26 de jul. de 2015

Entre o Véu e a Minissaia (Randa Ghazy)

Título: Entre o Véu e a Minissaia - Os Dilemas de Uma Jovem Muçulmana Vivendo no Ocidente
Autor: Randa Ghazy
Ano: 2014
Edição: 1
Páginas: 200
Idioma: português
Editora: Paulinas
Sinopse: Jasmim é uma garota comum, estudante universitária de Direito, não fosse o fato de ser filha de egípcios muçulmanos, vivendo em Milão, na Itália. Sente-se dividida entre as tradições culturais e religiosas de sua família e a realidade da sociedade ocidental em que vive. Por exemplo, não quer usar o véu, não suporta comportamentos opressores em relação à mulher nem tolera atitudes de discriminação e preconceito sobre a sua cultura.
Quando sua melhor amiga se casa, se vê confrontada com as escolhas que mais cedo ou mais tarde terá de enfrentar: seguir sua profissão e ser uma mulher independente ou conformar-se com a vida de dona de casa? Investir na paquera do rapaz que trabalha na loja diante de sua casa ou aceitar as armações de sua mãe, que faria gosto em que namorasse o jovem Yusef?
O sentimento de inadequação a faz sonhar em ter nascido numa família italiana ou morar no Egito - assim, quem sabe, conseguiria ser ela mesma. Mas, afinal de contas, quem é Jasmim? Uma garota como outra qualquer, que sofre com a celulite, que se preocupa com o peso, que se irrita quando é vítima de gozação dos amigos... que se preocupa com a política internacional, com a situação do Oriente Médio, com a posição da mulher na sociedade... que não quer ter de responder perguntas idiotas sobre sua cultura, que quer ser compreendida e aceita por ser quem é.
Os conflitos internos da protagonista e os que sucedem na relação com os demais são típicos das jovens na faixa de 20 a 30 anos, e as soluções bastante positivas. O texto é bem escrito, envolvente, divertido em muitos momentos, sem deixar de levantar questões sérias, como a diversidade e a tolerância cultural e religiosa.

Entre o Véu e a Minissaia (Randa Ghazy)

Terminado em 26 de julho de 2015.

Minha reação ao terminar de ler (em apenas duas horinhas) foi: "ai, que fofooo!". Hahaha. É um livro bem juvenil, mas com um dilema profundo ao qual me identifiquei. Às vezes é muito difícil fazer parte de uma família imigrante e conseguir se encaixar em uma cultura tão diferente. Eu sei. Por mais que eu não seja muçulmana, a minha educação tem outra raiz.
O livro conta a história de uma filha de egípcios vivendo na Itália, que precisa enfrentar o preconceito (dos amigos, da sociedade e até dela mesma) e se encontrar sendo diferente e, ao mesmo tempo, normal.
Amei!

Nota 3 de 5

25 de jul. de 2015

Um Arco-Íris na Noite (Dominique Lapierre)

Título: Um Arco-Íris na Noite
Autor: Dominique Lapierre
Ano: 2010
Edição: 1
Páginas: 320
Idioma: português
Editora: Planeta do Brasil
Sinopse: Uma saga feroz, heroica, que três séculos mais tarde dará origem a uma das grandes tragédias da História: o apartheid.
No ano em que a África do Sul receberá a Copa do Mundo, o historiador Dominique Lapierre nos apresenta a história desta nação marcada pela colonização e dividida pelo Apartheid, desde a chegada dos holandeses até os dias atuais.
Fundamentado em um amplo trabalho de investigação, o autor constrói um retrato inédito e completo deste país chamado por Nelson Mandela de “nação arco-íris”. Lapierre já escreveu outros títulos que, somados, venderam mais de 100 milhões de exemplares ao redor do mundo. Ele é tio do best-seller Javier Moro, também autor da Planeta.

Um Arco-Íris na Noite (Dominique Lapierre)


Terminado em 25 de julho de 2015.

Mas que grande aula de História, minha gente!
O livro conta toda a saga da África do Sul, desde a chegada dos holandeses em busca da Terra Prometida até o mandato de Nelson Mandela.
"Um arco-íris na noite" é cheio de curiosidades e personagens incríveis (e o principal não é Madiba, como todos os livros que vejo sobre a África do Sul): aqueles idiotas seguidores de Hitler, que inventaram o apartheid; Helen Lieberman, uma mulher branca incrível que enfrentou o apartheid para cuidar das crianças negras e criou a maior organização humanitária de toda a África do Sul; Christiaan Barnard, o médico que realizou, na África do Sul, o primeiro transplante de coração da História (e, logo depois, desafiou as leis do apartheid, implantando o coração de um negro no corpo de um branco)...
O único ponto negativo do livro, pra mim, é o fato de ter muita, muita, muita informação em pouco espaço. Um parágrafo narra mil feitos e pessoas -- e muitas vezes eu me confundia ou não sabia mais de quem o autor estava falando. É claro que se ele fosse detalhar e humanizar cada personagem da maneira que eu gosto, o livro teria 2 mil páginas. Mas acho que faltou um tiquinho de nada de aprofundamento nas personalidades. Escorreram algumas lagriminhas aqui, mas não cheguei a chorar como faço nos livros de história romanceada. :P

Nota 4 de 5

22 de jul. de 2015

Sete Anos (Fernanda Torres)

Título: Sete Anos
Autor: Fernanda Torres
Ano: 2014
Edição: 1
Páginas: 192
Idioma: português
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Em 2010, Fernanda iniciou colaboração com o caderno Poder da Folha de S.Paulo. Sua missão era escrever sobre as eleições para a presidência. Muitos dos textos sobre política incluídos em Sete anos tiveram origem nesse período. Passadas as eleições, Fernanda passou a manter uma coluna mensal no caderno de cultura do mesmo jornal.
Mas há um texto inédito. É o pungente Despedida, que trata da morte de seu pai. Por pudor, Fernanda preferira não publicá-lo à época, mas agora decidiu compartilhar a experiência dolorosa com seus leitores.
As crônicas aqui reunidas foram escritas ao longo de sete anos e contam a história do meu noviciado, diz a autora na apresentação do livro. Desenvolver uma ideia dentro de um espaço determinado de linhas, falar de temas de interesse comum sem abrir mão do tom pessoal e dar valor à concisão são algumas lições que tomei do jornalismo.
Um ator, mesmo que a sós, em cena, carece de um aparato custoso para exercer seu ofício. Não é o que ocorre com o escritor, cujos limites são impostos apenas por sua capacidade de imaginar.
Poder escrever que vinte elefantes entraram em um quarto é uma libertação para alguém acostumado à rotina teatral, diz Fernanda. As letras têm me feito grande companhia.
Da plateia, os leitores agradecem.

Sete Anos (Fernanda Torres)

Terminado em 22 de julho de 2015.

Não sou muito fã de compilações de crônicas, ainda mais se a maioria delas fala sobre política, que é um assunto tão efêmero. Tem crônica sobre as campanhas políticas de Dilma e de Serra (eleições 2010)!
O livro foi lançado em 2014, mas deveriam ter selecionado melhor as crônicas. Algumas são ótimas, principalmente as que Fernanda fala da mãe e do pai. Aliás, a da morte do pai é maravilhosa!
No geral, não amo a maneira com que Fernanda Torres escreve porque fica tudo sem final. Eu sempre acho que o final de qualquer história, por menor que seja, precisa ter aquele impacto, sabe? Ela não sabe dar fim aos textos. Isso quando ela não muda de assunto completamente -- coisa que me irritou bastante no livro.
Pelas crônicas que amei, dou nota 3 ao livro.

Nota 3 de 5

15 de jul. de 2015

A Irmã de Freud (Goce Smilevski)

Título: A Irmã de Freud
Autor: Goce Smilevski
Ano: 2013
Edição: 1
Páginas: 336
Idioma: português
Editora: Bertrand Brasil
Sinopse: Teria Sigmund Freud sido responsável pela morte de sua irmã em um campo de concentração nazista? Vencedor do Prêmio da União Europeia para a Literatura, A irmã de Freud, quando lançado, chocou os leitores, que se perguntavam se a história criada por Goce Smilevski seria verdade. Apesar de ser ficção, a premissa da obra é verdadeira: Freud fugiu da Áustria em plena ascensão nazista deixando quatro irmãs para trás. Todas morreram em campos de concentração.
Na Viena ocupada pelos nazistas, Sigmund Freud recebeu o direito de fugir para o exterior levando consigo alguns entes queridos. Na lista do fundador da psicanálise, entram a mulher, os filhos, a cunhada, duas assistentes, o médico pessoal com sua família e até o cachorro, mas não quatro irmãs idosas: Marie, Rosa, Pauline e Adolfine. É a voz desta última, deportada para o campo de concentração de Terezín, que relembra com dolorosa mágoa o episódio.
Smilevski narra, com maestria, a trajetória da família do famoso Freud, com destaque, obviamente à narradora. Por meio de Adolfine, o leitor descobre a intimidade do famoso psiquiatra, suas fraquezas e como ele se relacionava com os parentes. Além disso, mostra a vida miserável que ela própria teve. Há também um intenso debate de teorias psicanalíticas, mostrando como elas não eram seguidas pelo próprio criador.
Um dos principais temas tratados na obra é a loucura, que culmina com uma inteligente discussão entre os dois protagonistas a respeito da felicidade e do sentido da vida.

A Irmã de Freud (Goce Smilevski)

Terminado em 15 de julho de 2015.

Três fatores me fazem escolher um livro: o nome, a capa ou o autor. Nunca a história. Eu prefiro não saber sobre o que vou ler para não criar expectativa e para não me decepcionar. Também não gosto de spoiler - e quantas sinopses têm spoiler! Este eu escolhi pela capa. Eu não fazia ideia de qual era o tema do livro e fui lendo, fui lendo... e, a princípio achei que fosse uma história sobre uma judia num campo de concentração. Quase o abandonei no primeiro capítulo. Mas o livro vai muito além disso.
É um livro sobre vida e morte. Muita morte, muita tragédia, muita dor. Um livro sobre loucura, normalidade e sofrimento. Um livro sobre egoísmo e arrogância.
No fim, A Irmã de Freud me surpreendeu. Um livro que tanto me incomodou, mas do qual não consegui me desprender. Um texto tantas vezes pedante e tantas vezes apaixonante.
Ainda estou digerindo o que li. Não sei se amei. Só sei que me surpreendi.

Nota 4 de 5

11 de jul. de 2015

A Flor de Piel (Javier Moro)

Título: A Flor de Piel
Autor: Javier Moro
Ano: 2015
Edição: 1
Páginas: 496
Idioma: espanhol
Editora: Seix Barral
Sinopse: El 30 de noviembre de 1803, una corbeta zarpa del puerto de La Coruña entre vítores y aplausos. En su interior viajan veintidós niños huérfanos cuya misión consiste en llevar la recién descubierta vacuna de la viruela a los territorios de Ultramar. Los acompaña Isabel Zendal, encargada de cuidarlos. Los héroes de esta descabellada expedición, dirigida por el médico Francisco Xavier Balmis y su ayudante Josep Salvany, sobrevivirán a temporales y naufragios, se enfrentarán a la oposición del clero, a la corrupción de los oficiales y a la codicia de quienes buscan lucrarse a costa de los desamparados. Si al final esta aventura se convirtió en la mayor proeza humanitaria de la Historia, se debió no sólo al coraje de aquellos niños que se vieron abocados a salvar las vidas de tantísima gente, sino también al arrojo de los dos directores, hombres sin miedo que se disputaron el amor de la única mujer a bordo. A raíz del descubrimiento de la identidad de Isabel Zendal, Javier Moro, autor de Pasión india y El imperio eres tú, reconstruye una prodigiosa epopeya de la mano de un personaje femenino inolvidable. Los protagonistas de A flor de piel, desgarrados entre la pasión de salvar al mundo y la necesidad de salvarse a sí mismos, son como luces en el horizonte oscuro del final de una época.

A Flor de Piel (Javier Moro)

Terminado em 11 de julho de 2015.

Último livro de Javier Moro, lançado em maio deste ano. Li em espanhol porque a obra ainda não foi traduzida para o português e, apesar de não ser fluente nesse idioma, não tive a menor dificuldade de compreensão. Ao contrário, o livro me prendeu de tal maneira que devorei as quase 500 páginas em duas semanas (um recorde para mim, que só leio meia horinha antes de dormir). E foram pouquíssimas as vezes que precisei consultar o dicionário (ler é mais fácil que falar).
O livro conta a história do médico que trouxe a vacina contra a varíola para a América Latina, na maior expedição filantrópica da História. Com uma equipe de enfermeiros e 22 crianças órfãs, o navio María Pita saiu de La Coruña, na Espanha, e chegou até a Ásia, dando uma volta ao mundo em pouco mais de 30 meses. As crianças foram necessárias porque não era possível conservar a eficácia da vacina em uma viagem tão longa de navio. Era preciso realizar a difusão da vacina "braço a braço", infectando crianças que nunca haviam tido contato com o vírus da varíola.
Como em todos os livros de Javier, a história real tem como pano de fundo um romance, que nos prende e nos emociona. Isabel Zendal, que se tornou a primeira enfermeira da Espanha, é a peça chave de todo o desenrolar da novela. E eu amo a maneira com a qual Javier descreve as mulheres de seus livros. São todas retratadas como heroínas admiráveis (e assim se tornam para nós, leitores).
Já li todas as obras de Javier Moro e posso garantir que, a cada novo livro, o autor se supera. É interessante acompanhar a carreira de um escritor e perceber o quanto ele evolui.
Amei "A Flor de Piel" e pretendo lê-lo novamente quando for lançada a edição brasileira.
E aguardo ansiosamente pela próxima obra. :)

Nota 5 de 5

4 de jul. de 2015

Travessuras da Menina Má (Mario Vargas Llosa)

Título: Travessuras da Menina Má
Autor: Mario Vargas Llosa
Ano: 2006
Edição: 1
Páginas: 302
Idioma: português 
Editora: Alfaguara
Sinopse: O peruano Ricardo vê realizado, ainda jovem, o sonho que sempre alimentou - o de viver em Paris. O reencontro com um amor da adolescência o trará de volta à realidade. Lily - inconformista, aventureira e pragmática - o arrastará para fora do pequeno mundo de suas ambições. Ricardo e Lily - ela sempre mudando de nome e de marido - se reencontram várias vezes ao longo da vida, em diferentes cidades do mundo que foram cenários de momentos emblemáticos da História contemporânea. Na Paris revolucionária dos anos 60; na Londres das drogas, da cultura hippie e do amor livre dos anos 70; na Tóquio dos grandes mafiosos dos anos 80; e na Madri em transição política dos anos 90. Assim, ao mesmo tempo em que conta a história de um amor arrebatador, Travessuras da menina má traça um quadro vigoroso das transformações sociais européias e convulsões políticas da América Latina. Muitas das experiências de vida de Vargas Llosa aparecem aqui, por meio de seus personagens - os tempos de penúria em Paris, seu trabalho como tradutor, sua simpatia pela revolução cubana e a ligação permanente com seu país de origem, o Peru. Criando uma tensão entre o cômico e o trágico, numa narrativa ágil, vigorosa e terna, que conduz o leitor nesta dança de encontros e desencontros, Mario Vargas Llosa joga com a realidade e a ficção para contar uma história em que o amor se mostra indefinível, senhor de mil faces, como a menina deliciosa e má.

Travessuras da Menina Má (Mario Vargas Llosa)

Terminado em 4 de julho de 2015.

Este foi meu segundo contato com Llosa e já posso garantir que o peruano entrou para a minha lista de favoritos.
Travessuras da Menina Má foi um dos melhores livros que já li.
Envolvente, curioso, apaixonante, maravilhoso!
Os personagens e seus sentimentos são absolutamente bem descritos, com personalidades únicas e cativantes. A história é incrível e os cenários, descritos com muita riqueza de detalhes. Escrita admirável!

Nota 5 de 5
 

A Lu Leu Template by Ipietoon Cute Blog Design and Bukit Gambang