30 de mar. de 2017

O Amor nos Tempos do Cólera (Gabriel García Márquez)

Título: O Amor nos Tempos do Cólera
Autor: Gabriel García Márquez (tradução Antônio Callado)
Ano: 2009
Edição: 35
Páginas: 429
Idioma: português
Editora: Record
Sinopse: Segundo o autor Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de 1982, "O Amor nos Tempos do Cólera" é o seu melhor romance, superando o grande clássico "Cem Anos de Solidão", que conquistou gerações de leitores. Esta obra-prima do realismo fantástico teve como ponto de partida a relação dos próprios pais do escritor, que enfrentaram a resistência do pai da noiva e a distância física. O livro conta a história do amor não realizado do telegrafista, violinista e poeta (as mesmas profissões do pai de García Márquez) Florentino Ariza por Fermina Daza, uma respeitável donzela de família. Por conta do seu ofício "principal", e a consequente necessidade de entregar telegramas e cartas, o protagonista da trama acaba por ter contato com a família da moça. Daí, nasce uma paixão febril que ainda será mantida no anonimato por algum tempo. Lorenzo, o pai, descobre o idílio e envia sua filha a uma viagem de um ano, na tentativa de fazê-la se esquecer de Florentino. A estratégia funciona. Quando retorna e o pretendente misterioso finalmente se identifica, Fermina o rejeita e casa-se com outro homem, considerado um "bom partido". A partir disso, só resta a Lorenzo duas opções: esperar ou esquecer. A obra foi adaptada ao cinema e lançada, com o mesmo título, no ano de 2007.


Terminado em 30 de março de 2017 (livro 5).

O problema que há em ler um livro clássico e adorado pelo mundo inteiro é, além da expectativa, a pressão. Sentimos algo como "se eu não gostar é porque eu não entendo nada de literatura. Então, preciso amar este livro!"

Eu já havia lido alguns do Gabriel García Márquez – e gostado muitíssimo de todos – mas ainda não havia tido contato com suas duas obras mais importantes: "O Amor nos Tempos do Cólera" e "Cem Anos de Solidão". Resolvi começar pela primeira. 

Dei início a esta leitura em fevereiro do ano passado (!) e fazia alguns anos que eu não demorava tanto assim para concluir um livro (caramba! Deu mais de um ano!). Nem foi porque o livro é grande demais (tem 429 páginas – o que é normal para os livros que leio), mas porque os textos são longos demais. Deu pra entender? São capítulos eternos, narrativas imensas... Fui me cansando, não teve jeito. Às vezes eu lia uma página, duas páginas, dez, mas como nunca conseguia terminar um capítulo de uma só vez, foi ficando cada dia mais difícil. 

Pelo meu histórico de leitura do Skoob dá pra perceber como a evolução foi dura:


Mas vamos à história! "O Amor nos Tempos do Cólera" conta a história de um amor platônico levado ao extremo, vivido por Florentino Ariza e Fermina Daza nos fins do século XIX, no Caribe Colombiano. O livro narra os mais de 50 anos desse amor, que sobreviveu ao tempo e a diferentes contratempos, situado à época em que se passa a história, abordando guerras, conflitos, hábitos, costumes e doenças daquele período.

Florentino Ariza se apaixona por Fermina Daza aos 19 anos. O pai da moça a proíbe de ficar com um cara tão "sem futuro" e a manda viajar para a casa de uma parente por um ano, para que ela esqueça o rapaz. Na volta, ao se deparar com Florentino de repente, no meio da rua, ela sente que ele não era quem ela havia idealizado e pede que ele a esqueça. Com o esforço do pai para que a filha contraísse "um bom matrimônio", ela se casa com um médico partidão, de linhagem e fortuna, para desespero de Florentino, que resolve, então, aguardar pacientemente pela morte do Doutor Juvenal Urbino. E é com a morte do marido de Fermina que o livro começa. Todos os outros fatos anteriores são narrados na sequência. 

“Ela lhe parecia tão bela, tão sedutora, tão diferente da gente comum, que não compreendia que ninguém se transtornasse como ele com as castanholas dos seus saltos nas pedras do calçamento, ou tivesse o coração descompassado com os ares e suspiros de suas mangas, ou não ficasse louco de amor o mundo inteiro com os ventos de sua trança, o voo de suas mãos, o ouro de seu riso.”

Descobrir se a paixão alimentada por Florentino Ariza durante toda a sua vida ganha um final feliz quando ele, aos 76 anos, se reencontra com Fermina Daza, fica nas mãos do leitor – não vou dar spoiler – mas digo que vale a pena. 

"pois tinham vivido juntos o suficiente para perceber que o amor era o amor em qualquer tempo e em qualquer parte, mas tanto mais denso quanto mais perto da morte."

O livro, desde o início, aborda muito a velhice. "O Amor nos Tempos do Cólera" é  uma obra sobre amor, envelhecimento e morte. Gabriel García Márquez nos leva a refletir sobre estes temas com os relatos de seus personagens acerca de seus sentimentos, mudanças do corpo e da mente, lamentações sobre casamentos longos e sem amor, e sobre o "cheiro de velhice", como ele mesmo diz.

" – e até quando acredita o senhor que podemos continuar neste ir e vir do caralho? - perguntou.
Florentino Ariza tinha a resposta preparada havia cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com as respectivas noites.
– toda a vida – disse."

O livro é lindo, sim, as frases são geniais e a obra não poderia ser menos reconhecida como é. Mas não amei. Infelizmente, não me envolvi como gostaria e fiquei mesmo cansada ao longo do texto – tive vontade de pular diversos trechos e não via a hora de acabar. Talvez eu deva relê-lo em outro momento da minha vida, quem sabe. 

Nota 4 de 5



Sobre o autor

Gabriel García Márquez
Gabriel García Márquez (1928-2014) foi um escritor colombiano, apelidado Gabo, que nasceu na aldeia de Aracataca, na Colômbia. Cedo abandonou a casa dos pais e trabalhou em diferentes empregos. Fez seus estudos em Barranquilla e chegou a iniciar o curso de direito em Bogotá, época em que publicou seu primeiro conto. Exerceu o jornalismo em Cartagema, Barranquilla e no El Esplendor, de Bogotá. Foi correspondente das Nações Unidas em Nova York e recebeu o Prêmio Nobel de literatura por sua obra. Escreveu "Cem anos de solidão", "Ninguém escreve ao coronel", "Notícia de um sequestro", "O amor no tempo do cólera", "Retrato de um náufrago", "Crônica de uma morte anunciada", "O amor e outros demônios", "Memórias de minhas putas tristes", dentre outros.

15 de mar. de 2017

[A Deny Leu] No Mundo da Luna (Carina Rissi)

Título: No Mundo da Luna
Autora: Carina Rissi
Ano: 2015
Edição: 1
Páginas: 476
Idioma: português
Editora: Verus Editora
Sinopse:  A vida de Luna está uma bagunça! O namorado a traiu com a vizinha, seu carro passa mais tempo na oficina do que com ela e seu chefe vive trocando seu nome.
Recém-formada em jornalismo, ela trabalha como recepcionista na renomada Fatos&Furos. Mas, em tempos de internet e notícias instantâneas, a revista enfrenta problemas e o quadro de jornalistas diminuiu drasticamente. É assim que a coluna do horóscopo semanal cai no colo dela. Embora não tenha a menor ideia de como fazer um mapa astral e não acredite em nenhum tipo de magia, Luna aceita o desafio sem pestanejar. Afinal, quão complicado pode ser criar um texto em que ninguém presta atenção?
Mas a garota nem desconfia dos perigos que a aguardam e, entre muitas confusões, surge uma indesejada, porém irresistível paixão que vai abalar o seu mundo. O romance perfeito não fosse com o homem errado. Sem saída, Luna terá que lutar com todas as forças contra a magia mais poderosa de todas, que até então ela desconhecia: o amor.
Com seu estilo ágil e fluido, Carina Rissi criou em No mundo da Luna uma leitura viciante, permeada de humor, magia e paixão, que vai conquistar você do início ao fim.


Terminado em 05 de março de 2017 (Releitura).

Apesar do desastre da sua vida amorosa, o descontentamento com a sua vida profissional e o seu chefe odiado, Luna tinha uma família estranha, porém adorável e bem presente. E uma melhor amiga incrível, com quem dividia apartamento.

Com o coração partido devido a um ex-namorado que a traiu com a vizinha e um bolo de uma nova provável paixão, numa noite de bebedeira, Luna acabou na cama do chefe gato – mas odiado –, que tinha acabado de romper um relacionamento de anos.

“ – ele brincou, exibindo um sorriso de fazer o coração pular uma batida. Não o meu, claro. Eu era imune ao charme nerd dele. Totalmente!”

E a vida nada fácil de Luna se complicou mais entre entender o que aconteceu com o chefe, se afastar dele no trabalho, se tornar a jornalista que sonhava em ser e o retorno positivo da sua coluna de horóscopo que alterou a vida de um monte de pessoas, as trapalhadas começaram!

Luna tinha um lado cigano (sua mãe era cigana e fugiu para casar com um gajo), mas tentava evitar a magia, apesar da sua avó (uma adorável e estranha vó). O monte de e-mail recebido por causa da sua coluna, falando o quanto ela estava certa com o horóscopo, fez com que Luna questionasse o poder da magia.

E para piorar as trapalhadas da sua vida, seu chefe odiado, com quem ela foi para a cama sem querer, virou seu vizinho.

E o que deveria ser somente uma noite de bebedeira, virou uma história de desencontros, amor e confusão.

"— Ah, como sempre. Intenso e absurdamente incrível. Ainda que eu odeie admitir, o Dante sabe como fazer uma garota se sentir especial e desejada e... deixá-la com a consistência de gelatina.
— Luna! Você gosta dele!
— Eu... gosto, sim. — confessei, corando. — Gosto demais! E acho que tem uma boa chance de ele já saber disso. Dei a maior mancada anteontem, né?"

"No mundo da Luna" me fez dar muita risada, suspirar de amor e torcer que as confusões que Luna se meteu, fossem resolvidas para que ela tivesse seu final feliz, com o seu amor e sua carreira conforme sonhou.

"Ele é tão lindo aos seus olhos, Luna, e, quando está comigo, consigo vê-lo através de sua perspectiva."

As personagens da Carina são tão reais, tão gente como a gente, que é impossível não se encantar por suas histórias.  Mocinhas e mocinhos cheias de defeitos, com inseguranças e cometendo trapalhadas que fazem sua vida virar do avesso.

Carina sabe, como ninguém, inventar mocinhos que fazem "o coração pular uma batida". Ian Clarke que me perdoe, mas Dante Montini é o meu mocinho predileto! (Tá bom, Ian também é uma graça, assim como o Lucas, o Marcos, o Max...)

"Luzes brilhantes tremularam em minhas pálpebras fechadas, explosões agitavam em meu íntimo, meu corpo todo pulsava, ciente da vida que o percorria.
Os lábios delicados de Dante libertaram os meus, mas não se afastaram. Ele colou a boca na minha uma vez mais. Duas. E ainda uma terceira vez.
— Você vai perder os fogos. — Ele encostou a testa na minha, fechando os olhos.
— Não enquanto você me beijar desse jeito.
Ele sorriu, ainda de olhos fechados.
— Me referia àqueles fogos. — E apontou para o alto.
— Quais? — Elevei a cabeça e... — Uau!"

Nota 5 de 5


Sobre a autora:

Carina Rissi
Carina Rissi é uma leitora voraz, sempre lê a última página de um livro antes de comprá-lo e tem um fascínio inexplicável pelo tema “amores impossíveis”. Vê nas obras de Jane Austen uma fonte de inspiração.

Quando se desgruda dos livros – tanto dos que lê quanto dos que escreve –, Carina se diverte assistindo a comédias românticas ao lado da família e planejando viagens a lugares exóticos que não conhecerá tão cedo, devido ao seu pavor de avião.
Ela nasceu em Ariranha, interior de São Paulo, onde mora atualmente com o marido e a filha, após ter vivido uma curta temporada na capital paulista.
É autora de Perdida, Encontrada, Procura-se um marido e No mundo da Luna, lançados com grande sucesso pela Verus e que a tornaram conhecida em todo o país.

13 de mar. de 2017

[A Tati Leu] A Dama da Ilha (Patricia Cabot)

Título: A dama da ilha
Autora: Patricia Cabot
Ano: 2012
Edição: 1
Páginas: 320
Idioma: português
Editora: Essência
Sinopse: Doutor Reilly Stanton precisa curar o seu orgulho ferido e provar à sua ex-noiva que é um homem bom e caridoso – e não um bêbado, como ela pensa. Para isso, o moderno londrino aceita o posto de médico em uma ilha de pescadores escoceses, convencido de que pode se acostumar às condições primitivas de infraestrutura e ao clima pouco amigável da ilha.
Já a senhorita Brenna Donnegal é um problema à parte...
Reilly tenta, mas não consegue ignorar aquela bela mulher de cabelos de fogo e temperamento difícil. O pai de Brenna era o médico oficial da ilha, mas, com sua viagem à Índia, ela ocupa o seu lugar e não fica nada feliz em saber que Lorde Glendenning, seu incômodo pretendente, contratou Reilly para ser o novo médico.
O que começa com uma pequena fagulha entre dois cientistas orgulhosos pode acabar com uma explosão apaixonada...


Terminado em 28 de fevereiro de 2017.

Já mencionei uma vez que não sou muito fã de romances eróticos, que no geral negligenciam a trama e a construção dos personagens para priorizar as cenas mais picantes, mas, na mesma ocasião, mencionei que acredito em exceções, e hoje escrevo para apresentar uma delas.


Escrito por Meg Cabot, sob o pseudônimo de Patricia, “A dama da ilha” é um romance histórico ambientado em uma aldeia fictícia, localizada em uma ilha escocesa. O ano é 1847, época em que epidemias de cólera tiraram a vida de milhares de pessoas por toda a Europa, e Meg instala seus encantadores personagens nesse contexto histórico para nos apresentar uma história divertida, engraçada, envolvente e bem construída.

A Dama da Ilha (Patricia Cabot)

A história começa com a chegada do doutor Reilly Stanton a Lyming, após ser dispensado pela noiva, Christine, que se mostra indignada com o fato de que Reilly pretende dar mais uso ao diploma de médico do que ao seu título de marquês.

Assim que chega à ilha, no entanto, ele se dá conta de que sua estadia não será nem remotamente tranquila: do barqueiro bêbado que se afoga – e que ele mesmo precisa pular na água para resgatar – à precariedade do lugar, passando pelo clima, pela desconfiança dos aldeões e pela jovem ruiva que bebe uísque pelo gargalo e usa calças, tudo parece contribuir para dificultar sua ambientação.

A Dama da Ilha (Patricia Cabot)

A jovem ruiva é Brenna Donnegal, filha do antigo médico do lugar, que, em sua ausência, assumiu suas funções, e, embora Reilly não compreenda desde o início, ela é o principal motivo pelo qual Lorde Glendenning, seu empregador, o levou para aquele fim de mundo. Rechaçado em todas as tentativas de desposá-la, Glendenning conta com o médico para convencê-la de que ela não está em posse de suas faculdades mentais – algo obviamente demonstrado, em sua opinião, por seu hábito de caminhar pelo cemitério à noite, recolhendo terra e anotando nomes de pessoas que haviam morrido de cólera no ano anterior – e que o melhor para ela seria casar-se.

Enquanto tenta ganhar a confiança dos moradores da aldeia, para exercer sua profissão, descobrir o que diabos Brenna está aprontando, ensinar um pouco de boas maneiras para Glendenning e se recuperar da dor de cotovelo, Reilly se envolve cada vez mais com a ilha e com seus habitantes –  em especial com a supracitada jovem ruiva que bebe uísque pelo gargalo, usa calças e passeia por cemitérios.

Contudo, quando o verão chega, trazendo consigo mais um surto de cólera, caberá aos dois cientistas deixar as diferenças e todos os sentimentos recém-descobertos de lado, para encontrar um modo de salvar a aldeia de mais uma onda de incontáveis mortes.

Tanto Reilly quanto Brenna são personagens cativantes, e os ataques de cavalheirismo do médico – que não são piegas nem pedantes, mas muito naturais e fofos – e as brigas espirituosas da ruiva garantem à trama momentos engraçados e divertidos, assim como Glendenning, com seu espírito de ogro, e os amigos londrinos e refinados de Reilly, que também acabam indo até a ilha, embora desejassem imensamente nunca o ter feito.

A Dama da Ilha (Patricia Cabot)

A história, claro, não garante grandes reflexões, e muito dificilmente alguém terá uma epifania durante a leitura, embora algumas colocações sobre a cólera e outras doenças infectocontagiosas sejam muito válidas, inclusive para a atualidade. No geral, é um livro leve, para distrair, divertir, e, mesmo que eu não goste de romances eróticos, preciso admitir que gostei deste. Especialmente para quem já gosta da autora ou de romances assim, recomendo muitíssimo a leitura.

Nota 4 de 5


Sobre a autora:

Meg CabotPatricia Cabot é o pseudônimo da escritora norte-americana Meg Cabot. Foi como Patricia que ela assinou seus primeiros livros, em 1990. Apesar de não escrever mais com esse pseudônimo, seus livros sob essa alcunha continuam sendo traduzidos para vários idiomas e a atrair milhares de fãs. No Brasil, Essência lançou também “A rosa do inverno”, livro de estreia de Cabot, “Aprendendo a seduzir” e “Pode beijar a noiva”.


10 de mar. de 2017

[A Tati Leu] O Círculo (Dave Eggers)

Título: O Círculo
Autor: Dave Eggers
Ano: 2014
Edição: 1
Páginas: 526
Idioma: português
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Encenado num futuro próximo indefinido, o engenhoso romance de Dave Eggers conta a história de Mae Holland, uma jovem profissional contratada para trabalhar na empresa de internet mais poderosa do mundo: o Círculo. Sediada num campus idílico na Califórnia, a companhia incorporou todas as empresas de tecnologia que conhecemos, conectando e-mail, mídias sociais, operações bancárias e sistemas de compras de cada usuário em um sistema operacional universal, que cria uma identidade on-line única e, por consequência, uma nova era de civilidade e transparência.
Mae mal pode acreditar na sorte de fazer parte de um lugar assim. A modernidade do Círculo aparece tanto na sua arquitetura quanto nos escritórios aprazíveis e convidativos. Os entusiasmados membros da empresa convivem no campus também nas horas vagas, seja em festas e shows que duram a noite toda ou em campeonatos esportivos e brunches glamorosos. A vida fora do trabalho, porém, vai ficando cada vez mais esquecida, à medida que o papel de Mae no Círculo torna-se mais e mais importante.
O que começa como a trajetória entusiasmada da ambição e do idealismo de uma mulher logo se transforma em uma eletrizante trama de suspense que leva questões fundamentais sobre memória, história, privacidade, democracia e os limites do conhecimento humano.

[A Tati Leu] O Círculo (Dave Eggers)

Terminado em 15 de fevereiro de 2017.

Mais uma distopia está prestes a chegar aos cinemas, desta vez protagonizada pela queridinha Emma Watson e pelo ainda mais queridinho Tom Hanks. Mas se você quiser saber um pouco mais sobre a história antes de se arriscar a comprar as entradas para o cinema, a gente te conta o que achou de “O Círculo” ;)

“O círculo” é mais uma daquelas distopias que parecem ainda mais chocantes por conta de sua proximidade com a atualidade. O enredo de vigilância constante e a onipresença de uma entidade totalitária lembram um pouco “1984”, embora alguns elementos específicos os diferenciem, em especial o fato de que “1984” apresenta um governo totalitário consolidado, enquanto “O Círculo” mostra como uma organização consegue alcançar esse tipo de poder e influência.

A história começa com o primeiro dia da jovem Mae Holland em seu novo emprego, em uma prestigiada e poderosa empresa de tecnologia do Vale do Silício. Fundado por três homens considerados geniais e revolucionários, o Círculo integrou todos os serviços tecnológicos e todas as redes sociais atuais em um só sistema, monopolizando dessa forma seu campo de atuação e garantindo a adesão quase hegemônica da sociedade ao seu programa, chamado “TruYou”.

E-mail, redes sociais, acesso bancário, comentários em sites, PayPal. Tudo vinculado a uma única conta, que exige real identificação do usuário. Nada mais de incontáveis senhas, nada mais de anonimato na internet. O cyberbullying é praticamente eliminado, afinal, cada pessoa acaba obrigada a assumir os comentários que faz, e a transparência, a garantia de que estão sendo vistos, melhora de modo significativo o comportamento dos usuários on-line.

Por outro lado, os detentores de tal tecnologia se tornam também os detentores de todas as informações dos usuários, de seus hábitos de consumo, e as aproveitam para gerar ainda mais lucro, oferecendo serviços e produtos de que precisam antes mesmo de saberem que precisam deles (soa familiar?). 

O Círculo (Dave Eggers)

Além disso, o que falar da privacidade? A possibilidade de transferir toda a sua vida para um único serviço da internet rompe completamente todas as barreiras que separam o que é público do que o que é privado. As pessoas são estimuladas a socializar tudo o que vivem – opiniões, fotos, vídeos de onde estiveram –, a curtir, a comentar, a analisar. São avaliadas de acordo com sua participação na rede, e seu status é medido pelo quanto são “vistas”, “curtidas”, “disseminadas”. Estar fora da rede é considerado absurdo, algo dificilmente aceito pelos demais, um fator que afetará profundamente a vida social e profissional de quem optar por isso.

O poder e o alcance do Círculo só crescem, e Mae, por sua vez, também passa a ganhar cada vez mais espaço na empresa. O controle da vida on-line não é mais o bastante. Por que não espalhar câmeras por lugares públicos? Por que não abrir a possibilidade de investigar a árvore genealógica de cada pessoa? Por que não submeter autoridades e políticos a uma vigilância constante, durante todo o seu dia, para evitar a corrupção? Por que não colocar nas pessoas dispositivos que monitoram sua saúde e o funcionamento de seu corpo em tempo integral? Por que não implantar chipes nas crianças, para evitar que sejam sequestradas? Essas são algumas iniciativas do Círculo, e elas só evoluem, com o objetivo de tornar todas as pessoas “transparentes”, até comprometerem completamente a vida privada e a democracia.

Há quem se oponha a tudo isso, como é o caso de Kalden (interpretado por John Boyega, que ganhou destaque há pouco tempo dando vida a Finn, em “Star Wars – O despertar da força”), misterioso funcionário do Círculo que Mae conhece em uma festa, e Mercer, ex-namorado que assume o papel de levantar todas as questões a respeito dos limites éticos que a empresa tem desconsiderado.

O Círculo (Dave Eggers)

Todo esse contexto de evolução tecnológica abre espaço para diversas discussões e muitas críticas à sociedade atual. A começar pela vigilância em si: os pretextos são bons – diminuir os crimes, inibir a violência, porque pessoas vigiadas tendem a se comportar melhor; compartilhar o conhecimento; eliminar fronteiras –, mas a que preço? Até que ponto essa exposição seria válida?

Além disso, vale lembrar também o comportamento que nós mesmos temos assumido diante das redes sociais. Claro que isso é representado de um modo caricato, exagerado, mas nós também não valorizamos excessivamente a participação nas redes? Quem tem mais fotos, quem tem mais curtidas, quem interage mais com as pessoas? Há situações ao decorrer do livro que mostram personagens extremamente aborrecidos por não receberem a atenção na rede que julgavam merecer. Uma, por exemplo, mostra-se ansiosa, aflita e ofendida porque Mae não responde imediatamente suas mensagens. E, afinal, quem nunca? Quem nunca ficou aborrecido, criando um milhão de conjecturas, por aquele “curtir” que não veio ou porque alguém visualizou sua mensagem no WhatsApp e não respondeu?

O Círculo (Dave Eggers)

Como pontos negativos, eu mencionaria a própria protagonista, Mae. Não espere uma heroína típica de distopias juvenis. Nada de Katniss por aqui. Nem Tris Prior. Nem mesmo uma América Singer. Mae me parece uma personagem um tanto pobrinha, imatura, egoísta e gananciosa, tão rasa quanto um prato. Não os de sopa. Os de sopa são profundos em comparação. 

O Círculo (Dave Eggers)

Acho que é válido também avisar que há no livro cenas de sexo, embora não contribuam em absolutamente coisa nenhuma para a história; além disso, não há grandes conflitos ou eventos emocionantes, o que faz algumas vezes a narrativa patinar, inclusive em seu desfecho, também um pouco fraco. A leitura, por conta disso, vale mais pela crítica em si do que pela força da narrativa e pela evolução da história. 

O foco narrativo é em terceira pessoa, com um narrador onisciente seletivo, concentrado apenas em Mae, que, vale lembrar, não é o ser mais genial que veio ao mundo. As implicações negativas das ações do Círculo, dessa forma, não são muito exploradas, o que poderia ajudar a aumentar as reflexões em torno das ações adotadas. No entanto, acho realmente que a leitura ainda vale como crítica e como combustível para reflexões.

O filme “O Círculo” está previsto para estrear em maio no Brasil, mas dois trailers já foram divulgados, para quem tiver se interessado. Confira!


Nota 4 de 5


Sobre o autor


Dave Eggers
Dave Eggers nasceu em 1970, em Boston. É jornalista, escritor e editor-fundador da McSweeney’s, editora independente com sede em San Francisco. É autor dos livros “Uma comovente obra de espantoso talento”, “O que é o quê?” (finalista do National Book Critics Circle Award de 2006), “Os monstros” (versão romanceada do roteiro que originou o filme “Onde vivem os monstros” e “Zeitoun”, além do romance “Um holograma para o rei”.

6 de mar. de 2017

O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

Título: O Pequeno Príncipe
Autor: Antoine de Saint-Exupéry (tradução de Luciana Sandroni)
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 120
Idioma: português 
Editora: Paulinas
Sinopse: "O Pequeno Príncipe" é um dos livros mais lidos do mundo. Ele conta a história de um pequeno príncipe de um planeta desconhecido que encontra um aviador forçado a fazer um pouso de emergência no deserto. A partir desse encontro inusitado, feito de diálogos e silêncios, laços de amizade vão sendo construídos na medida em que se aprende a ver com o coração. Um livro poético que provoca, em leitores de todas as idades, reflexões importantes sobre valores universais.

O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

Terminado em 12 de fevereiro de 2017 (livro 4).

A história, acho, quase todo mundo conhece. Confesso que eu não me lembrava de nada, a não ser das famosas frases como "tu te tornas eternamente responsável...", e não entendia muito bem porque este sempre foi um livro tão amado e idolatrado por todos. Mas depois de relê-lo, agora adulta, compreendi muito bem. De fato, "O Pequeno Príncipe" é uma obra incrível, principalmente ao considerarmos a história do autor e o contexto em que foi escrita.


A edição da Paulinas Editora é bem bonita. Com projeto gráfico do famoso ilustrador André Neves, o livro tem capa texturizada, com destaque para a edição original em francês, publicada em 1946. O miolo é cheio de páginas envelhecidas e todas as ilustrações são as aquarelas originais do autor Antoine de Saint-Exupéry (que são lindas, né?!).

O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)
O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)
O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

Gostei bastante também da diagramação, que deixou a leitura leve e agradável.

O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

Apesar de ter um preço um pouquinho salgado (R$ 48), eu acho que vale a pena ter esta edição – e não falo isso porque eu trabalho na editora (porque sempre sou sincera nas minhas resenhas). Ela é mesmo bem caprichada! Tenho mais duas edições de "O Pequeno Príncipe" em casa (uma pop-up e outra simplesinha, que parece pocket book, ou seja, tem a fonte pequenininha e o espaçamento apertado), mas esta da Paulinas é a melhor para ler.

O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)

E a história... Bem, a história todo mundo já sabe. <3

Nota 5 de 5



Sobre o autor:

Antoine de Saint-ExupéryAntoine de Saint Exupéry (1900-1944) partiu para Nova York no fim de dezembro de 1940, onde começou a desenhar, na frente de editores, o recorrente menino de cabelos rebeldes. Quando lhe perguntavam, respondia: “Não é nada de mais, é apenas o garoto que existe no meu coração.” A primeira edição do Pequeno Príncipe apareceu em abril de 1943. Ele recebeu um dos primeiros exemplares alguns dias antes do seu embarque para a África do Norte. Atravessou o Atlântico a bordo de um navio com tropas americanas para lutar pela França ocupada pelo exército alemão. No dia 31 de julho de 1944, não retornou da sua última missão. Toda a obra de Saint-Exupéry é centrada em valores fundamentais e universais. Elas fazem parte do nosso patrimônio. São os valores dos homens solidários, responsáveis e persistentes.

Sobre a tradutora:

Luciana SandroniLuciana Sandroni nasceu no Rio de Janeiro em 1962. Formou-se em letras pela PUC do Rio de Janeiro e fez mestrado em comunicação e semiótica pela PUC de São Paulo.
Autora de vários livros infantis e juvenis premiados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Luciana também recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil pelo livro, Minhas Memórias de Lobato, e indicação para a lista de honra do Ibby, International Board on Books for Young People. Algumas de suas obras são Memórias da Ilha, O Mário que não é de Andrade, Joaquim e Maria e a estátua de Machado de Assis, e Lampião na cabeça. Trabalhou nesses livros com ilustradores como Laerte, Spacca, Roger Mello e André Neves.

2 de mar. de 2017

[A Lu Soube] Saraiva espalha livros de mulheres inspiradoras por São Paulo e Rio de Janeiro

A Saraiva irá espalhar pelos Ninhos de Livros [pequenas bibliotecas colaborativas que integram o projeto #LerFazBem, plataforma da rede de incentivo à leitura], em São Paulo e Rio de Janeiro, durante todo o dia 08 de março, obras de autoras inspiradoras e também títulos sobre personalidades femininas que fizeram, e fazem, história. A ação faz parte da série de iniciativas especiais que a empresa promove para comemorar o Dia Internacional da Mulher. 


Quem passar por um dos 40 ninhos espalhados pela capital paulista e carioca poderá escolher, de forma gratuita, um livro para conhecer e se emocionar com as narrativas sobre as vidas de Anne Frank, Chica da Silva, Coco Chanel, Elis Regina, Oprah Winfrey, Rita Lee, entre outras. Além disso, autoras renomadas como Clarice Lispector e Martha Medeiros também fazem parte da curadoria feita pela Saraiva, em parceria com as editoras Casa da Palavra, Casa dos Livros, Companhia das Letras, Globo, Harpercollins, Intrinseca, L&PM Pocket, Master Books, Planeta, Record, Rocco, Seoman / Pensamento e Sextante, para homenagear essas mulheres que são grandes protagonistas da história da literatura. O leitor também pode deixar no espaço um livro para outra pessoa e, assim, continuar esse ciclo de trocas de livros.


Projeto nascido no Rio de Janeiro por meio da agência de benfeitorias Satrápia, os Ninhos de Livros, que remetem a casas de passarinhos e levam cultura para toda a cidade, em São Paulo, estão instalados em locais como Brasilândia, Grajaú, Largo da Batata, Praça Benedito Calixto, Praça Roosevelt, Paraisópolis, Parelheiros, Vila Madalena, entre outros pontos da cidade. 

Legal, né? :)
 

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