente as desigualdades do islã político. A confiança ideológica que caracterizava os líderes ocidentais durante a Guerra Fria cedeu a um relativismo frágil. Em vez disso, esta campanha pelos direitos das mulheres, dos gays e das minorias precisa vir de outros lugares: dos homens que construíram as redes sociais do Vale do Silício, cujos instintos são profundamente libertários; da nossa capital do entretenimento, Hollywood, onde pelo menos os mais antigos ainda se recordam da época das listas negras e da caça às bruxas; da nossa sociedade civil, dos ativistas de direitos humanos, das feministas e das comunidades lésbicas, bissexuais, homossexuais e transexuais; bem como de organizações como a União Americana pelas Liberdades Civis (American Civil Liberties Union, Aclu), que, se ainda defendem alguma coisa, dificilmente poderiam ignorar a forma como as liberdades civis estão sendo pisoteadas em todo o mundo muçulmano".

É, de fato, são os mesmos defensores dos direitos humanos que defendem os seguidores de Alá, por seu direito à religião.

Quando comecei a ler Herege, pensei "lá vem ela contar a mesma história de novo" (porque em Infiel e em Nômade ela conta sua vida e critica o Islã quase da mesma maneira), mas não. Em Herege o foco é outro. É claro que ela continua criticando a religião de Maomé e seus seguidores, mas há um fundamento. O que ela sugere neste livro é uma reforma. Ela exemplifica atitudes baseadas no Alcorão e cita incontáveis fontes e pensadores.

"O islã não é o comunismo, é claro, mas em certos aspectos é igualmente desdenhoso dos direitos humanos, e as repúblicas islâmicas têm se revelado quase tão brutais em relação a seus próprios cidadãos como eram as repúblicas soviéticas. Não obstante, temos recebido pregadores fundamentalistas nas nossas cidades e ficamos de braços cruzados enquanto milhares de jovens descontentes se radicalizam por causa de seus discursos retóricos. Pior, não fizemos quase nenhuma tentativa de combater o proselitismo dos muçulmanos de Medina. Se prosseguirmos nessa política de não intervenção na guerra cultural, nunca nos livraremos do campo de batalha real. Pois não podemos lutar contra uma ideologia exclusivamente com ataques aéreos e drones, ou mesmo com invasões de tropas de soldados. Precisamos combatê-la com ideias — com ideias melhores, com ideias positivas. Precisamos lutar contra isso com uma visão alternativa, como fizemos na Guerra Fria."

Uma reforma faz todo o sentido. A Igreja Católica foi reformada. Não seguimos tudo ao pé da letra como os muçulmanos seguem, porque nem tudo que foi escrito há dois mil anos pode ser praticado hoje. Diferente dos muçulmanos (radicais), não queimamos mais ninguém na fogueira. Mas Hirsi Ali sugere meio que uma reforma protestante para o Islã - o que eu acho bem utópico. Apesar disso, Ayaan garante que a reforma já começou.

"Hoje há uma guerra dentro do islã — uma guerra entre aqueles que querem reforma (os muçulmanos modificados ou dissidentes) e aqueles que desejam voltar ao tempo do Profeta (os muçulmanos de Medina). O prêmio pelo qual eles lutam está nos corações e mentes dos muçulmanos de Meca, majoritariamente passivos."

Eu concordo plenamente quando ela defende que o Islã deve separar a religião do Estado e refutar em absoluto da jihad, porém, ela sugere mais algumas modificações que acredito que sejam impossíveis.
De qualquer maneira, o livro abriu minha mente para algumas características do Islã que eu não conhecia (e confiava totalmente nos "muçulmanos de Meca", como ela os classifica, que garantem que os extremistas não representam o Islã).

Gostei bastante do livro e ele aguçou minha curiosidade de conhecer as opiniões do "outro lado". Quero entender o que o Islã tem de tão encantador para os jovens (até ocidentais) que se convertem e deixam tudo para morrer como mártires.

Nota 4 de 5

12 de jan. de 2016

A Doçura do Mundo (Thrity Umrigar)

Título: A Doçura do Mundo
Ano: 2008
Edição: 1
Páginas: 304
Idioma: português 
Editora: Nova Fronteira
Sinopse: Após perder seu marido, Tehmina Sethna está emocionalmente fragilizada. Por isso, ela decide aceitar o convite de seu filho, Sorab, para passar um tempo com ele em Ohio, nos Estados Unidos. Lá, Sorab, um homem de 38 anos que fugira da Índia para mudar de vida, se casou com Susan. Os dois tiveram um filho, Cavas, e vivem uma vida perfeita ao estilo americano. O que parecia ser um recomeço, porém, deixa Tehmina numa situação delicada. Sem conseguir se adaptar à cultura ocidental, Tehmina sofre com a rejeição de sua nora e se sente sozinha no mundo, mesmo quando Sorab a convida para morar com ele. Ela tem que escolher entre a nova vida e o retorno à cidade de Bombaim, que cada vez mais lhe desperta saudades. É aí que Tehmina, ao ajudar dois meninos que moram na casa ao lado e são maltratados e negligenciados pela mãe, rompe, sem querer, as barreiras entre as duas culturas.

Alternando as visões de Tehmina e de Sorab, A Doçura do Mundo é um romance rico, que celebra a família e a vida em comunidade. Neste livro, Thrity Umrigar prova mais uma vez por que é considerada uma das escritoras mais sensíveis da atualidade.

A Doçura do Mundo (Thrity Umrigar)

Terminado em 11 de janeiro de 2016.

Ah, por que eu demorei tanto para ler este livro se ele estava na minha estante havia tanto tempo? Não há palavra melhor para definir A Doçura do Mundo senão doçura. Sim, é um romance doce, leve, gostoso. Fiquei tão encantada com a história que senti até uma dorzinha no coração por terminar o livro.
Eu me apaixonei pela Thrity Umrigar quando li A Distância Entre Nós, mas - ainda não entendi porque - não li seus outros livros. Este ano quero ler todos. :)
Em A Doçura do Mundo, vi minha avó em Tehmina. Nunca imaginei que um personagem pudesse ser tão semelhante a ela. Minha avó é exatamente doce como Tehmina, faz qualquer coisa pelas pessoas que ama, também acabou de perder o marido e está em dúvida sobre onde morar daqui pra frente. Já quero emprestar o livro para ela, afinal, "o melhor lugar do mundo é um só: perto daqueles que amamos".
A Doçura do Mundo é uma história tão real sobre o verdadeiro significado de família e tão deliciosa que vale muito a pena ser lida!
Livro lindo! Chorei no final! <3

Nota 5 de 5

11 de jan. de 2016

Passageiro do Fim do Dia (Rubens Figueiredo)

Título: Passageiro do Fim do Dia
Autor: Rubens Figueiredo
Ano: 2010
Edição: 1
Páginas: 197
Idioma: português 
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Este romance de escritura primorosa narra um percurso. É o que se opera na consciência de Pedro durante uma viagem de ônibus para o bairro do Tirol, na periferia pobre da cidade onde mora - uma espécie de panela de pressão de violência e injustiça sistemática. É lá que mora Rosane, namorada de Pedro: faz algum tempo que ele passa os fins de semana com ela.
De radinho no ouvido, lendo a intervalos, observando o que se passa dentro do ônibus e fora nas ruas, Pedro, sem se dar conta, costura as ideias. Ao fim da viagem ele não será mais o mesmo: o que vê e pensa durante o trajeto, os fatos de sua vida, seus afetos, o mundo em que está imerso, tudo reunido terá formado um novo conhecimento, mais profundo e mais crítico, mas que nem por isso o deixará desprotegido numa sociedade em que parece não haver como fugir de um destino opressivo.
O passageiro do fim do dia não deixa dúvida sobre a importância de Rubens Figueiredo no cenário literário contemporâneo no Brasil.

Passageiro do Fim do Dia (Rubens Figueiredo)


Terminado em 8 de janeiro de 2016.

Eu achei que este seria um bom livro por ter lido tantas resenhas positivas no Skoob, mas me decepcionei muito. Primeiro porque não há divisão de capítulos, o que torna a obra absolutamente cansativa. Segundo porque não há uma trama: é uma mistureba de pensamentos jogados no papel. A "história" é sobre um cara que toma um ônibus lotado no fim do dia e vai lembrando de casos e acasos de sua vida, enquanto lê um livro e repara nas expressões (caricatas) dos passageiros ao seu redor. Passageiro do Fim do Dia me lembrou um dos livros mais chatos que já li, O Irmão Alemão, de Chico Buarque - mil coisas narradas como se o autor só quisesse encher linguiça. Passei a leitura toda esperando que alguma coisa acontecesse e que a história se desenrolasse. Mas nada acontece.
Cabe ressaltar o exagero das descrições, no melhor estilo Paulo Coelho, para forçar o leitor a imaginar tudo exatamente como o autor imaginou: "fulano tinha a nuca curta, com uma pinta próxima à orelha, o suor escorrendo pela costeleta, vestido com uma jaqueta azul por cima de uma camiseta branca e uma calça jeans, surrada, com um rasgo no joelho...". Muito monótono. Achei péssimo.

Nota 1 de 5

8 de jan. de 2016

Cartas Entre Amigos - Sobre Medos Contemporâneos (Padre Fábio de Melo e Gabriel Chalita)

Título: Cartas Entre Amigos - Sobre Medos Contemporâneos
Ano: 2009
Edição: 1
Páginas: 240
Idioma: português 
Editora: Ediouro
Sinopse: A amizade verdadeira é a excelência moral perfeita, apregoava Aristóteles. O filósofo grego creditava à amizade as razões para entender que ninguém é feliz sozinho. Os amigos encontram-se, descobrem-se e amadurecem juntos. Este livro, que reproduz 18 cartas trocadas entre o educador Gabriel Chalita e o padre Fábio de Melo, registra uma amizade no ápice da maturação. A correspondência aqui apresentada iniciou-se no final de 2008. Na época, Chalita, eleito vereador mais votado do Brasil, preparava-se para assumir seu mandato na cidade de São Paulo. Já o sacerdote enfrentava o fim de uma temporada de 120 shows, na qual seu CD se tornou o mais vendido no país. Num momento atribulado de suas vidas, ambos se deram o direito de parar para escrever. E fizeram mais: escreveram em parceria, o que resultou neste diálogo poético, em que dividem aprendizados de vida com plena generosidade – como só amigos fraternos são capazes de fazer.

Cartas Entre Amigos - Sobre Medos Contemporâneos (Padre Fábio de Melo e Gabriel Chalita)

Terminado em 08 de janeiro de 2016.

Este livro foi escrito antes do Cartas Entre Amigos - Sobre Ganhar e Perder, mas li o segundo primeiro. Confesso que achei o outro mais envolvente e até mais esclarecedor, mas este é maravilhoso. A primeira carta de Gabriel ao Padre Fábio me emocionou demais: me identifiquei e chorei. Às vezes, temos medos que nem sabemos que temos - temos medos até de reconhecê-los - e este livro nos faz refletir sobre eles. O livro não é uma obra de autoajuda, não tem fórmulas prontas de mudanças, ao contrário, nos tira da zona de conforto (porque às vezes preferimos o conforto da escuridão ao incômodo da luz ofuscante) e nos abre as portas para o auto conhecimento. Não me canso de repetir que Padre Fábio e Gabriel Chalita são seres iluminados. Recomendo a leitura. :)

Nota 4 de 5

5 de jan. de 2016

Uma Curva no Tempo (Dani Atkins)

Título: Uma Curva no Tempo
Autor: Dani Atkins
Ano: 2015
Edição: 1
Páginas: 256
Idioma: português 
Editora: Arqueiro
Sinopse: A noite do acidente mudou tudo... Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim... Ou funciona?
A noite do acidente foi uma grande sorte... Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel é perfeita. Ela tem um noivo maravilhoso, pai e amigos adoráveis e a carreira com que sempre sonhou. Mas por que será que ela não consegue afastar as lembranças de uma vida muito diferente?

Uma Curva no Tempo (Dani Atkins)

Terminado em 4 de janeiro de 2016.

Fazia tempo que eu não chorava lendo um romance. Não que eu tenha chorado com Uma Curva no Tempo o tanto que chorei com Como Eu Era Antes de Você, de Jojo Moyes, mas a história me tocou como há tempos não acontecia.
O começo do livro pode parecer um pouco confuso (e vi, no Skoob, que muita gente abandonou a leitura por causa disso) - você não sabe o que é sonho, o que é realidade, o que é imaginação - mas basta continuar para entender. A trama tem um quê de ficção científica, mas não chega a ser irreal.
Preciso ter muito cuidado para não falar muito sobre o livro e acabar soltando um spoiler, por isso digo apenas que é surpreendente. Se eu opinar sobre o desenrolar da história vou acabar contando o que acontece.
Este é o primeiro romance de Dani Atkins e, apesar de ser um tanto juvenil, tem uma narrativa gostosa, leve e cativante. Gostei bastante!

Nota 5 de 5

4 de jan. de 2016

Homens Sem Mulheres (Haruki Murakami)

Título: Homens Sem Mulheres
Ano: 2015
Edição: 1
Páginas: 240
Idioma: português 
Editora: Alfaguara
Sinopse: Murakami é um autor capaz de criar universos próprios, que se desdobram em romances de fôlego e personagens cativantes. Mas ele é também um excelente contista, e sua produção mais recente está reunida neste volume: sete histórias que tratam de relações amorosas e trazem o estilo único do autor.
São contos sobre o isolamento e a solidão que permeiam as relações amorosas: homens que perderam uma mulher depois de um relacionamento marcado por mal-entendidos. No entanto, as verdadeiras protagonistas destas histórias — cheias de referências à música, a Kafka, às Mil e uma noites e, no caso do título, a Hemingway — são as mulheres, que misteriosamente invadem a vida dos homens e desaparecem, deixando uma marca inesquecível na vida daqueles que amam.

Homens Sem Mulheres (Haruki Murakami)

Terminado em 3 de janeiro de 2016.

Eu não conhecia as obras de Haruki Murakami e ganhei este livro de Natal, da minha querida amiga Aline Ceron. Definitivamente, Homens Sem Mulheres foi um dos melhores livros de contos que já li. Todas as histórias são absolutamente envolventes, densas, verdadeiras. Mas, como todos os livros de contos, algumas histórias são melhores que as outras - e muitas deixam aquele gostinho de quero mais. As minhas favoritas foram Sherazade e Órgão Independente. Haruki bem que poderia ter escrito um livro inteiro sobre cada uma delas.
O que me cativou em todas as histórias foi a construção psicológica dos personagens - informações que, para um escritor medíocre, seriam apenas detalhes descartáveis, foram usadas por Haruki para dar vida aos personagens de maneira magistral.
Todos os contos têm uma característica comum - a solidão de homens sem mulheres - e todos possuem referências culturais. Gostei bastante. :)

Nota 4 de 5
 

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