30 de mar. de 2017

O Amor nos Tempos do Cólera (Gabriel García Márquez)

Título: O Amor nos Tempos do Cólera
Autor: Gabriel García Márquez (tradução Antônio Callado)
Ano: 2009
Edição: 35
Páginas: 429
Idioma: português
Editora: Record
Sinopse: Segundo o autor Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de 1982, "O Amor nos Tempos do Cólera" é o seu melhor romance, superando o grande clássico "Cem Anos de Solidão", que conquistou gerações de leitores. Esta obra-prima do realismo fantástico teve como ponto de partida a relação dos próprios pais do escritor, que enfrentaram a resistência do pai da noiva e a distância física. O livro conta a história do amor não realizado do telegrafista, violinista e poeta (as mesmas profissões do pai de García Márquez) Florentino Ariza por Fermina Daza, uma respeitável donzela de família. Por conta do seu ofício "principal", e a consequente necessidade de entregar telegramas e cartas, o protagonista da trama acaba por ter contato com a família da moça. Daí, nasce uma paixão febril que ainda será mantida no anonimato por algum tempo. Lorenzo, o pai, descobre o idílio e envia sua filha a uma viagem de um ano, na tentativa de fazê-la se esquecer de Florentino. A estratégia funciona. Quando retorna e o pretendente misterioso finalmente se identifica, Fermina o rejeita e casa-se com outro homem, considerado um "bom partido". A partir disso, só resta a Lorenzo duas opções: esperar ou esquecer. A obra foi adaptada ao cinema e lançada, com o mesmo título, no ano de 2007.


Terminado em 30 de março de 2017 (livro 5).

O problema que há em ler um livro clássico e adorado pelo mundo inteiro é, além da expectativa, a pressão. Sentimos algo como "se eu não gostar é porque eu não entendo nada de literatura. Então, preciso amar este livro!"

Eu já havia lido alguns do Gabriel García Márquez – e gostado muitíssimo de todos – mas ainda não havia tido contato com suas duas obras mais importantes: "O Amor nos Tempos do Cólera" e "Cem Anos de Solidão". Resolvi começar pela primeira. 

Dei início a esta leitura em fevereiro do ano passado (!) e fazia alguns anos que eu não demorava tanto assim para concluir um livro (caramba! Deu mais de um ano!). Nem foi porque o livro é grande demais (tem 429 páginas – o que é normal para os livros que leio), mas porque os textos são longos demais. Deu pra entender? São capítulos eternos, narrativas imensas... Fui me cansando, não teve jeito. Às vezes eu lia uma página, duas páginas, dez, mas como nunca conseguia terminar um capítulo de uma só vez, foi ficando cada dia mais difícil. 

Pelo meu histórico de leitura do Skoob dá pra perceber como a evolução foi dura:


Mas vamos à história! "O Amor nos Tempos do Cólera" conta a história de um amor platônico levado ao extremo, vivido por Florentino Ariza e Fermina Daza nos fins do século XIX, no Caribe Colombiano. O livro narra os mais de 50 anos desse amor, que sobreviveu ao tempo e a diferentes contratempos, situado à época em que se passa a história, abordando guerras, conflitos, hábitos, costumes e doenças daquele período.

Florentino Ariza se apaixona por Fermina Daza aos 19 anos. O pai da moça a proíbe de ficar com um cara tão "sem futuro" e a manda viajar para a casa de uma parente por um ano, para que ela esqueça o rapaz. Na volta, ao se deparar com Florentino de repente, no meio da rua, ela sente que ele não era quem ela havia idealizado e pede que ele a esqueça. Com o esforço do pai para que a filha contraísse "um bom matrimônio", ela se casa com um médico partidão, de linhagem e fortuna, para desespero de Florentino, que resolve, então, aguardar pacientemente pela morte do Doutor Juvenal Urbino. E é com a morte do marido de Fermina que o livro começa. Todos os outros fatos anteriores são narrados na sequência. 

“Ela lhe parecia tão bela, tão sedutora, tão diferente da gente comum, que não compreendia que ninguém se transtornasse como ele com as castanholas dos seus saltos nas pedras do calçamento, ou tivesse o coração descompassado com os ares e suspiros de suas mangas, ou não ficasse louco de amor o mundo inteiro com os ventos de sua trança, o voo de suas mãos, o ouro de seu riso.”

Descobrir se a paixão alimentada por Florentino Ariza durante toda a sua vida ganha um final feliz quando ele, aos 76 anos, se reencontra com Fermina Daza, fica nas mãos do leitor – não vou dar spoiler – mas digo que vale a pena. 

"pois tinham vivido juntos o suficiente para perceber que o amor era o amor em qualquer tempo e em qualquer parte, mas tanto mais denso quanto mais perto da morte."

O livro, desde o início, aborda muito a velhice. "O Amor nos Tempos do Cólera" é  uma obra sobre amor, envelhecimento e morte. Gabriel García Márquez nos leva a refletir sobre estes temas com os relatos de seus personagens acerca de seus sentimentos, mudanças do corpo e da mente, lamentações sobre casamentos longos e sem amor, e sobre o "cheiro de velhice", como ele mesmo diz.

" – e até quando acredita o senhor que podemos continuar neste ir e vir do caralho? - perguntou.
Florentino Ariza tinha a resposta preparada havia cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com as respectivas noites.
– toda a vida – disse."

O livro é lindo, sim, as frases são geniais e a obra não poderia ser menos reconhecida como é. Mas não amei. Infelizmente, não me envolvi como gostaria e fiquei mesmo cansada ao longo do texto – tive vontade de pular diversos trechos e não via a hora de acabar. Talvez eu deva relê-lo em outro momento da minha vida, quem sabe. 

Nota 4 de 5



Sobre o autor

Gabriel García Márquez
Gabriel García Márquez (1928-2014) foi um escritor colombiano, apelidado Gabo, que nasceu na aldeia de Aracataca, na Colômbia. Cedo abandonou a casa dos pais e trabalhou em diferentes empregos. Fez seus estudos em Barranquilla e chegou a iniciar o curso de direito em Bogotá, época em que publicou seu primeiro conto. Exerceu o jornalismo em Cartagema, Barranquilla e no El Esplendor, de Bogotá. Foi correspondente das Nações Unidas em Nova York e recebeu o Prêmio Nobel de literatura por sua obra. Escreveu "Cem anos de solidão", "Ninguém escreve ao coronel", "Notícia de um sequestro", "O amor no tempo do cólera", "Retrato de um náufrago", "Crônica de uma morte anunciada", "O amor e outros demônios", "Memórias de minhas putas tristes", dentre outros.

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