Título: O navio das noivas
Autora: Jojo Moyes
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 384
Idioma: português
Editora: Intrínseca
Sinopse: Austrália, 1946. É terminada a Segunda Guerra Mundial, chega o momento de retomar a vida e apostar novamente no amor. Mais de seiscentas mulheres embarcam em um navio com destino à Inglaterra para encontrar os soldados ingleses com quem se casaram.
Em Sydney, Austrália, quatro mulheres com personalidades fortes embarcam em uma extraordinária viagem a bordo do HMS Victoria, um porta-aviões que as levará, junto de outras noivas, armas, aeronaves e mil oficiais da Marinha, até a distante Inglaterra. As regras no navio são rígidas, mas o destino que reuniu todos ali, homens e mulheres atravessando mares, será implacável ao entrelaçar e modificar para sempre suas vidas.
Enquanto desbravam oceanos, os antigos amores e as promessas do passado parecem memórias distantes. Ao longo da viagem de seis semanas — apesar de permeada por medos, incertezas e esperanças — amizades são formadas, mistérios são revelados, destinos são selados e o felizes para sempre de outrora não é mais a garantia do futuro que foi planejado.
Com personagens únicas e uma narrativa tocante, Jojo Moyes conta uma história inesquecível que captura perfeitamente o espírito romântico e de aventura desse período da História, destacando a bravura de inúmeras mulheres que arriscaram tudo em busca de um sonho.

Terminado em 8 de março de 2017.
Gosto muito dos livros da Jojo, tanto pelos temas escolhidos quanto pelo estilo da escrita. Jojo escreve bem, e seus livros possuem aquela capacidade toda especial de atingir o leitor de formas muito variadas.
“O navio das noivas” não é diferente. O enredo é bom, criativo, as histórias (porque, neste caso, temos diversas histórias que se cruzam) são interessantes e a trama é muito bem conduzida. Mas definitivamente não vai se tornar um dos meus livros preferidos.
Para explicar por que exatamente eu defendo que o livro é bom e ainda assim declaro que não gostei muito dele, seria preciso dar um pequeno spoiler (um pequenininho, assim, um quase nada de spoiler). Mas, consciente de que não é todo mundo que gosta disso, vou dividir a resenha em duas partes. Uma com spoiler, outra sem. Certo? Certo. Então vamos lá.
SEM SPOILER:
“O navio das noivas” conta não apenas uma, mas quatro histórias que se cruzam em um navio que vai de Sidney para a Inglaterra, levando as chamadas “noivas de guerra” para seus maridos ingleses. Durante a Segunda Guerra Mundial, os militares que compunham as tropas inglesas alocadas na Austrália conviveram por certo tempo com as jovens do país. O resultado não é muito surpreendente: a convivência, o temor da guerra, o receio de nunca mais se encontrarem, a juventude, as paixões, sabe-se lá que outros elementos mais levaram a muitos casamentos em território estrangeiro, alguns até mesmo impulsivos e feitos às pressas. Quando a guerra acabou, os soldados voltaram para sua pátria, e coube ao governo e às forças militares dos países envolvidos garantir às jovens esposas um modo de ir encontrá-los, para que dessem início ao seu “felizes para sempre”.
Claro que a realidade não é tão simples. Como transportar centenas de mulheres de um hemisfério para outro, em um pós-guerra que deixou nações entregues à escassez de alimentos e ao racionamento? Como essas jovens poderiam juntar coragem para abandonar a família, os amigos, o país em que cresceram para enfrentar uma realidade nova e totalmente desconhecida, sem saber se seriam bem-aceitas por sua nova família, sem saber nem mesmo se seus esposos ainda as queriam? Porque, indignem-se, essa era uma opção! Corriam ainda o risco de abandonar pai, mãe, amigos, vizinhos, gato, cachorro, periquito, papagaio, somente para descobrir que, bem, depois de voltar para seu país e para sua vida, o noivo mudou de ideia.
“Abandonamos tudo, todas as pessoas que amamos, nossa casa, nossa segurança. E para quê? Para sermos agredidas e depois rotuladas de vagabundas? Para que a Marinha interrogue sobre nosso passado, como se fôssemos criminosas? Para passar por tudo isso e no fim alguém dizer que não somos bem-vindas? Porque não há garantia, certo? Nada prova que esses homens e suas famílias vão nos aceitar, não é mesmo?”
E o mais impressionante é que isso (o transporte de centenas de mulheres casadas com militares para outros países) realmente aconteceu, e a avó de Jojo foi uma dessas esposas de guerra que viajaram para a Inglaterra em um porta-aviões, em 1946 (não aguça a curiosidade saber que um livro é baseado em acontecimentos históricos, minha gente?).
As quatro histórias contadas no livro são de Margaret, Avice, Jean e Frances, ocupantes de uma das cabines do HMS Victoria. Margaret, jovem nascida em uma fazenda, está na reta final da gravidez quando é finalmente chamada para embarcar rumo à Inglaterra, onde encontrará o marido e uma nova vida. O medo de tornar-se mãe, aguçado pelo fato de que perdera sua referência de figura materna há pouco tempo, soma-se ao receio de deixar o pai e os irmãos sozinhos e de não saber o que encontrará quando aportar, mas, a bordo, suficientemente cedo, ela descobre que a viagem em si será tão desafiante quanto a nova vida que a espera. Avice é uma moça da alta sociedade, exageradamente preocupada com as aparências e com o julgamento daqueles ao seu redor, e embarca contrariada, acreditando que o porta-aviões não está a sua altura. Já Jean, uma das mais jovens garotas do navio, é uma adolescente enérgica, deslumbrada e impulsiva, mas muito inocente e despreparada para enfrentar os desafios da travessia e da nova vida de casada. Frances, por fim, é uma enfermeira discreta e reservada que serviu na guerra e aparentemente guarda um grande segredo.
“Se ela virasse a cabeça e encostasse a outra bochecha na porta, quase conseguiria ouvir a respiração dele. Permaneceu assim, no escuro, por algum tempo. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto e caiu no seu pé descalço. Depois outra.”
O convívio na cabine parece impossível, já que as quatro são muito diferentes. No entanto, as regras rígidas, a rotina e uma série de eventos e conflitos acabam por aproximá-las e transformá-las definitivamente.
“Você também precisa saber que fiz uma única coisa na vida da qual me envergonho. E não foi o que você está pensando.”
Vale chamar atenção para a pesquisa que Jojo fez para desenvolver o livro, pois todas as partes do navio pelas quais os personagens passam são muito bem descritas, de modo que nos transportamos para dentro da embarcação, e cada capítulo se inicia com um texto real relacionado ao navio e à viagem realizada pelas noivas. Os personagens também se destacam, como todos os outros de Jojo, em especial porque cometem falhas e trazem defeitos que muito os aproximam da realidade. Os momentos finais emocionam de um modo todo especial, mas isso eu também só posso explicar dando spoilers ☹
COM SPOILERS:
(CONTINUE POR SUA CONTA E RISCO)
Comecemos explicando por que não gostei muito do livro. Muita gente vai ler e pensar: “Nossa, que bobeira”. Mas, enfim, cada alérgico com sua alergia, cada louco com sua mania...
Ao embarcar, Margaret contrabandeia para dentro do navio sua cachorrinha idosa, Maude. Acho que vocês já devem imaginar aonde quero chegar com isso, né? Durante a viagem, um problema acontece no navio, e Maude morre por negligência e descaso humanos.
Não é que eu tenha algo contra animais que morrem em livros. Acho “Marley e eu” tocante, bem como muitos outros livros. O problema, para mim, é quando um animal sob os cuidados de um humano morre por conta de uma negligência, um descaso ou uma idiotice. É triste e desnecessário, e não tem nada de emocionante nisso.
O livro, no entanto, emociona, sim, de outra maneira, e acho que pela primeira vez senti vontade de chorar em um momento feliz. O medo de Margaret, ao desembarcar, é tão pungente, e seu alívio e felicidade são tão puros e espontâneos, que acabam emocionando. Emocionam de felicidade. Emocionam porque mostram um amor simples, real, sólido e descomplicado, que só era complicado na cabeça dela. É bonito ver as ansiedades vencidas, o modo como elas a afetam, e o que acontece quando ela finalmente encontra Joe.
Acho que o seu foi o final que mais me emocionou, embora todos eles tenham um grande valor.
E se eu recomendo a leitura? Bom, sim, recomendo. A questão que me incomodou no livro é muita específica, e acho que pouca gente teria a mesma impressão. Esse é, por exemplo, o livro da Jojo preferido da minha irmã, apesar de ter sido o que eu menos gostei da autora. É uma questão subjetiva, afinal. Mas, de qualquer forma, qualidade é qualidade, e não dá para negar que a autora tem 😉
Nota 4 de 5
Sobre a autora:
Jojo Moyes nasceu em 1969 e cresceu em Londres. Trabalhou como jornalista por dez anos, nove deles no jornal The Independent, de onde saiu em 2002 para se dedicar integralmente à carreira de escritora.
É autora de mais de dez livros, entre eles A última carta de amor, Como eu era antes de você, A garota que você deixou para trás e Um mais um, publicados pela Intrínseca. Como eu era antes de você, seu romance de maior sucesso, vendeu mais de oito milhões de exemplares em todo o mundo, ocupou o topo da lista de mais vendidos em nove países e foi adaptado para o cinema, com Sam Claflin (Jogos vorazes) e Emilia Clarke (Game of Thrones).
Uma das poucas escritoras no mundo a ter emplacado três livros ao mesmo tempo na lista de mais vendidos do The New York Times, Jojo mora em Essex com o marido e os três filhos.


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