14 de jan. de 2016

Herege (Ayaan Hirsi Ali)

Título: Herege - Por que o islã precisa de uma reforma imediata
Ano: 2015
Edição: 1
Páginas: 272
Idioma: português 
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: A autora de Infiel clama por uma reforma na religião islâmica neste livro polêmico e corajoso que oferece uma resposta a um dos problemas mais graves dos nossos dias Ayaan Hirsi Ali, autora do best-seller Infiel, faz neste livro um apelo poderoso por uma reforma do islamismo, como único modo de acabar com o terrorismo, as guerras sectárias e a repressão contra mulheres e outras minorias. Desafiando com coragem os jihadistas, ela identifica as cinco mudanças que precisam ser feitas na religião islâmica para que muçulmanos abandonem os dogmas que os prendem ao século VII. Segundo Ali, “o islã não é uma religião de paz”; o Ocidente deve apoiar os reformistas muçulmanos e não tolerar os extremistas. Concluído logo depois do ataque ao Charlie Hebdo e num momento em que milhares de pessoas ainda são mortas em nome de Alá, este livro oferece uma resposta a um dos mais graves problemas do mundo hoje.

Herege (Ayaan Hirsi Ali)

Terminado em 13 de janeiro de 2016.

Eu já comentei aqui, na resenha de Nômade, seu livro anterior, o quanto eu admiro a força desta mulher. Ayaan Hirsi Ali é uma guerreira. Apesar de eu não concordar com muito do que ela diz ou faz, não posso julgá-la porque nem na imaginação eu poderia viver o que ela viveu.
Acontece que, como na opinião de tantas outras pessoas - que ela mesma cita em seus livros, temos a impressão de que ela é uma mulher traumatizada e revoltada com o Islã (o que não seria de se admirar).

"Por que, quando defendo esses argumentos, recebo tão pouco apoio e tantas injúrias das próprias pessoas do Ocidente que se dizem feministas, que se dizem liberais?
Não espero que a nossa liderança política levante bandeiras para questionar diretamente as desigualdades do islã político. A confiança ideológica que caracterizava os líderes ocidentais durante a Guerra Fria cedeu a um relativismo frágil. Em vez disso, esta campanha pelos direitos das mulheres, dos gays e das minorias precisa vir de outros lugares: dos homens que construíram as redes sociais do Vale do Silício, cujos instintos são profundamente libertários; da nossa capital do entretenimento, Hollywood, onde pelo menos os mais antigos ainda se recordam da época das listas negras e da caça às bruxas; da nossa sociedade civil, dos ativistas de direitos humanos, das feministas e das comunidades lésbicas, bissexuais, homossexuais e transexuais; bem como de organizações como a União Americana pelas Liberdades Civis (American Civil Liberties Union, Aclu), que, se ainda defendem alguma coisa, dificilmente poderiam ignorar a forma como as liberdades civis estão sendo pisoteadas em todo o mundo muçulmano".

É, de fato, são os mesmos defensores dos direitos humanos que defendem os seguidores de Alá, por seu direito à religião.

Quando comecei a ler Herege, pensei "lá vem ela contar a mesma história de novo" (porque em Infiel e em Nômade ela conta sua vida e critica o Islã quase da mesma maneira), mas não. Em Herege o foco é outro. É claro que ela continua criticando a religião de Maomé e seus seguidores, mas há um fundamento. O que ela sugere neste livro é uma reforma. Ela exemplifica atitudes baseadas no Alcorão e cita incontáveis fontes e pensadores.

"O islã não é o comunismo, é claro, mas em certos aspectos é igualmente desdenhoso dos direitos humanos, e as repúblicas islâmicas têm se revelado quase tão brutais em relação a seus próprios cidadãos como eram as repúblicas soviéticas. Não obstante, temos recebido pregadores fundamentalistas nas nossas cidades e ficamos de braços cruzados enquanto milhares de jovens descontentes se radicalizam por causa de seus discursos retóricos. Pior, não fizemos quase nenhuma tentativa de combater o proselitismo dos muçulmanos de Medina. Se prosseguirmos nessa política de não intervenção na guerra cultural, nunca nos livraremos do campo de batalha real. Pois não podemos lutar contra uma ideologia exclusivamente com ataques aéreos e drones, ou mesmo com invasões de tropas de soldados. Precisamos combatê-la com ideias — com ideias melhores, com ideias positivas. Precisamos lutar contra isso com uma visão alternativa, como fizemos na Guerra Fria."

Uma reforma faz todo o sentido. A Igreja Católica foi reformada. Não seguimos tudo ao pé da letra como os muçulmanos seguem, porque nem tudo que foi escrito há dois mil anos pode ser praticado hoje. Diferente dos muçulmanos (radicais), não queimamos mais ninguém na fogueira. Mas Hirsi Ali sugere meio que uma reforma protestante para o Islã - o que eu acho bem utópico. Apesar disso, Ayaan garante que a reforma já começou.

"Hoje há uma guerra dentro do islã — uma guerra entre aqueles que querem reforma (os muçulmanos modificados ou dissidentes) e aqueles que desejam voltar ao tempo do Profeta (os muçulmanos de Medina). O prêmio pelo qual eles lutam está nos corações e mentes dos muçulmanos de Meca, majoritariamente passivos."

Eu concordo plenamente quando ela defende que o Islã deve separar a religião do Estado e refutar em absoluto da jihad, porém, ela sugere mais algumas modificações que acredito que sejam impossíveis.
De qualquer maneira, o livro abriu minha mente para algumas características do Islã que eu não conhecia (e confiava totalmente nos "muçulmanos de Meca", como ela os classifica, que garantem que os extremistas não representam o Islã).

Gostei bastante do livro e ele aguçou minha curiosidade de conhecer as opiniões do "outro lado". Quero entender o que o Islã tem de tão encantador para os jovens (até ocidentais) que se convertem e deixam tudo para morrer como mártires.

Nota 4 de 5

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