28 de nov. de 2016

O Acordo - Amores Improváveis (Elle Kennedy)

Título: O Acordo - Amores Improváveis
Autor: Elle Kennedy
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 360
Idioma: português 
Editora: Paralela
Sinopse: Hannah Wells finalmente encontrou alguém que a interessasse. Mas, embora seja autoconfiante em vários outros aspectos da vida, carrega nas costas uma bagagem e tanto quando o assunto é sexo e sedução. Não vai ter jeito: ela vai ter que sair da zona de conforto. Mesmo que isso signifique dar aulas particulares para o infantil, irritante e convencido capitão do time de hóquei, em troca de um encontro de mentirinha.
Tudo o que Garrett Graham quer é se formar para poder jogar hóquei profissional. Mas suas notas cada vez mais baixas estão ameaçando arruinar tudo aquilo pelo qual tanto se dedicou. Se ajudar uma garota linda e sarcástica a fazer ciúmes em outro cara puder garantir sua vaga no time, ele topa. Mas o que era apenas uma troca de favores entre dois opostos acaba se tornando uma amizade inesperada. Até que um beijo faz com que Hannah e Garret precisem repensar os termos de seu acordo.


Terminado em 25 de novembro de 2016 (livro 55).

"O Acordo" é o primeiro livro da série "Amores Improváveis", de Elle Kennedy. A obra é um romance new adult, com cenas picantes e cheio de clichês.

"O Acordo" poderia ser qualquer comédia romântica de Hollywood, estrelada por Ashton Kutcher ou Brittany Murphy. A história acontece na faculdade, quando uma menina meio nerdinha e o cara mais popular de todos, capitão do time de hóquei, fazem um acordo. Ele precisa tirar uma nota alta na prova e ela quer um encontro com um bonitinho aí. Só que, como todo bom clichezão, os dois começam a se pegar e, quando se dão conta, pof!, estão super envolvidos e apaixonados.

"Como eu nunca reparei nela antes?", se pergunta Garret, o popular, cobiçadíssimo pelas meninas, que se encanta por Hannah justamente por ela ser diferente de todas as "maria-patins" (como são denominadas, no livro, as meninas que querem ficar com os jogadores de hóquei).

Durante o livro, algumas cenas fazem jus à categoria new adult, com narração explícita dos personagens fazendo sexo. Eu, para ser sincera, sempre achei esse tipo de escrita um pouco cafona. Prefiro as cenas de sexo narradas com mais discrição. Mas isso é pessoal. 


O livro é narrado em primeira pessoa, pelos dois personagens – Hannah e Garret, alternadamente. Particularmente eu preferi as partes narradas pela garota porque, quando eu lia a narração dele, tinha a impressão de estar lendo um relato escrito por uma mulher (a autora, no caso). Homens não falam, pensam ou agem como Garret – como também não falam, pensam ou agem como os protagonistas das comédias românticas hollywoodianas. As partes narradas por Hannah são mais verossímeis.

Só fiquei um pouco incomodada com a obviedade do desenrolar da história. Dava para adivinhar tudo. Acho que mesmo que clichês sejam legais, dá pra ter uma criatividadezinha e surpreender o leitor. 


"O Acordo" é um livro leve, ótimo para tardes ensolaradas de domingo.

No geral, acho que se eu tivesse 18 ou 20 anos, teria enlouquecido. Eu adorava essas histórias batidas e, na verdade, bem difíceis de acontecer. Acho que o livro é ótimo para quem está nessa fase. Quando passamos dos 30, gostamos de romances mais profundos e problemáticos. Mas não desmereço o livro, afinal, new adult é a categoria para "novos adultos", certo? Não para leitores da minha idade. 

Nota 3 de 5


Sobre a autora:


Elle Kennedy cresceu nos subúrbios de Toronto. Desde criança, sabia que queria ser escritora. Elle formou se em língua inglesa pela York University e atualmente escreve para várias editoras diferentes. É autora best-seller do New York Times, USA Today e Wall Street Journal.






*Livro gentilmente cedido pela editora Paralela (Companhia das Letras)

24 de nov. de 2016

Sonhos sorteados (Alexandre Azevedo)

Título: Sonhos sorteados
Autor: Alexandre Azevedo
Ano: 2014
Edição: 1
Páginas: 32
Idioma: português 
Editora: Paulinas
Sinopse: Sonhos sorteados é uma obra que nos faz refletir sobre as políticas públicas brasileiras, as condições de sobrevivência dos cidadãos: seus respectivos direitos e deveres.
A personagem de Dona Elvira retrata a difícil situação vivida por muitos pais em nosso país: acordara bem cedo e estava decidida a vestir sua roupa de missa, embora não fosse o dia. Ela iria à escola matricular Carolina, sua filha, tão inteligente, tão interessada em aprender. Quando chegou ao portão da escola, quatro e meia da manhã, Dona Elvira não acreditou: a fila já estava grande. Não tinha jeito, senão esperar. Na fila, conheceu Dona Joaquina, que também tentava uma vaga para um dos seus seis filhos. A espera foi grande, até que deram à Dona Elvira um número de sorteio. Como podia ser assim? Sortear para estudar? No lugar em que morava jamais tinha passado por uma tensão assim... Quando restavam somente duas vagas, Dona Elvira ainda aguardava o sonho a ser realizado.
E foi na última vaga, quando o senhor disse o último dígito, que Dona Elvira teve vontade de gritar e deixou uma lágrima escapar.

Sonhos sorteados (Alexandre Azevedo)

Terminado em 24 de novembro de 2016 (livro 54).

Uau, que tapão na cara! Nunca pensei em esperar isso de um livro infantil. Fiquei chocada com o final, tão real e tão triste.

Sonhos sorteados (Alexandre Azevedo)

As ilustrações de Ana Maria Moura são realistas e delicadas. Gostei bastante do movimento dos desenhos, dos sentimentos transparecendo nos olhares dos personagens.

Sonhos sorteados (Alexandre Azevedo)

O texto é maduro, apesar de ser para crianças – não tem aquela linguagem tatibitati – e pode muito bem ser lido por adultos. Parece um conto.
Gostei bastante da crítica ao ensino público. Gostei da maneira como são retratadas as personalidades.

Nota 4 de 5



Sobre o autor:

Alexandre Azevedo é professor de literatura brasileira e portuguesa e escritor, autor de mais de 90 obras publicadas por diversas editoras do Brasil. Em 2012, atingiu a marca de meio milhão de livros vendidos. Algumas de suas obras infantojuvenis foram prefaciadas e comentadas por autores como Luís Fernando Veríssimo, Ziraldo, Lourenço Diaféria e Márcia Kupstas. Ainda em 2012, foi um dos autores homenageados da 12ª Feira Nacional de Ribeirão Preto (SP).

22 de nov. de 2016

Loney (Andrew Michael Hurley)

Título: Loney
Autor: Andrew Michael Hurley
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 304
Idioma: português 
Editora: Intrínseca
Sinopse: Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era criança e visitou o lugar.
À época, a mãe de Smith arrastou a família para aquela região numa peregrinação de Páscoa com o padre Bernard, cujo antecessor, Wilfred, morrera pouco tempo antes. Cabia ao jovem sacerdote liderar a comunidade até um antigo santuário, onde a obstinada sra. Smith crê que irá encontrar a cura para o filho mais velho, um garoto mudo e com problemas de aprendizagem.
O grupo se instala na Moorings, uma casa fria e antiga, repleta de segredos. O clima é hostil, os moradores do lugar, ameaçadores, e uma aura de mistério cerca os desconhecidos ocupantes de Coldbarrow, uma faixa de terra pouco acessível, diariamente alagada na alta da maré. A vida dos irmãos acaba se entrelaçando à dos excêntricos vizinhos com intensidade e complexidade tão imperativas quanto a fé que os levou ao Loney, e o que acontece a partir daí se torna um fardo que Smith carrega pelo resto da vida, a verdade que ele vai sustentar a qualquer preço.
Com personagens ricos e idiossincráticos, um cenário sombrio e a sensação de ameaça constante, Loney é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público. Uma história de suspense e horror gótico, ricamente inspirada na criação católica do autor, no folclore e na agressiva paisagem do noroeste inglês. 


Terminado em 19 de novembro de 2016 (livro 53)

Uma capa tão bonita, uma edição tão sofisticada (de capa dura), um "auê" enorme em cima de um livro que até site próprio tem... E um texto tão chato! Como pode? Mas é chato demaaaaaaaaaais! Arrastado, monótono, sem propósito... Chato mesmo! Que decepção!

Primeiro que, como não leio sinopses, demorei horrores para entender o enredo. Sei que, na centésima página, nada tinha acontecido (e eu ainda não tinha entendido porquê o cara estava narrando tantos fatos aleatórios). Como eu sou teimosa, eu sempre leio um livro até o fim, mesmo que seja puro sofrimento. Na minha cabeça, eu preciso dar uma chance ao autor – e não acho justo criticar uma obra sem conhecê-la por completo. Então, insisti e continuei.

Quando cheguei à página 138, comentei em meu histórico de leitura: "Opa! Parece que a história vai começar!". Parecia que algo muito interessante estava para acontecer e finalmente o suspense incrível do livro chegaria. Ledo engano. Foi só um alarme falso. 

Cansei e fiquei exatos 14 dias sem pegar no livro. Quando retomei, li quarenta páginas e demorei mais um mês inteirinho para voltar a tocar no Loney. Começou a me dar agonia – eu precisava acabar e o livro não acabava nunca. Nada acontecia e os milhões de detalhes desnecessários pareciam que foram jogados no texto só para "encher linguiça".


A história não comove, não emociona... Não consegui gostar de nenhum personagem. Fora que, no final, achei que o enredo tomou os católicos por idiotas. Aí me ofende, né?

A sinopse diz que "Loney é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público", mas eu não sei que público é esse porque nem nos vários grupos de leitores que eu estou no Facebook nem na página do livro no Skoob eu encontrei alguém que tenha gostado desse livro. Triste isso, não? Eu meio que me senti traída. A editora Intrínseca é uma das minhas favoritas, a edição é de um bom gosto extremo e o marketing que foi feito em cima do livro foi ótimo. Fiquei mesmo decepcionada. Esperava muito mais.

Nota 1 de 5
Sobre o autor:

Andrew Michael Hurley é autor de duas coletâneas de contos publicadas no Reino Unido e Loney é seu primeiro romance. Lançado originalmente em edição limitada — apenas trezentos exemplares —, o livro rompeu as fronteiras do mercado independente, recebeu resenhas elogiosas de todos os principais veículos de imprensa, conquistou o grande público e arrebatou o júri do prestigioso Costa Book Awards, rendendo a Andrew Michael Hurley o prêmio de melhor autor estreante de 2015. O autor mora em Lancashire, Inglaterra, onde leciona Literatura inglesa e Escrita criativa.

14 de nov. de 2016

[A Tati Leu] Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany)

Título: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
Autor: John Tiffany (história original e direção), Jack Thorne (história original e roteiro) e J.K. Rowling (história original)
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 342
Idioma: português
Editora: Rocco
Sinopse: A oitava história. Dezenove anos depois... Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.
Baseada em uma história original escrita por J.K Rowling, John Tiffany e Jack Thorne, “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” é uma nova peça teatral de Jack Thorne. É a oitava história de Harry Potter e a primeira a chegar aos palcos. Esta Edição Especial do Roteiro de Ensaio leva aos leitores do mundo todo a continuação da jornada de Harry Potter, seus amigos e familiares, imediatamente após a estreia mundial da peça no West End de Londres em 30 de julho de 2016.
A peça “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” é uma produção de Sonia Friedman Productions, Colin Callender e Harry Potter Theatrical Productions.


[A Tati Leu] Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany)


Terminado em 7 de novembro de 2016.

VERSÃO SEM SPOILERS

Fãs de Harry Potter de todo o mundo entraram em polvorosa quando J.K. anunciou que daria neste ano uma sequência para seu maior best seller. No entanto, a história chegaria até nós de uma forma um pouco diferente do que estávamos acostumados: seria uma peça teatral, ambientada 19 anos depois da batalha de Hogwarts e centrada nos filhos dos protagonistas. 

Quando a peça foi exibida pela primeira vez em Londres, em julho, o site Omelete escreveu uma matéria a seu respeito, repleta de spoilers, e eu, bom exemplo de ansiedade que sou, corri para ler.

Quando li a descrição da história, da trama principal, digna de fanfic escrita à base de alucinógenos, pensei: “De jeito nenhum tem dedo da J.K. nisso aí!” Parecia tudo muito louco, muito esburacado, muito fora da realidade, mesmo que a realidade fosse o mundo bruxo de Harry Potter.

Rolou aquele nariz torcido, sabe? Aquele receiozinho básico de que fossem macular a história toda perfeitinha, toda esplendorosa, brilhante, genial, salve e salve, de HP.

No fim das contas, claro que foi absurdo. J.K. não relacionaria seu nome a algo de qualidade duvidosa, e, embora tenha começado a ler com certo preconceito, garanto que o livro não decepciona.
Para os fãs que não leram ainda, receosos de que a história original tenha sido comprometida, posso dizer: leiam. Leiam sem medo. Mas leiam especialmente com a mente e o coração abertos. Lembrem-se de que estamos falando aqui de um gênero diferente, que exige uma leitura distinta. A história, como um roteiro de peça teatral, é construída com diálogos e descrições de cenários específicos, cenas ágeis e desenvolvimento rápido, mas evolui muito bem. Não há, claro, aquela narrativa extraordinária de J.K. à qual já nos acostumamos, mas mesmo assim as cenas surgem com facilidade em nossa mente, e a história ganha vida.

Sim, o enredo principal pode ainda parecer um tanto maluco, mas, enquanto lia, desapareceu aquela sensação de que a autora não estaria envolvida no livro. Como podemos esperar, já que o roteiro foi na verdade escrito por Jack Thorne, há trechos que nos causam estranhamento como fãs da série – a fala de um personagem que não combina com ele, um acontecimento que soa forçado, ou falso, quando comparado aos outros livros –, mas há, em compensação, outros trechos que parecem ter a marca da autora: personagens que voltam para nós exatamente como eram, diálogos profundos, cenas emocionantes e intensas.

Outro aspecto que temos de levar em conta e ao qual precisamos ser receptivos é que nossos personagens mais queridos são adultos agora e dividem os holofotes com seus filhos. Conflitos familiares permeiam a trama, e pela primeira vez vemos Harry enfrentar problemas cotidianos, que poderiam se impor a qualquer um de nós.

[A Tati Leu] Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany)

Reencontrar os personagens da série, no entanto, é algo mágico, deliciosamente nostálgico, nem de longe prejudicado pelo fato de que eles precisam ceder espaço para seus filhos. E o que são esses filhos, gente? É encantador conhecê-los!

Claro que, apesar desse teor mais familiar que a trama assume, não faltam aventuras (nem loucos homicidas, claro. Louco homicida sempre tem), mistério e boas cenas de ação. Destaco também a carga emocional transmitida nos diálogos entre Harry, que não consegue encontrar meios de demonstrar ao filho o quanto o ama, e Alvo, que sente não corresponder às expectativas das pessoas ao seu redor.

[A Tati Leu] Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany)

O fim é uma atração à parte, chorei por umas boas vinte páginas. Posso dizer, apenas para terem uma ideia do que espera vocês, que, em minha opinião, Harry enfrenta nesse livro um dos momentos mais dolorosos de sua vida. E olha que, para alguém com um passado como o dele, isso não é pouca coisa.

VERSÃO COM SPOILERS

Procurei contar até agora apenas minhas impressões a respeito da obra, sem detalhes, para não prejudicar aqueles que, diferentemente de mim, conseguem conter-se o bastante para ler o texto oficial. Daqui em diante, vou dar mais destaque para os acontecimentos e os personagens do livro.

A história começa exatamente no momento em que “Relíquias da Morte” termina: com Harry, Rony, Hermione e Gina levando Tiago, Alvo e Rosa até o Expresso de Hogwarts, os dois últimos prestes a iniciar o primeiro ano na escola.

Como podemos perceber mesmo nas poucas páginas de “Relíquias da Morte” que narram esse momento, Tiago seria o orgulho do vovô Potter se ele ainda estivesse vivo: confiante, baderneiro, imprudente, popular. Alvo, por outro lado, mostra-se temeroso, inseguro, receoso de não corresponder às expectativas que acompanham o nome Potter.

Conhecemos também, ainda na plataforma 9 ¾, Rosa, a primogênita de Rony e Hermione, que já embarca no expresso determinada a se tornar a melhor jogadora de quadribol, a conseguir todos os NOMs que tiver chance e a arrumar amizades tão duradouras quanto a que os pais desenvolveram com Harry logo no primeiro ano. E isso não deveria ser tão difícil, certo? Sendo filha de dois dos nomes mais conhecidos do mundo mágico, com certeza muita gente ia querer a amizade dela, ela só precisava escolher bem. Palavras dela, não minhas. (Como cargas d’água Hermione Granger e Rony Weasley puseram no mundo uma criaturinha tão arrogante assim, só Merlin explica.)

Outro fruto que caiu bem longe da árvore, aliás, foi Escórpio Malfoy, também prestes a iniciar o primeiro ano na escola de bruxaria: enquanto o pai praticava bullying, Escórpio o sofre; enquanto o pai tinha o nariz mais empinado do Reino Unido, Escórpio mostra-se humilde, bondoso e leal; e enquanto o pai desprezava todos os Weasley que conhecia, Escórpio cai de amores pela primeira em que coloca os olhos: Rosa, claro.

Alvo e Rosa o conhecem ainda no trem, e, embora a garota recorra a todos os tipos de preconceitos para virar a cara para ele, Alvo opta por dar-lhe uma chance, iniciando assim uma amizade tão valorosa quanto a de Harry, Rony e Hermione. Escórpio, aliás, é um fofo, melhor personagem, o genro que toda Hermione pediu a Merlin <3.


Na escola, vemos os medos de Alvo se tornarem reais, em uma série de cenas rápidas que o mostram indo para a Sonserina e com dificuldades não somente no quadribol, mas também em diversas matérias escolares. Logo as pessoas começam a compará-lo de maneira negativa a Harry, o que contribui para aumentar a distância entre pai e filho, a impopularidade de Alvo e sua aversão à escola.
É no quarto ano escolar, no entanto, que se desenrola a trama principal da peça. Ao tomar conhecimento de que há um vira-tempo no ministério, Amos Diggory procura Harry para pedir-lhe que tente salvar Cedrico, morto no Torneio Tribruxo, algo que, ciente dos perigos de alterar o tempo, Harry lhe nega. Alvo, predisposto a contrariar o pai em tudo e induzido por Delfi Diggory, sobrinha de Amos, rouba o vira-tempo e inicia, ao lado de Escórpio, viagens ao passado que trarão graves consequências para o presente, como a morte de Harry e o desaparecimento do próprio Alvo.

As viagens no tempo, que a princípio muito me incomodaram (Como assim eles vão voltar anos no tempo? Os vira-tempos não foram destruídos? Se eles podiam fazer isso, por que não fizeram antes para evitar o nascimento de Voldermort?), garantem alguns dos momentos de que mais gostei na história. As questões que me incomodavam a respeito são respondidas, e graças a essas viagens temporais temos, por exemplo, a oportunidade de reencontrar Severo Snape.

Outra questão que muito me incomodou e me parece uma cratera no meio da história é o fato de que Delfi é, na verdade, filha de Voldemort com Belatriz, e seu único objetivo é trazer o pai de volta à vida. Teoricamente, Belatriz teria dado à luz na casa dos Malfoy, antes da batalha em Hogwarts, mas simplesmente não consigo situar esse acontecimento na cronologia do sétimo livro.

Toda a história de “Relíquias da Morte” se passou em um ano, que seria o sétimo ano letivo de Harry. Sabemos que Luna foi retirada do Expresso de Hogwarts quando ia para casa passar o Natal, mas Harry, Rony e Hermione ainda levam algum tempo para resgatá-la na mansão dos Malfoy. Sabemos também que isso acontece em março, porque o mês é mencionado quando Rony consegue sintonizar a rádio de Fred e Jorge, e Draco está em casa para a Páscoa. Nessa ocasião, o trio encontra Belatriz, que aparentemente não está grávida, o que significa que teria engravidado depois ou estaria no início da gravidez (digamos no máximo 3 meses?). Voltamos a encontrá-la apenas na batalha de Hogwarts, logo depois do assalto ao Gringotes, quando ela morre em um duelo com Molly. Mas não tem como ter passado um intervalo de tempo de 6 meses, mesmo considerando que eles precisavam preparar o assalto ao banco, porque os alunos ainda estavam em aula! Enfim, sei que há inúmeras explicações possíveis (uma poção para acelerar a gravidez, um feitiço para esconder a barriga, eu ter me perdido na matemática – essa em especial é super possível). Mas eles podiam ter explicado de alguma forma, certo?

Contudo, no geral, o livro vale muito, muito a pena. Vale pela emoção, vale pelo entretenimento, vale simplesmente pelo sentimento nostálgico que desperta. Vale porque J.K marcou seus leitores de tal forma que, mesmo hoje, somos completamente atraídos para o universo de Harry Potter. 

E talvez algumas pessoas perguntem: 
“Nossa, mas depois de todo esse tempo?” 
E nós responderemos: 
“Sempre!” <3

Nota 5 de 5


Sobre os autores:

J.K. Rowling é autora dos sete romances da série Harry Potter; três livros complementares publicados originalmente para fins beneficentes; “Morte súbita”, romance para adultos; e, sob o pseudônimo de Robert Galbraith, a série policial protagonizada pelo detetive Cormoran Strike. J.K. Rowling faz sua estreia como roteirista e é produtora no filme “Animais fantásticos e onde habitam”, com lançamento previsto para novembro de 2016.

Jack Thorne escreve para teatro, cinema, televisão e rádio. Seus textos teatrais incluem “Hope” e “Let the Right One In”, entre muitos outros. No cinema escreveu “War Book” e “The Scouting Book for Boys”, e para a televisão, a vencedora do prêmio BAFTA “Don’t Take my Baby” e as séries “The Fades” e “This is England”. Está adaptando a trilogia “His Dark Materials”, de Philip Pullman, para a BBC.

John Tiffany ganhou vários prêmios por trabalhos de direção no West End e na Broadway. Sua carreira inclui “Once”, “The Glass Menagerie”, “Macbeth”, “The Bacchae”, “Let the Right One In” e “Black Watch”. É diretor associado do Royal Court e foi diretor associado do National Theatre da Escócia entre 2005 e 2012.

9 de nov. de 2016

[A Tati Leu] O medo mais profundo (Harlan Coben)

Título: O medo mais profundo
Autor: Harlan Coben
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 272
Idioma: português
Editora: Arqueiro
Sinopse: Na época da faculdade, Myron Bolitar teve seu primeiro relacionamento sério, que terminou de forma dolorosa quando a namorada o trocou por seu maior adversário no basquete. Por isso, a última pessoa no mundo que Myron deseja rever é Emily Downing. 
Assim, ele tem uma grande surpresa quando, anos depois, ela aparece suplicando ajuda. Seu filho de 13 anos, Jeremy, está morrendo e precisa de um transplante de medula óssea – de um doador que sumiu sem deixar vestígios. E a revelação seguinte é ainda mais impactante: Myron é o pai do garoto.
Aturdido com a notícia, Myron dá início a uma busca pelo doador. Encontrá-lo, contudo, significa desvendar um mistério sombrio que envolve uma família inescrupulosa, uma série de sequestros e um jornalista em desgraça. Nesse jogo de verdades dolorosas, Myron terá que descobrir uma forma de não perder o filho com quem sequer teve a chance de conviver.


Terminado em 30 de outubro de 2016.

Faço minhas as palavras de Michael Connelly, autor de "O poder e a lei", acrescentadas à orelha da capa do lançamento O medo mais profundo: "O mundo precisa descobrir Harlan Coben".

O autor já é extremamente elogiável pelas tramas inteligentes, engenhosas e instigantes que constrói, mas eleva-se ainda mais na minha estima por ter criado um personagem tão carismático quanto Myron Bolitar, protagonista de uma de suas séries de livros e deste lançamento da Arqueiro, "O medo mais profundo".

Coben já escreveu dezenas de romances policiais – daqueles que tiram até seu sono de tão bons – e recebeu diversos prêmios, incluindo os três mais importantes da literatura policial americana, concedidos ao autor por obras da série de Myron. Só essa informação já seria o bastante para indicar a qualidade dos livros dessa coleção, mas tão poucas palavras não têm como transmitir tudo que há para dizer a respeito desse personagem e das obras que protagoniza.

"O medo mais profundo" é o sétimo livro da série, e, embora cada volume possua uma trama específica e independente, o leitor descobre muito sobre a vida de Myron ao decorrer dos livros, o que acaba tornando recomendável uma leitura linear.

É um pouco complicado apresentar Myron sem dar spoilers dos primeiros volumes da série, porque, como mencionei, sua história é contada aos poucos ao decorrer dos livros. Mas, mesmo assim, vou tentar despertar a simpatia de quem não o conhece só com o básico.

Myron é um ex-jogador de basquete que se tornou agente esportivo depois de sofrer um grave acidente nas quadras. Por algum motivo que só os signos do zodíaco conhecem, atrai confusão como açúcar atrai formigas e como promoções de livros atraem.... bom, a gente.

A verdade é que, embora tenha se especializado na área esportiva, por algum tempo Myron trabalhou com investigações com seu melhor amigo, Win, o que acaba fazendo com que todas as pessoas próximas – e até as não tão próximas, que ele ficaria extremamente contente de nunca mais ver na vida – levem até ele casos policiais que precisam de resolução, de preferência rápida e discreta.

Myron é um personagem sensacional, provavelmente o detetive mais carismático desde... sei lá, sempre, porque detetives não costumam ser muito simpáticos, né? Está aí o Poirot que não me deixa mentir. Inteligente, engraçado e leal, possui um senso de humor irônico e um coração do tamanho do mundo. Acho que o mais cativante nele é sua humanidade, o fato de ser "falível, mas infinitamente atraente", como, de maneira muito justa, descreve a Publishers Weekly.

Somam-se a ele as figuras de Win, seu melhor amigo meio psicopata, sem o qual ele definitivamente estaria morto há muito tempo, e Esperanza, sua sócia equilibrada e racional, e aí está a receita para um romance cheio de emoção, intriga, ação e suspense, com umas doses de humor extremamente bem aplicadas.


Em "O medo mais profundo", Emily Downing, uma sem-vergonha descarada, uma ex-namorada da época da faculdade, está de volta à sua vida, trazendo uma bomba com a qual Myron provavelmente nunca achou que precisaria lidar: ele tem um filho, informação que ela deliberadamente escondeu por nada menos do que 13 anos. Como se isso já não fosse perturbador o bastante, o garoto está gravemente doente, precisa de um transplante de medula óssea, e o único doador compatível está desaparecido.

Enquanto tenta salvar a vida do filho, Myron se envolverá em uma antiga e sombria trama de desaparecimentos, que envolve ricaços inescrupulosos, um jornalista de índole duvidosa e a polícia federal. Enquanto isso garante ao livro o suspense que não poderia faltar, Win garante as boas cenas de ação de sempre, e a recém-surgida questão da paternidade dá à história o toque de emoção e seriedade que Harlan sempre consegue trazer para seus livros. 


O texto é bem escrito, fluido, e o enredo é desenvolvido de modo meticuloso, sem deixar pontas soltas. A leitura, por sua vez, é prazerosa e prende o leitor até a última página. 

O fim do livro, aliás, é de partir o coração. Myron, como quem acompanha a série sabe, já levou sua cota de coices da vida, mas dessa vez... Nossa, dessa vez a gente até sente o coração apertando junto com o dele, até chega a pensar: "Vem cá, Myron, eu te dou um abraço" <3.

Para quem tem interesse em ler a coleção completa (e olha, vale a pena!), estes são os livros que a compõem, em ordem cronológica:

- Quebra de confiança
- Jogada mortal
- Sem deixar rastros
- O preço da vitória
- Um passo em falso
- Detalhe final
- O medo mais profundo
- A promessa (foi publicado há alguns anos pela Arx, mas é difícil encontrá-lo. Esperamos de coração que a Arqueiro publique em breve) 
- Quando ela se foi
- Alta tensão

Nota 5 de 5


Sobre o autor:


Harlan Coben é autor de “Refúgio” e “Uma questão de segundos”, da série de Mickey Bolitar, “Fique comigo”, “Confie em mim”, “Não conte a ninguém”, “Desaparecido para sempre” e “Cilada” e dos livros protagonizados por Myron Bolitar – “Quebra de confiança”, “Jogada mortal”, “Sem deixar rastros”, “O preço da vitória”, “Quando ela se foi” e “Alta tensão” (Arqueiro) –, além de “A promessa”, “Silêncio na floresta”, “Não há segunda chance” e “O inocente” (Arx). Esses dois últimos serão relançados pela Arqueiro.
Vencedor de diversos prêmios, é o único escritor a ter recebido a trinca de ases da literatura policial americana: o Anthony, o Shamus e o Edgar Allan Poe, todos por livros da série de Myron Bolitar. Suas obras já foram traduzidas para 41 idiomas.
Aclamado na França, Coben é conhecido como “o mestre das noites em claro”. Seu livro “Não conte a ninguém” foi transformado no premiado filme homônimo estrelado por Kristin Scott Thomas e François Cluzet, disponível no Brasil em DVD.
Harlan nasceu em Newark, Nova Jersey. Depois de se formar em ciência política, trabalhou no setor de turismo. Hoje mora em Nova Jersey com os quatro filhos e a esposa.

8 de nov. de 2016

Perdida (Carina Rissi)

Título: Perdida - Um amor que ultrapassa as barreiras do tempo
Autor: Carina Rissi
Ano: 2013
Edição: 1
Páginas: 364
Idioma: português 
Editora: Verus
Sinopse: Sofia vive em uma metrópole e está acostumada com a modernidade e as facilidades que ela traz. Ela é independente e tem pavor à mera menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são aqueles que os livros proporcionam. Após comprar um celular novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século dezenove, sem ter ideia de como voltar para casa ou se isso sequer é possível. Enquanto tenta desesperadamente encontrar um meio de retornar ao tempo presente, ela é acolhida pela família Clarke. Com a ajuda do prestativo e lindo Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba encontrando pistas que talvez possam ajudá-la a resolver esse mistério e voltar para sua tão amada vida moderna. O que ela não sabia era que seu coração tinha outros planos... 


Terminado em 30 de outubro de 2016 (livro 52).

Pode acreditar, mas eu chorei. Pode rir também, porque tem que ser muito boba para chorar com um romance adolescente depois dos 30. Hahaha. Na verdade, o livro não tem nenhum drama, não há perdas, doenças ou tristezas, mas foi exatamente o "final feliz", o "deu certo" da história que me emocionou. 

Eu adorei tudo! A história é uma das mais originais que eu já li. Imagine que uma garota, com vinte e poucos anos, toda moderna, trabalhadora, viaja no tempo e cai, perdida, no ano de 1830. Lá, ela conhece um boy cavalheiro, incrível, maravilhoso, rico, lindo, bom moço, de família etc etc etc. Ela, então, do nada, precisa lidar com os costumes de antigamente – aprender a se vestir corretamente, aprender a falar corretamente... É muito legal a gente perceber que tanta coisa que, para nós hoje parece uma bobeirinha, era um absurdo há dois séculos. 

Se Sofia diz "beleza, valeu", Ian não entende. Claro! Quem é que falava "beleza" e "valeu" com os significados que essas palavras têm hoje, em mil oitocentos e bolinha? E as roupas? Se a gente cai no século XIX com as roupas de hoje, imagine! Uma mulher de calças? Absurdo! E uma saia no joelho? Nua!

Eu não costumo gostar de narrativas em primeira pessoa (com exceção dos livros da Jojo Moyes), mas este tem um estilo mais desabafo (meio Bridget Jones), que eu até curto. O bom deste "Perdida" é que não muda de narrador. Nada me irrita mais que declarações em primeira pessoa de diferentes personagens. Aqui é só a Sofia. E tá ótimo. Também achei bacana o modo como ela conta a história: como se fosse para alguma amiga – e nos sentimos assim. 

Não achei que os personagens são super bem construídos e super interessantes, mas eles são pessoas comuns, gente como a gente, e encantadores a sua maneira. Gostei muito! Quero logo ler "Encontrada", a continuação. 

Nota 4 de 5


Sobre a autora:

Carina Rissi é uma leitora voraz, sempre lê a última página de um livro antes de comprá-lo e tem um fascínio inexplicável pelo tema “amores impossíveis”. Vê nas obras de Jane Austen uma fonte de inspiração.
Quando se desgruda dos livros – tanto dos que lê quanto dos que escreve –, Carina se diverte assistindo a comédias românticas ao lado da família e planejando viagens a lugares exóticos que não conhecerá tão cedo, devido ao seu pavor de avião. 
Ela nasceu em Ariranha, interior de São Paulo, onde mora atualmente com o marido e a filha, após ter vivido uma curta temporada na capital paulista.
É autora de Perdida, Encontrada, Procura-se um marido e No mundo da Luna, lançados com grande sucesso pela Verus e que a tornaram conhecida em todo o país.

7 de nov. de 2016

Ester (João Marcos Mendonça)

Título: Ester - A história bíblica em quadrinhos
Ano: 2014
Edição: 1
Páginas: 54
Idioma: português 
Editora: Paulinas
Sinopse: Este número da coleção narra a história de Ester, uma jovem judia que se torna rainha da Pérsia e que arrisca a vida para libertar seu povo da morte. Ao longo da história, é possível observar que o povo judeu busca se manter fiel a sua identidade e crença, não se curvando diante dos poderosos. São destacadas também a força e coragem da mulher judia.
Essa história é dirigida ao público infanto-juvenil na forma de quadrinhos, sem, contudo, romper com o sentido teológico da mensagem bíblica. Traz uma linguagem simples, cativante, estimulante, e as ilustrações dão vida ao texto com suas cores alegres e características marcantes.


Terminado em 20 de outubro de 2016 (livro 51).

Eu adoro essa coleção "Quadrinhos bíblicos" da Paulinas!
Acho a maneira ideal de ensinar as histórias da Bíblia às crianças. Eu mesma não conhecia a história de Ester (sei pouco sobre o Antigo Testamento) e agora não vou mais esquecer.

As ilustrações de João Marcos Mendonça são lindas! Esse é um dos estilos de ilustra que eu mais gosto.



O livro é bem colorido e divertido, assim como os outros que fazem parte da coleção. Já resenhei "Jonas" aqui

Nota 4 de 5



Sobre o autor:

João Marcos Mendonça é mineiro de Ipatinga. Mestre em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG e autor de diversos livros em quadrinhos para crianças. É roteirista da Mauricio de Sousa Produções, nas revistas infantis da turma da Mônica. Atua também como professor, ilustrador de livros infantojuvenis, chargista e com pesquisa sobre o uso das histórias em quadrinhos na educação, trabalho que ganhou o troféu HQ Mix e resultou em publicações teóricas nessa área. 
 

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