29 de set. de 2016

Os dois terríveis ainda piores (Jory John e Mac Barnett)

Título: Os dois terríveis ainda piores
Autor: Jory John e Mac Barnett
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 224
Idioma: português 
Editora: Intrínseca
Sinopse: Miles e Niles continuam pregando peças. E agora vão contar com um ajudante de peso para derrotar um terrível vilão.
A dupla mais terrível de Vale do Bocejo está de volta, e agora os dois amigos precisarão ser mais inteligentes e desordeiros do que nunca se quiserem dar fim a um vilão alérgico a brincadeiras e felicidade. 
Miles e Niles estavam vivendo a era de ouro da pregação de peças. Cada dia uma mais elaborada e hilária do que a outra. Só que tudo que é bom acaba. Sem querer, os meninos acabam fazendo com que o sr. Bronca seja demitido. Em seu lugar, entra um homem ranzinza que detesta alegria e que fará de tudo para acabar com a epidemia de trotes que se espalhou pela escola. 
Agora, os dois amigos terão que se esforçar para botar em prática suas peças mais arrojadas e trazer de volta a diversão para a escola.
No segundo livro da série mais terrível de todos os tempos, os autores e melhores amigos Mac Barnett e Jory John provam mais uma vez que peças e trotes, quando pregadas com sabedoria e inteligência, podem ser uma forma de fazer justiça — e causar muitas risadas.


Terminado em 22 de setembro de 2016 (livro 47).

"Os dois terríveis ainda piores" é a continuação de "Os dois terríveis", que resenhei aqui há pouco tempo. Estes livros são muito, mas MUITO (como diz um dos personagens) legais! O melhor da série é que as histórias são sempre surpreendentes. Nós imaginamos o óbvio, mas a sequência nunca é óbvia. Fora que os personagens são muito bem construídos – e suas ações e reações correspondem, em absoluto, às suas personalidades.
Achei este segundo livro mais "didático", como se os autores explicassem todos os motivos pelos quais os meninos pregam peças novamente. Muita coisa que foi descrita no primeiro livro ficou repetida nesse segundo. Mas eu preciso considerar que o livro é para crianças e pré-adolescentes, e que nem sempre quem lê o segundo já leu o primeiro, claro.


E não só a história é mais didática... As peças que os meninos pregam também! Olha só, tudo descritinho! Que perigo! Haha.

Em "Os dois terríveis ainda piores" aparece um novo diretor Bronca e os meninos fazem de tudo, mas não conseguem pregar peças no cara. Talvez isso tenha deixado o livro um pouco menos ágil que o primeiro. Em "Os dois terríveis", eles pregam uma peça atrás da outra e a história fica muito divertida.

Sobre a edição, esta é igual a do primeiro livro, de capa dura e com ilustrações em relevo por fora. O papel tem uma gramatura mais grossinha e as ilustrações internas são em P&B. Linda edição, como sempre (ponto para a Intrínseca!).

Só senti falta das (muitas) vacas. Mas é ótimo, claro! :)




Sobre os autores:


Jory John é autor premiado de vários livros infantis. Escritor, editor, jornalista e cartunista, tem artigos publicados no The New York Times e no San Francisco Chronicle. Sua tirinha "Open Letters" é publicada em diversos veículos de comunicação norte-americanos.
Mac Barnett nasceu numa comunidade agrícola da Califórnia. Faz parte do conselho administrativo da ONG 826LA e tem vários livros infantis publicados.
Kevin Cornell é um conhecido ilustrador de livros infantis, websites e quadrinhos.

26 de set. de 2016

O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares (Ransom Riggs)

Título: O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares
Autor: Ransom Riggs
Ano: 2012
Edição: 2
Páginas: 336
Idioma: português 
Editora: LeYa
Sinopse: Tudo está à espera para ser descoberto em "O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares", um romance que tenta misturar ficção e fotografia. A história começa com uma tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo - por mais impossível que possa parecer - ainda podem estar vivas. 


Terminado em 16 de setembro de 2016 (livro 46).

Amei, amei, amei e preciso da continuação agora!
Não à toa, "O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares" teve milhões de cópias vendidas em todo o mundo, foi traduzido para mais de 40 idiomas e eleito uma das 100 obras mais importantes da literatura jovem de todos os tempos.
Acho que nunca vi um livro tão original como este. A história é toda ilustrada com fotos reais (de colecionadores de fotografias antigas) – que deixam o livro bem sinistro e bizarro.


O começo é meio assustador. Como não leio sinopses – e já falei isso aqui várias vezes – e não sei do que o livro trata até me situar na história, pensei que "O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares" fosse de terror. Mas não é.

Até fiz uma transmissão ao vivo quando não estava nem na metade:

Olhando aquelas fotos bizarras, fiquei até com medo de andar pela casa no escuro. Hahaha. Bobagem. O livro é pura fantasia e acho até que parece uma obra de Neil Gaiman.


A história não me prendeu muito no comecinho, mas quando passou dos 30% lidos, fiquei obcecada! E mal podia esperar pelas figuras que eu veria no decorrer dos capítulos.



Apesar de ter comprado o livro já havia um tempinho, só fiquei realmente curiosa para lê-lo depois da 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, quando vi tanto destaque dado aos livros dessa série. O primeiro volume ("O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares") foi publicado pela LeYa, em capa comum, e foi destaque no estande da editora, ao lado da série Guerra dos Tronos. Os dois volumes seguintes ("Cidade dos etéreos" e "Biblioteca de almas") foram publicados pela Intrínseca, em capa dura. A editora anunciou dia desses que comprou os direitos do primeiro volume e pretende publicá-lo em capa dura também.


Eu, particularmente, não gosto de livros de capa dura. Acho que ficam lindos na estante, mas não são nada práticos para ler. Prefiro os maleáveis, mais leves, que podem ir com a gente no ônibus, no avião, à praia... E eu amei essa edição. O papel é lindo, a capa é linda (inclusive, comprei por causa dela), tudo é lindo. Eu gostaria de ter os volumes seguintes assim. :(

Voltando à trama, durante toda a minha leitura, eu imaginei um filme. E logo fui procurar na internet para ver se isso era uma viagem minha ou se realmente "o orfanato..." viraria um longa. Dito e feito. E do Tim Burton! Não teria como não ser dele.

“Vocês têm certeza de que não fui eu quem escreveu esse livro? Parece algo que eu teria feito...” (TIM BURTON)

Assim que eu terminei a leitura, vi o trailer do filme rodando pelo Facebook. Ah, que maravilhoso! Eu nem sabia que já estavam filmando – muito menos que já estava pronto. Preciso assistir. Urgente!
Só que não entendi muito bem... A garota não esvazia o naufrágio... E também não é ela que flutua. Er... Devem ter mudado várias coisas. Se você ainda não leu o livro e não quer que o filme influencie a sua leitura, cuidado com o trailer. Contém spoilers! :)


Nota 5 de 5



Sobre o autor:

Ransom Riggs cresceu na Flórida, mas agora reside na terra das crianças peculiares, Los Angeles. Ao longo da vida, formou-se no Kenyon College e na Escola de Cinema e TV da Universidade do Sul da Califórnia, além de fazer alguns curtas-metragens premiados. Nas horas vagas é blogueiro e repórter especializado em viagens, e sua série de ensaios de viagem, Strange Geographies, seu primeiro romance, pode ser lida em ransomriggs.com

19 de set. de 2016

Pretinha de Neve e os sete gigantes (Rubem Filho)

Título: Pretinha de Neve e os sete gigantes
Autor: Rubem Filho
Ano: 2010
Edição: 1
Páginas: 24
Idioma: português 
Editora: Paulinas
Sinopse: Pretinha da Neve morava com a mãe e o rei, seu padrasto, no Monte Kilimanjaro (norte da Tanzânia). Um lugar onde caía neve, por isso muito gelado, mais gelado ainda porque a menina vivia sozinha, já que era a única criança no castelo e não tinha amigos para brincar. Um dia, Pretinha se olhou no fundo do tacho de cobre, em que sua mãe fazia os doces que seu padrasto tanto gostava, e perguntou: "Tacho de cobre, existe menina mais solitária do que eu?". Foi nessa conversa com o tacho de cobre que Pretinha resolveu descer o Monte e conhecer "lá embaixo", um lugar sem neve e, quem sabe, com crianças morando por lá.



Terminado em 7 de setembro de 2016 (livro 45).


"[...] E como não tinha com quem conversar, pôs-se a falar com o tacho.
– Tacho de cobre, tacho de cobre, existe alguma menina mais solitária que eu? Minha mãe está sempre ocupada e nunca me dá atenção. E o meu padrasto é muito chato.
E não é que o tacho de cobre respondeu? Ela levou um susto quando ouviu uma voz vindo de dentro do tacho:
– Não fique triste, não, Pretinha. É assim mesmo, os adultos têm cada vez menos tempo para as crianças.
– Ué, eu não sabia que tacho de cobre falava.
– Espelho não fala também!? Isto é um conto de fadas, ora"

"Pretinha de Neve e os sete gigantes" é a versão do conto de fadas "Branca de Neve e o sete anões" em outro espaço - o continente africano. Os elementos do conto foram adaptados para os hábitos e costumes daquela região.


O livro não é uma paródia, mas uma estilização do conto clássico, com uma linguagem mais moderna, diálogos "descolados" e permeados com boas doses de humor.


As ilustrações são lindas, com cores fortes... Achei bem bacana a representatividade na princesinha. Não amei os diálogos, mas gostei bastante da releitura.

Nota 3 de 5


Sobre o autor:

Rubem Filho nasceu em Belo Horizonte e é bacharel em Artes pela UEMG, com especialização em Gravura. Ilustra, projeta, escreve livros infanto-juvenis desde 1996, tendo mais de 80 livros publicados. Vive e trabalha em Belo Horizonte. 

15 de set. de 2016

[A Tati Leu] Nerve (Jeanne Ryan)

Título: Nerve
Autor: Jeanne Ryan
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 304
Idioma: português 
Editora: Outro Planeta
Sinopse: Você já se sentiu desafiado a fazer algo que, mesmo sabendo que pode se arrepender depois, acaba levando em frente? A heroína deste livro também. Vee cansou de ser só mais uma garota no colégio, e quer deixar os bastidores da vida para assumir seu merecido posto sob os holofotes. E o jogo on-line Nerve, febre nacional transmitida ao vivo, pode ser o início dessa trajetória de sucesso. Basta que ela clique no botão "Jogador" em vez de "Espectador" para entrar na disputa, que propõe, a cada etapa, um desafio novo. A adolescente acaba formando uma dupla imbatível com Ian, um garoto desconhecido com quem trava contato ao se inscrever em Nerve. Juntos, vão galgando posições no jogo. Mas, conforme os dois avançam na disputa, os desafios ficam cada vez mais complexos... e perigosos.


Terminado em 7 de setembro de 2016.

Direcionado a jovens, o novo selo da Editora Planeta, Outro Planeta, não podia deixar de ter entre seus títulos um gênero que muito cresceu na preferência de adolescentes e jovens adultos nos últimos anos: a distopia, narrativa que apresenta uma visão pessimista do futuro e da sociedade, com personagens que são submetidos a injustiças, a situações desesperadoras e ao controle de determinados grupos. No geral, as distopias trazem críticas e, utilizando elementos e costumes do presente, servem como aviso para os leitores.

O gênero é, na verdade, bem antigo (“A máquina do tempo”, por exemplo, foi publicado em 1895, e Suzanne Collins, autora de uma das distopias mais famosas da atualidade, nasceu em 1962; ou seja, a criadora de Katniss Everdeen nem tinha chegado ao mundo ainda, e as distopias já circulavam por aí), mas começou a ganhar mais destaque na mídia e nas prateleiras de livrarias a partir do fim da década passada, com o lançamento de romances distópicos juvenis como os best sellers “Jogos Vorazes”, “Divergente” e “A Seleção”.

Eu (mesmo nem sendo mais jovem!) estou entre os que abriram um espacinho na estante (e no coração, a brega!) para esses romances, então, na última Bienal do Livro de São Paulo, passei pelo estande da Planeta para comprar “Nerve”, que, como toda distopia que se preze, vem carregado de críticas sociais e discussões importantes sobre aspectos da atualidade e do comportamento humano, embora, na minha opinião, elas não sejam tão aprofundadas e explícitas quanto em livros como o já citado “Jogos Vorazes”.

“Nerve” é, provavelmente, a distopia mais próxima de nossa realidade que já li, e talvez resida justamente aí seu poder atrativo. Vivemos em uma sociedade em que as pessoas reconhecem o apelo da exposição midiática e a validam, seja concordando em participar de canais de vídeos e reality shows, em troca de prêmios, dinheiro ou fama, seja assumindo o papel de público, que acompanha avidamente a exploração da imagem dos demais.

Isso sem mencionar, é claro, o tempo que passamos imersos no ambiente virtual, utilizando redes sociais e ferramentas tecnológicas que tornam o dia a dia dos usuários público e embaçam cada vez mais as fronteiras da privacidade. A tecnologia que “Nerve” apresenta não está distante: nós a usamos com frequência. Temos à nossa disposição diversas formas de registrar atividades e momentos pessoais, para então dividi-los com quem quisermos, e tudo isso de maneira muito simples (Alô, Snapchat?).

E é essa a base de “Nerve”, romance sobre um jogo que explora a imagem de seus participantes, submetendo-os a provas física e emocionalmente perigosas.

(Aliás, não quero dar ideias, não, mas a história está tão próxima de nossa realidade, que muito me surpreende ninguém ter pensado ainda em um jogo parecido, no qual usuários cumpram desafios idiotas e transmitam as gravações pelas redes.)

Gostei do livro e acho que ele cumpre seus objetivos, tanto de entretenimento quanto de crítica, abordando temas relevantes como os excessos do mundo virtual e suas consequências. No entanto, acho que a narrativa acaba se perdendo um pouco do meio para o final, deixando algumas lacunas e entregando explicações e desenvolvimentos superficiais. É como se as páginas estivessem acabando e quisessem finalizar logo a história, sabe? Dá uma sensação de que algumas coisas não foram bem exploradas. O próprio desfecho da história é um pouco vago, inconclusivo (sem querer dar spoilers), mas isso, se pensarmos bem, pode significar duas coisas: ou a história é assim mesmo, ou podemos esperar uma continuação.

Na minha opinião, o filme, por incrível que pareça, saiu-se melhor nesse aspecto, desenvolvendo de maneira mais satisfatória alguns aspectos da narrativa, como o romance de Vee, e os personagens, como Ian, que ganha um passado mais definido e mais personalidade. O filme, aliás, é muito (mas muito mesmo) diferente do livro. Provavelmente com o objetivo de aumentar a simpatia do público por alguns personagens, alteraram desde detalhes – como o fato de que Ian dirige uma moto, não um Volvo, como no livro – até pontos muito importantes, como os próprios desafios cumpridos pelos protagonistas e a personalidade de Sidney e Vee.

Acho complicado comparar, porque são construções com objetivos diferentes. Mas, de uma forma geral, gostei dos dois (apesar dos problemas de desenvolvimento do livro). É uma história interessante e dinâmica, com uma narrativa rápida e empolgante, e acho que, de certa forma, ambos cumprem seus objetivos.

Nota 3 de 5



Sobre a autora:


A americana Jeanne Ryan foi criada com onze irmãos e irmãs. Passou a infância no Havaí e, nos anos seguintes, acompanhou a família em suas andanças pela Coreia do Sul, pelos Estados Unidos e pela Alemanha. Antes de se dedicar à ficção, aventurou-se em outras atividades profissionais, entre elas a realização de testes com jogos de guerra e o desenvolvimento de pesquisas com adolescentes. Atualmente, mora com a família em Seattle, Washington.


12 de set. de 2016

Por dentro da Casa Branca (Kate Andersen Brower)

Título: Por dentro da Casa Branca
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 352
Idioma: português 
Editora: Planeta
Sinopse: Da icônica família Kennedy aos descolados Obama, tudo o que aconteceu e acontece na Casa Branca passa pelos olhos e ouvidos de seu fiel e discreto staff, que, há mais de dois séculos, prepara as refeições, tira o pó dos móveis e arruma a cama dos presidentes americanos e de seus familiares.
Neste livro da jornalista americana Kate Andersen Brower, esses privilegiados observadores ganham voz e revelam que a propriedade localizada no número 1.600 da Pennsylvania Avenue, em Washington, é, além da sede do governo dos Estados Unidos, também uma residência como muitas outras, que abriga uma família diferente de quatro em quatro anos – ou de oito em oito anos.
Com uma prosa saborosa e fluida, Kate traz à tona cenas do dia a dia do afamado endereço que nunca ou pouco repercutiram aqui no Brasil, como a reação do porteiro da Casa Branca ao atentado de John Kennedy, a rotina espartana de Jimmy Carter que obrigava os empregados a se levantarem de madrugada para limpar o Salão Oval, as ameaças sofridas pelos titulares da residência e, claro, os grandes jantares e festas. Graças aos depoimentos de mordomos, arrumadeiras, cozinheiros, floristas e calígrafos, entre outros profissionais, e de três ex-primeiras-damas, os bastidores dos mais de 160 cômodos distribuídos por seis andares da mansão mais famosa do mundo são revelados ao curioso leitor.


Terminado em 6 de setembro de 2016 (livro 44).

Eu adoro histórias relacionadas aos presidentes dos Estados Unidos (em livros ou filmes, tanto faz). E não resisto às de não-ficção. Por isso, quando vi que a Planeta estava lançando um livro sobre os bastidores da casa mais famosa do mundo, contados por seus funcionários, nem pensei duas vezes antes de pedir o meu exemplar.


Devorei as primeiras páginas. Porém, comecei a me perder lá pela página 100. A autora, Kate Andersen Brower, separou as histórias por tema ("Discrição", "Dedicação", "Solicitações incomuns", sobre coisas inusitadas que as primeiras-famílias chegaram a pedir, "Fofoca e intriga na cozinha", "Crescendo na Casa Branca", sobre as crianças dos primeiras-famílias, etc.) e não há uma ordem cronológica ou de personagens (tanto dos presidentes como dos funcionários). Por isso, por diversas vezes eu precisei voltar no texto para saber a quem a autora estava se referindo. Esse é o único ponto fraco do livro. Acredito que as histórias poderiam ser mais bem organizadas.


Com o livro, podemos saber como funcionam as coisas dentro da imensa mansão presidencial, conhecer quem trabalha em cada área da casa, quem coordena o quê, quem manda em quem, etc. Não há nenhum segredo revelado ou fofoca que possa prejudicar a imagem de alguém - até porque a lealdade e a discrição dos funcionários sempre foram exemplares - mas há curiosidades muito boas como a reação de Hillary Clinton em comer bolos e mais bolos mocha ao saber da traição do marido, como Lady Bird (L. Johnson) era exigente com os funcionários ou como Michelle e Barack Obama comemoraram a posse, dançando no quarto. 


O livro mostra os "bastidores" da guerra do Vietnã, do atentado ao presidente Kennedy e da reação da equipe de segurança ao 11 de setembro, tudo pelos olhos e ouvidos dos funcionários da Casa Branca. A narrativa sobre esses dois últimos casos me arrancou algumas lágrimas, principalmente na parte em que Jacqueline Kennedy é obrigada a, junto aos seus filhos, deixar a Casa Branca para que o vice-presidente Lyndon B. Johnson a assumisse com sua família. De lascar, tadinha! 


Acho que o livro é muito válido e bem interessante, mas, como eu disse, poderia ser mais organizado – assim ninguém se perderia. Ou, Kate poderia ter focado em alguns personagens (e não ter deixado tudo solto como está), como acontece no filme "O Mordomo da Casa Branca". No fim, acho que os funcionários, que deveriam ser as estrelas principais do livro (acredito que este tenha sido o objetivo maior da autora), são meio que apenas narradores. De qualquer forma, eu adorei e recomendo! :D

Nota 4 de 5



Sobre a autora

A jornalista Kate Andersen Brower nasceu nos Estados Unidos e, por quatro anos, cobriu os acontecimentos da Casa Branca para a Bloomberg News. Além do livro Por dentro da Casa Branca – best-seller do jornal The New York Times –, ela também é autora de First Women, sobre as primeiras-damas dos EUA. Atualmente ela vive em Washington com seu marido e seus dois filhos.






*Livro gentilmente cedido pela editora Planeta
 

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