30 de dez. de 2015

Ranking A Lu Leu 2015 - Melhores (e piores) do Ano


Neste ano de 2015, li 52 livros, na seguinte ordem:


Ranking 2015


Hoje, dia 30 de dezembro de 2015, publico aqui o ranking dos livros que me prenderam e cativaram (do melhor para o pior, na minha opinião, não importando o tema, o gênero ou o estilo):


Melhores por categoria






Melhor sobre HistóriaA Flor de Piel (Javier Moro)







Melhor livro de Contos: Mulheres de Água (Gabriel Chalita)


Melhor Literatura Nacional: Filha, Mãe, Avó e Puta (Gabriela Leite)


Melhor Literatura Estrangeira: Travessuras da Menina Má (Mario Vargas Llosa)





Piores por categoria











Esses últimos livros não indico a ninguém. São chatíssimos! 
Se quiser me indicar algum livro para o próximo ano, fique à vontade. Como você pode ver, leio de tudo (desde clássicos a autoajuda), não tenho preconceitos, mas tenho preferência por biografias e memórias. :)

Tenha um feliz ano novo!

Pode chegar, 2016! 

Mulheres Que Escolhem Demais (Lori Gottlieb)

Título: Mulheres Que Escolhem Demais
Autor: Lori Gottlieb
Ano: 2014
Edição: 1
Páginas: 288
Idioma: português 
Editora: Novas Ideias
Sinopse: Todo mundo tem uma amiga que vive procurando defeito em todos os pretendentes. Um é alto demais, o outro é baixinho; um terceiro não é suficientemente bem-sucedido. E tem ainda aquele que é perfeito demais...
A expectativa por uma boa companhia é tão grande que a cabeça da mulher se enche de dúvidas: “Ele é a pessoa certa para mim? Ele é O CARA!? Será que existe Príncipe Encantado?
Pior ainda: será que fiquei esperando tanto que não reparei quando ele passou por mim?”.
Talvez o homem que a sua amiga – ou você, mesmo que não admita – tanto espera não exista. E talvez você nunca tenha pensado nisso.
Ninguém é perfeito. Todos têm defeitos — sim, inclusive as mulheres! Mas são justamente as pequenas diferenças que deixam tudo mais interessante.

Mulheres Que Escolhem Demais (Lori Gottlieb)

Terminado em 30 de dezembro de 2015.

Não gosto de livros de autoajuda, mas, não sei porquê, este me chamou a atenção - apesar de haver tantos títulos que prometem solucionar minha vida amorosa. Sempre escutei "você é muito exigente, Luciana!", mas eu nunca quis admitir. "Sou nada! Eu só quero me casar com um libanês, católico, que seja escritor, que more perto, que seja rico, que goste de cachorros, que queira ter quatro filhos, que entenda de política e economia, que ame teatro, que escute boas músicas, que não seja nerd, que valorize a família, que se vista bem, que seja romântico, que...". Qual é a probabilidade dessa pessoa existir? E, se ela existir, qual é a probabilidade de me encontrar e se apaixonar por mim? Acho que isso explica muita coisa.
Se eu pudesse, obrigaria todas as minhas amigas solteiras a ler este livro (foi praticamente o que eu fiz, tirando fotos de várias páginas, desde o primeiro capítulo, e enviando por whatsapp no grupo das amigas solteiras). Nós não percebemos quantas oportunidades maravilhosas deixamos escapar simplesmente por ter um príncipe encantado (que não existe) como objetivo fixo. E, olha, é muito difícil reconhecer tudo isso.
Lori, a autora, é uma jornalista renomada, que já trabalhou no The New York Times, na Time, na People, na Elle etc., mas se manteve solteira até hoje, aos 41 anos. Ela foi obrigada a tomar decisões que nunca fizeram parte de seu ideal, como ter um filho por inseminação artificial, porque passou a vida dispensando homens por causa de defeitos insignificantes.
O livro é incrível - e um belo tapa na cara! Sensato, realista, profundo, com muitas pesquisas, citações de especialistas e vasta bibliografia. O tema parece bobo e não imaginamos quão complexo ele é até lermos Mulheres Que Escolhem Demais. Confesso até que fiquei meio deprimida quando passei da metade do livro, mas entendo que isso gerou muitas reflexões. Era a intenção da obra, certo? Acho que se um autoajuda não nos deixa inquietos, não serve para nada. Espero que eu consiga colocar em prática tudo que aprendi nessas 288 páginas.
E aconselho que você faça o mesmo. Se você é solteira (e pretende um dia se casar) e tem vinte e poucos anos, por favor, mude hoje. Mude agora! Não deixe para mudar depois dos trinta e tantos - pode ser tarde demais. Este livro é um manual de sobrevivência feminino para o século XXI e, se você não segui-lo, vai acabar sozinha.

Nota 5 de 5

26 de dez. de 2015

O Diário de Uma Submissa (Sophie Morgan)

Título: O Diário de Uma Submissa
Autor: Sophie Morgan
Ano: 2013
Edição: 1
Páginas: 216
Idioma: português 
Editora: Fontanar
Sinopse: Jornalista independente, de 30 e poucos anos, Sophie Morgan não tem vergonha de admitir que tem gostos sexuais excêntricos. Entre quatro paredes — mas só entre quatro paredes, que fique claro desde o início —, ela gosta de ser submissa.
Desde bem jovem ela passou a notar que pensava bastante em sexo. Também percebeu o quanto algumas experiências inusitadas mexiam com ela de uma maneira profunda. Mas foi só na faculdade que ela começou a viver experiências consideradas fora do padrão e notar o quanto aquilo tudo lhe proporcionava um enorme prazer.
Depois de viver sua primeira relação sexual sadomasoquista, sem sequer saber direito classificá-la como tal, sente-se definitivamente atraída por esse novo mundo. E após um caso quente e revelador com seu amigo Thomas, é em James que Sophie encontra seu dominador verdadeiro e uma paixão que a leva a testar limites que nem ela mesma poderia imaginar.
Ela é uma mulher como outra qualquer, inteligente, carinhosa, sarcástica e que, como ela sempre faz questão de dizer, com uma família amorosa e presente. Mas muito cedo começou a perceber que seu interesse sexual não era tão convencional assim e aquilo que a excitava não era o que excitava suas amigas. Na verdade, tinha certeza de que as deixaria chocadas.
Mesmo gostando de ser submissa, Sophie precisa tomar cuidado ao externar essa faceta. Por receio de ser julgada, ela tem que saber muito bem com quem e como falar sobre isso. “Ser uma mulher submissa dá a sensação de algo politicamente incorreto, mas é minha escolha e eu tenho a liberdade de fazê-la”, diz, alertando para os estereótipos prejudiciais em relação aos que praticam o sadomasoquismo.
Sophie reconhece que o megasucesso da saga Cinquenta tons de cinza tem contribuído de forma expressiva para a popularização da prática sadomasoquista, mas garante que a última coisa que pretende ser é pervertida. Na vida profissional e social, ela é uma mulher responsável, competitiva, preocupada com suas contas e com algumas gordurinhas indesejáveis. Enquanto é teimosa e independente no dia a dia, tem um outro lado que só aflora quando confia no parceiro com quem vai jogar.

O Diário de Uma Submissa (Sophie Morgan)


Terminado em 26 de dezembro de 2015.

Eu nunca tinha lido nenhum livro dessa onda de eróticos-sadomasoquistas-best-sellers que começou com o sucesso de 50 Tons de Cinza (não li nem o próprio) e já sabia que podia esperar por uma grande babaquice literária.
Não preciso dizer que imaginei Marcelinho lendo O Diário de Uma Submissa do começo ao fim, né? Eu fico com muita vontade de rir desse linguajar erótico (posso parecer uma adolescente de 12 anos, mas, gente, é ridículo!).
O Diário de Uma Submissa é a história real da jornalista Sophie Morgan, que sempre teve tendências masoquistas (e resolveu contar ao mundo), desde que começou a descobrir sua sexualidade. Ela conta suas experiências sexuais desde a primeira vez que ganhou um tapinha na bunda e gostou. Ignorando o linguajar de "membro enrijecido", o começo do livro é bem legal, mas depois vai ficando repetitivo e entediante. Não há nenhuma surpresa: o primeiro relacionamento é igual ao último. O que muda é que, se o primeiro namorado gostava de bater nela com chibata, o último gostava de bater com vara, por exemplo. Mas a cada relação ela afirma ter tido o orgasmo mais intenso de sua vida. Preguiça define.
E essa submissão estúpida de fazer o que o cara manda até por telefone (quando ele não está vendo) dá uma raiva sem fim. "Nunca sofri tanta humilhação" - por que quis, né, fia? Zzzz.

Nota 2 de 5

23 de dez. de 2015

Gente Pobre (Fiodor Dostoiévski)

Título: Gente Pobre
Ano: 2011
Páginas: 218
Idioma: português 
Editora: Letra Selvagem
Sinopse: Gente Pobre é o primeiro romance de Dostoiévski, escrito em 1846 quando tinha 25 anos e tem como personagens humildes habitantes de São Petersburgo. O livro revela uma impressionante maturidade se considerarmos a idade do autor.

Gente Pobre (Fiodor Dostoievski)

Terminado em 23 de dezembro de 2015.

Gente Pobre é o primeiro romance de Dostoiévski, escrito em 1846. O autor tinha apenas 25 anos e surpreende pela maturidade, mas confesso que não sou muito fã de livros antigos, com linguajar rebuscado (pode até parecer falta de cultura, mas realmente não tenho muita paciência).
O livro é um romance epistolar (escrito em forma de troca de cartas) - que até é um estilo que curto - sobre dois personagens humildes de São Petersburgo. Mostra como a esperança pode ser destruída pela falta de recursos e como o dinheiro faz toda a diferença no modo como as pessoas são vistas e tratadas.
Os personagens são muito reais e bem interessantes. Makar, mesmo pobre e sentindo vergonha de si mesmo e de seu fracasso, move céus e terras para fazer sua Barbara feliz e satisfazer os desejos dela. A história de amor, por fim, acaba de uma forma realista.
Não amei, mas também (óbvio) não achei ruim.

Nota 3 de 5

18 de dez. de 2015

Ações Afirmativas e Igualdade Racial (João Paulo de Faria Santos)

Título: Ações Afirmativas e Igualdade Racial - A contribuição do direito na construção de um Brasil diverso
Autor: João Paulo de Faria Santos
Ano: 2005
Edição: 1
Páginas: 99
Idioma: português 
Editora: Loyola
Sinopse: A reparação para os africanos escravos, as chamadas ações afirmativas, no Brasil, por maior que seja, nunca apagará nossa história de séculos em que eles tinham aqui um inferno em vida. O que se deve esperar, e essa é sua importância, é que se realizem medida políticas de profundo caráter étnico-político em que o Estado e o direito sejam reflexos de um movimento negro e de uma sociedade civil desejosa de inaugurar uma nova era, em que se supere a ideia de Brasil de 'alma infantil e lágrimas sem pesar' e se possa, pouco a pouco, ajudar a construir uma país de novos tempos em que a cultura, a história, a vida e os sonhos dos negros sejam reconhecidos e enaltecidos por todo um Brasil que se possa julgar diverso.

Ações Afirmativas e Igualdade Racial (João Paulo de Faria Santos)

Terminado em 18 de dezembro de 2015.

Difícil pra caramba! "Ações afirmativas e igualdade racial: a contribuição de direito na construção de um Brasil diverso" é a monografia do advogado João Paulo de Faria Santos (eu não sabia quando comprei). Já deu pra imaginar a linguagem que ele usou, né? Um segundo de distração e você se perde por completo. É preciso reler várias vezes para entender o que o autor quer dizer com um vocabulário tão bizarro.
Mas, valeu. A discussão sobre as cotas raciais foi esclarecedora. Eu não sabia que isso já existia em vários países como medida paliativa para o racismo e que o Brasil tinha sido o último a implantar políticas de inclusão.

Nota 2 de 5

17 de dez. de 2015

Mulheres de Água (Gabriel Chalita)

Título: Mulheres de Água
Ano: 2014
Edição: 1
Páginas: 142
Idioma: português 
Editora: Planeta do Brasil
Sinopse: As mulheres são as personagens principais em cada um dos 22 contos que compõem este livro de Gabriel Chalita. Apesar de as histórias serem independentes umas das outras, o elo ou o fio que as une é a sensibilidade feminina, tantas vezes representada através de versos, canções e outras manifestações artísticas ou literárias. Os contos curtos, tendência da literatura contemporânea, na sua forma e simplicidade estética traduzem na sua essência a complexidade de cada uma das Maria das Dores, Anésias, Joaninhas, Gorettis, Judiths, Loretas, Virgínias e todas as outras personagens que encantam e se revelam. O livro Mulheres de água é uma verdadeira homenagem do autor a todos os seus leitores, homens ou mulheres, que conhecem ou se reconhecem através da alma feminina.

Mulheres de Água (Gabriel Chalita)

Terminado em 17 de dezembro de 2015.

Sempre me impressiono com a delicadeza dos textos de Gabriel Chalita. "Mulheres de água" é um livro de 22 contos sobre mulheres. Mulheres como eu, como você, como nossas mães, nossas avós, nossas vizinhas. Segundo o autor, "mulheres de água [...] Mulheres que preenchem. E que, como a água, movimentam, purificam, renovam, saciam. Mulheres das metrópoles e dos lugarejos. Mulheres da seda e do brim. Mulheres da casa e da empresa, das duplas jornadas. Mulheres que ensinam, que aprendem, ensinam a aprender e aprendem a ensinar. Mulheres sábias. Todas. Cada uma à sua maneira".
O livro retrata a alma feminina, em suas tantas formas e diferenças. É sutil, leve, delicado. Chalita demonstra um pleno conhecimento da essência das mulheres - de todos os tipos. Que lindo! Me identifiquei tanto, com tantas histórias! Poderia ter mais. <3
Amei!

Nota 5 de 5

15 de dez. de 2015

Filho do Hamas (Mosab Hassan Yousef)

Título: Filho do Hamas
Autor: Mosab Hassan Yousef
Ano: 2010
Edição: 1
Páginas: 288
Idioma: português 
Editora: Sextante
Sinopse: 'Filho do Hamas' é o relato do caminho inesperado que o autor resolve seguir ao questionar o sentido de um conflito que só traz sofrimento para os inocentes, sejam eles palestinos ou israelenses. No livro, ele revela como se tornou espião do Shin Bet, narra passagens da vida dupla que levou e fala das escolhas que fez para conter a violência de uma das organizações terroristas mais perigosas do mundo.

Filho do Hamas (Mosab Hassan Yousef)

Terminado em 15 de dezembro de 2015.

O livro, no geral, é muito bom, bem escrito (eu o devorei rapidinho) e com muita informação importante, porém, a história me deu nos nervos. Mosab foi muito traíra!
O que eu vou dizer aqui pode parecer spoiler, mas essas informações estão na sinopse.
Palestino, muçulmano, primogênito do fundador do Hamas. Um belo dia o fofo começa a trabalhar como espião para o Serviço Secreto Israelense e cagueta todo o seu povo em nome da paz. Uma paz impossível, Mosab!
Ele se converte ao cristianismo e -- dessa parte eu gostei muito -- começa a perceber que só o amor que Cristo ensinou seria capaz de acabar com os conflitos. Mas é uma paz impossível, Mosab!
Eu gostei do livro. Todo mundo sabe que sou declaradamente pró-Palestina, mas até que o "Filho do Hamas" me ensinou coisas que eu não sabia sobre o povo irmão do meu. Ampliou um pouco minha visão, mas continuo não gostando de Israel. Porque, pra mim, nenhuma violência é justificável.

Nota 4 de 5

14 de dez. de 2015

Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo (Christiane V. Felscherinow e Sonja Vukovic)

Título: Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo
Autor: Christiane V. Felscherinow e Sonja Vukovic
Ano: 2014
Edição: 1
Páginas: 265
Idioma: português 
Editora: Bertand Brasil
Sinopse: Christiane Vera Felscherinow, mais conhecida como Christiane F., nasceu em Hamburgo, na Alemanha, em 20 de maio de 1962. Ficou famosa ao dar o depoimento de sua vida aos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck, que, na ocasião de seu julgamento por uso de drogas, preparavam uma grande matéria sobre a juventude alemã para a revista Stern.

Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo (Christiane V. Felscherinow e Sonja Vukovic)

Terminado em 14 de dezembro de 2015.

Sinceramente, não é tão bem escrito quanto eu esperava -- nem tão cativante quanto "Eu, Christiane F, 13 anos, drogada e prostituída", mas é interessante saber o que aconteceu com a junkie mais famosa do mundo. "Quem imaginou que eu chegaria aos 51 anos?", ela pergunta várias vezes. E é verdade, considerando o que ela fez da adolescência dela e a vida que levou dali em diante... É realmente muito triste o que a droga faz com as pessoas. Só consigo dizer: que vida de merda, minha amiga!

Nota 3 de 5

10 de dez. de 2015

Caminhos de Liberdade (Javier Moro)

Título: Caminhos de Liberdade - A Luta Pela Defesa da Selva
Autor: Javier Moro
Ano: 2011
Edição: 1
Páginas: 460
Idioma: português 
Editora: Planeta do Brasil
Sinopse: De maneira magistral, Javier Moro – autor dos best-sellers Paixão Índia e Sári Vermelho – narra a saga de Chico Mendes, um homem que ousou lutar por direitos e por justiça numa terra onde a única luta era pela sobrevivência e a única lei era a da violência.

Caminhos de Liberdade (Javier Moro)

Terminado em 10 de dezembro de 2015.

Sempre fico impressionada com a qualidade do conteúdo e com a riqueza de informações e detalhes dos livros de Javier Moro, mas neste, essas características ficam ainda mais surpreendentes. Imagino quão trabalhoso é fazer uma pesquisa para construir uma obra dessas. Quando digo que Javier Moro é meu escritor favorito é porque cada obra sua é praticamente um curso de História para mim.
Caminhos de Liberdade foi escrito em 1992, publicado no Brasil em 2011, e conta a saga de Chico Mendes para salvar a Amazônia. Uma história tão importante para o nosso país, com repercussão mundial, porém tão esquecida por nossos líderes, autoridades e professores.
É curioso aprender sobre o próprio país pelas palavras de um estrangeiro, não é? Mas realmente não me lembro de ter ouvido falar da importância dessa luta por brasileiros. Uma pena que a imagem desse herói tenha ficado associada à ideologia do partido político que tem destruído o Brasil, mas o oportunismo está na origem dessa gente. O partido se apossou de uma luta que já estava em curso para se mostrar preocupado com as minorias -- como sempre. O barbudo do ABC se juntou ao sindicato de Chico para ajudá-lo, mas, obviamente, não fez diferença nenhuma. Todo o mérito deve ser dado aos seringueiros, aos índios, aos religiosos e professores de diversas partes do país, e aos incríveis pesquisadores e ativistas estrangeiros que se uniram à causa da selva. Ao ler este livro, minha ideia sobre a luta mudou. Eu não sabia da origem do problema. Para mim, a única coisa que importava sobre o tema era garantir o fim do desmatamento da Amazônia, pelo bem do meio ambiente e, consequentemente, da humanidade. Mas impedir os latifundiários de se apropriarem da selva era um problema muito mais profundo. A miséria e a injustiça que ali reinavam eram de uma tristeza inigualável.
Sobre a obra além da História, o estilo do autor já era claro. Javier narra as vidas dos personagens separadamente até juntá-las de maneira surpreendente. Ele tem o dom descrever os personagens coadjuvantes da trama como protagonistas -- e deixar o entorno da história ainda mais interessante e atraente.
Há um personagem neste livro que me cativou mais que Chico Mendes: Pernambuco. Não quero estragar a surpresa de ninguém contando o final, mas Pernambuco tocou o meu coração.

Nota 5 de 5

8 de dez. de 2015

Filha, Mãe, Avó e Puta (Gabriela Leite)

Título: Filha, Mãe, Avó e Puta
Autor: Gabriela Leite
Ano: 2009
Edição: 1
Páginas: 194
Idioma: português 
Editora: Objetiva
Sinopse: Neste livro, Gabriela conta sua trajetória, que culminou com a criação da famosa marca de roupas Daspu e da Ong DaVida, símbolos hoje reconhecidos internacionalmente. A autora fala nesta autobiografia de todos os tabus que povoam e aguçam a curiosidade do imaginário coletivo em torno da rotina das prostitutas abordado pela autora com absoluta naturalidade. Mãe de duas mulheres e avó de uma menina, Gabriela fala também sobre suas relações familiares.

Filha, Mãe, Avó e Puta (Gabriela Leite)


Terminado em 8 de dezembro de 2015.

Desculpe o palavrão, mas eu achei foda. Não tinha outra palavra pra descrever esse livro. Gabriela narra sua história de modo divertido e comovente (até chorei, acredita?!). Em nenhum momento ela se faz de vítima e, ao contrário, afirma que nenhuma mulher que está nessa profissão é vítima (com exceção, é claro, das mulheres traficadas e exploradas). Ser prostituta é uma escolha. Ela teve a oportunidade de cursar uma das melhores universidades do país, mas escolheu abandonar os estudos para ganhar dinheiro com seu corpo. Não quero entrar no mérito do que eu acho sobre essa profissão porque minha opinião aqui é somente sobre o livro, que é ótimo. Eu jamais aprovaria as atitudes dela, principalmente em relação à família, mas isso não desmerece a história. "Filha, Mãe, Avó e Puta" mostra exatamente o tipo de feminismo que eu defendo porque ela ama os homens, os admira e os quer bem -- aliás, ela afirma que homem é o que ela mais gosta na vida. Como eu sempre digo, não é preciso esculhambar um gênero para defender o outro.
Ao contrário de outros livros de memórias de prostitutas, esse não é um livro sobre sexo, sobre casos e fantasias de clientes -- é um livro sobre uma mulher que, apesar de jovem inconsequente, fez tudo que teve vontade de fazer.

Gabriela é a fundadora da ONG Davida e da grife de roupa Daspu.

Nota 5 de 5

3 de dez. de 2015

Deus Foi Almoçar (Ferréz)

Título: Deus Foi Almoçar
Autor: Ferréz
Ano: 2012
Edição: 1
Páginas: 239
Idioma: português 
Editora: Planeta do Brasil
Sinopse: Calixto é um homem comum, mas como tantos cidadãos ele acorda cedo para fazer parte do labirinto da vida cotidiana. À noite, volta pra casa onde encontra sua mulher e sua filinha, nada mais normal. Mas não é isso que está nesse livro. Sem que ele queira, tudo começa a não fazer mais sentido. Calixto parece não saber como reagir, se é que quer fazer isso. Suas tentativas logo se mostram infelizes e sua conformação incomoda, embora ele tenha a sua frente um portal para mudar tudo. Neste romance psicológico, Ferréz impressiona o leitor ao perguntar se vamos querer de fato uma mudança.


Terminado em 3 de dezembro de 2015.

Passei o livro inteiro perguntando "WTF?". Não via a hora de começar a entender esse monte de viagem jogada no papel, mas não tive sucesso. Puta livro chato do inferno! Eu nem sabia quem era Ferréz e só comprei por causa do título. O livro é basicamente é a história de um cara medíocre, ferrado, deprimido, solitário, num emprego de merda, sem amigos e que precisa transar com umas putas para lembrar que existe (aliás, os únicos capítulos bem narrados são os sobre as transas com as putas - sempre gordas e "desgastadas"). O livro é totalmente confuso: começa em terceira pessoa, vai para a primeira, volta para a terceira, de repente é uma mulher narrando... Tudo sem indicação. Diálogos sem travessão, sem aspas, apenas com quebra de linha. Tudo errado. Um monte de pensamento solto, sem nenhum sentido. "Uma torneira foi aberta, uma porta fechada, uma luz apagada, um papel rasgado. Ele se levantou e fechou a braguilha". Oi?
Até agora também não entendi o sentido do título. Sei lá se a intenção era ser poético ou algo do tipo, mas achei péssimo. Ou, sei lá se eu é que não entendo esse tipo de narrativa moderna, mas prefiro continuar com a minha cultura limitada a bons escritores e boas histórias. Incrível ter sido publicado pela Planeta. Acho que foi o pior livro que li este ano.

Nota 1 de 5
 

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