18 de nov. de 2015

A Costureira de Khair Khana (Gayle Tzemach Lemmon)

Título: A Costureira de Khair Khana
Autor: Gayle Tzemach Lemmon
Ano: 2013
Edição: 1
Páginas: 200
Idioma: português 
Editora: Seoman
Sinopse: A vida que Kamila Sidiqi conhecia mudou da noite para o dia quando o Talibã tomou o controle da cidade de cabul. Depois de estudar para professora durante a guerra civil – uma conquista rara para qualquer mulher afegã – Kamila foi confinada à sua casa e proibida de continuar estudando. Quando seu pai e seu irmão mais velho foram obrigados a abandonar a cidade, ela pegou agulha e linha e criou sozinha um próspero negócio. Esta é a incrível e real história dessa inacreditável empreendedora que mobilizou sua comunidade sob o domínio do Talibã.

A Costureira de Khair Khana (Gayle Tzemach Lemmon)


Terminado em 18 de novembro de 2015.

Achei o livro tão bobo...
Para quem nunca leu histórias sobre o Afeganistão, pode até achar o livro o máximo (aliás, ele é muito bem avaliado por aí). Mas eu, que leio todos os livros sobre o tema "incríveis mulheres árabes que enfrentaram os radicais", já acho tudo muito clichê. Parece que só existe isso por lá - e sabemos que não é bem assim.
O que me irritou no livro foi a surrealidade dos acontecimentos. A autora garante que a história é real (certo, até tem foto da personagem principal aí no Google), mas é tudo muito falso. Acontece o seguinte: Kamila havia se formado professora durante a guerra civil mas, quando o Talibã chegou, ela foi confinada à sua casa e proibida de continuar estudando. Cansada de não fazer nada e precisando de dinheiro para sobreviver, Kamila pediu que sua irmã a ensinasse a costurar. Só que a fofa aprendeu tudo em menos de duas horinhas. Oi, gente, quem tem máquina de costura sabe o quanto é difícil manejar aquela bagaça, mas, Kamila, no mesmo dia, fez um terninho (!) magnífico e, no dia seguinte, já havia conseguido uma encomenda de 15 terninhos e vestidos para uma loja. Uma semana depois ela já estava fazendo vestidos de noiva (what?). Desculpa, isso é muito surreal pra mim.
Fora que, quando ela é pega pelos talibãs, ela inventa uma historinha e eles caem - hahahahaha. Até parece que talibã ia perdoar uma mulher viajando sozinha para o Paquistão, né?
É tudo previsível, clichê, forçado e, enfim...

Nota 2 de 5

5 de nov. de 2015

Pare de Acreditar no Governo (Bruno Garschagen)

Título: Pare de Acreditar no Governo - Por que os Brasileiros não Confiam nos Políticos e Amam o Estado
Autor: Bruno Garschagen
Ano: 2015
Edição: 1
Páginas: 322
Idioma: português 
Editora: Record
Sinopse: Uma obra fundamental para o momento que vive o país. Por qual razão nós brasileiros, apesar de não confiarmos nos políticos, a quem dedicamos insultos dos mais criativos e variados, pedimos que o governo intervenha sempre que surgem problemas? Por que vamos para as ruas protestar contra os políticos e ao mesmo tempo pedir mais Estado - como se este não fosse gerido pelos... políticos? Por que odiamos os políticos e amamos o Estado? Por que chegamos à condição de depender do Estado para quase tudo? Bruno Garschagen busca entender como se formou historicamente no Brasil a ideia de que cabe ao governo resolver todos ou a maioria dos problemas sociais, políticos e econômicos. De Dom João VI a Dilma Rousseff, um compromisso inabalável uniu todos os governantes, inclusive aqueles chamados (erradamente, segundo o autor) de liberais ou neoliberais: a preservação do Estado monumental e mesmo o seu crescimento. Por quê? Para responder a esse conjunto de questões, o autor vasculha a história política do Brasil desde que os portugueses aqui chegaram até os dias de hoje. Com texto brilhante, leve, bem-humorado e informativo, recorrendo também às explicações de pensadores brasileiros e portugueses, tece uma espécie de conversa entre os intelectuais que refletiram sobre a cultura política do Brasil para narrar a história de um país cuja formação cultural se confunde com a onipresença da burocracia nacional.

Pare de Acreditar no Governo (Bruno Garschagen)

Terminado em 5 de novembro de 2015.

Que livro maravilhoso, minha gente!

Ele narra toda a história política do Brasil, de João VI ao segundo mandato de Dilma, e explica como surgiu no país a ideia de que o governo é responsável por tudo. Cheio de bom humor, com ótimas tiradas, o livro explica porque nós, apesar de não confiarmos nos políticos, pedimos que o governo intervenha sempre que surgem problemas.
"[...] não confiamos nos políticos, não confiamos nas instituições políticas, não confiamos no governo, mas, ao mesmo tempo, queremos mais Estado. Contraditoriamente, pedimos mais intervenção mesmo sem confiar naqueles que integram o poder estatal. Como se o Brasil vivesse em dois planos na política: o plano da realidade e o plano da impossibilidade, que só existe na imaginação de uma parcela significativa da população que faz questão de se iludir em momentos de necessidade — ou de interesse circunstancial".

"Pare de acreditar no governo" abriu minha cabeça para a ideia que eu tinha de que tudo é obrigação do governo. Não é. Não deveria ser. Nenhuma nação cresce com um Estado-babá.

Aprendi mais sobre a ditadura militar (e até dá pra compreender os que clamam por sua volta), sobre o governo FHC e sobre as malandragens deslavadas do PT desde sua fundação.

"Dilma foi além e certamente encheu de orgulho seu mentor Lula. Diante dos índices econômicos desoladores, ignorou o que havia prometido e transformou a gestão do país numa aventura fadada ao fracasso. Mas manteve um vigoroso discurso “social”, incitou a luta de classes (inclusive no episódio das vaias na Copa do Mundo de futebol) e transferiu as responsabilidades dos insucessos de seu governo para as maléficas elites brancas. Dilma, como sabido, é preta e pobre". (Hahahahah)

Sobre a educação nas mãos do governo, a doutrinação é inevitável. "[...] de nada adianta seguirmos a sugestão da Pesquisa Social Brasileira, de que, para mudar a mentalidade estatista, será preciso escolarizar a população, se antes não tomarmos as rédeas da educação de nossos filhos em vez de entregá-las a professores cuja cabeça foi formada pelo Estado na universidade controlada pelo governo, que define inclusive o currículo. Isso inclui estar atento para impedir que os militantes disfarçados de professores continuem a doutrinar os estudantes dos ensinos fundamental, médio e universitário".

O livro mudou algumas ideias que eu tinha e foi uma grande aula de História. Acho que eu não marcava um livro como marquei este desde a época da faculdade. Bom demais, super recomendo!

Nota 5 de 5
 

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