Título: Nômade
Autor: Ayaan Hirsi Ali
Ano: 2011
Edição: 1
Edição: 1
Páginas: 392
Idioma: português
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Ayaan Hirsi Ali atraiu atenção mundial com o livro de memórias Infiel, que ficou 31 semanas na lista de best-sellers do New York Times e conta sua infância e adolescência na Somália, na Arábia Saudita, na Etiópia e no Quênia sob o rigor do islamismo, até chegar à Holanda, onde se tornou uma das principais críticas do islã e defensora dos direitos das mulheres. Agora, em Nômade, ela narra sua mudança para os Estados Unidos em busca de uma nova vida, longe dos islamitas europeus que a ameaçaram de morte.
Nesta história da transição da vida tribal à cidadania plena em uma democracia ocidental, Ayaan relata as reviravoltas em sua vida após o rompimento com a família, que a renegou quando ela renunciou ao islã depois do Onze de Setembro. De forma comovente, a escritora somali relata sua reconciliação com a mãe e os primos, e com o pai no leito de morte.
Nômade é o retrato de uma família dilacerada pelo choque de civilizações, mas também é um relato sensível, otimista e muitas vezes divertido da descoberta dos Estados Unidos por uma mulher que teme que o país esteja repetindo o erro europeu de subestimar o islã radical. Ayaan convoca instituições ocidentais - como o movimento feminista e as igrejas cristãs - a pôr em prática ações para ajudar outros imigrantes muçulmanos a superar os obstáculos que ela vivenciou em sua assimilação à sociedade ocidental e a resistir à sedução do fundamentalismo.
Uma celebração da liberdade de expressão e dos valores democráticos, o mais recente livro de Ayaan Hirsi Ali representa o amadurecimento intelectual da escritora. É também uma importante contribuição para a história das ideias e, acima de tudo, um chamado à ação.
Terminado em 11 de setembro de 2015.
Bom, vamos lá...
Ayaan é uma das mulheres que mais admiro no mundo, mesmo não concordando com tudo o que ela representa. Para quem não a conhece, ela nasceu na Somália, pertenceu a um clã tribal muçulmano, sofreu mutilação genital, tornou-se refugiada, abandonou o país (e a família), disse não a um casamento forçado e partiu sozinha para a Holanda, onde estudou, se formou e deu início a uma carreira política.
Ayaan é autora de quatro livros -- todos sobre sua história. Eu li "Infiel" (o terceiro), em 2012, e fiquei completamente apaixonada por ela. Não só por sua determinação, mas pela maneira com que escreve e expõe suas opiniões. Foi um livro que me deixou de boca aberta e um tanto quanto chocada.
Então, terminei "Nômade" hoje. Na verdade, apesar de saber que seria mais um relato sobre sua vida, eu esperava que o livro tivesse outro foco -- o foco em suas mudanças. Sim, ela fala de suas andanças pelo mundo, de sua família, de seus costumes, mas cai novamente na crítica insana ao Islã. É óbvio que isso faz parte dela e do propósito do ativismo de Ayaan (ela luta para que as mulheres muçulmanas sejam livres), mas são muitas, muitas páginas dedicadas a destruir os seguidores da religião de Alá. No fim, o título do livro só serve para os primeiros capítulos. Do meio para o final, o livro poderia ter sido encaixado na outra obra, "Infiel".
Eu concordo com muitas opiniões de Ayaan (e discordo de muitas outras), mas morro de medo de admiti-las em público. Ela é realmente muito corajosa. Até acho curioso ela ser ateia assumida e insistir na tecla de que a Igreja Católica precisa tomar uma atitude para impedir a perpetuação do Islã. Ela acredita que só a Igreja, com seu Deus bom e generoso, é capaz de converter os seguidores de um Deus que castiga e pune como é o Deus do povo árabe. Parece loucura ela defender o fim de uma religião por (parecer) generalizá-la como violenta, mas, no contexto, faz todo o sentido. Ela pede também que as feministas do Ocidente parem de se preocupar com -- segundo ela -- bobagens em meio a tanto progresso e passem a levantar a bandeira contra a mutilação genital feminina, o casamento infantil e os maus tratos que as muçulmanas sofrem.
Ayaan parece uma pessoa muito radical e, às vezes, passa certa arrogância ao expor suas ideias, mas ela se sente no direito de dizer o que quer de seu povo, de sua cor e de seus costumes, porque, de fato, vivencia tudo isso. E, no fundo, acho que ela tá é certa.
Nota 5 de 5
Nesta história da transição da vida tribal à cidadania plena em uma democracia ocidental, Ayaan relata as reviravoltas em sua vida após o rompimento com a família, que a renegou quando ela renunciou ao islã depois do Onze de Setembro. De forma comovente, a escritora somali relata sua reconciliação com a mãe e os primos, e com o pai no leito de morte.
Nômade é o retrato de uma família dilacerada pelo choque de civilizações, mas também é um relato sensível, otimista e muitas vezes divertido da descoberta dos Estados Unidos por uma mulher que teme que o país esteja repetindo o erro europeu de subestimar o islã radical. Ayaan convoca instituições ocidentais - como o movimento feminista e as igrejas cristãs - a pôr em prática ações para ajudar outros imigrantes muçulmanos a superar os obstáculos que ela vivenciou em sua assimilação à sociedade ocidental e a resistir à sedução do fundamentalismo.
Uma celebração da liberdade de expressão e dos valores democráticos, o mais recente livro de Ayaan Hirsi Ali representa o amadurecimento intelectual da escritora. É também uma importante contribuição para a história das ideias e, acima de tudo, um chamado à ação.

Terminado em 11 de setembro de 2015.
Bom, vamos lá...
Ayaan é uma das mulheres que mais admiro no mundo, mesmo não concordando com tudo o que ela representa. Para quem não a conhece, ela nasceu na Somália, pertenceu a um clã tribal muçulmano, sofreu mutilação genital, tornou-se refugiada, abandonou o país (e a família), disse não a um casamento forçado e partiu sozinha para a Holanda, onde estudou, se formou e deu início a uma carreira política.
Ayaan é autora de quatro livros -- todos sobre sua história. Eu li "Infiel" (o terceiro), em 2012, e fiquei completamente apaixonada por ela. Não só por sua determinação, mas pela maneira com que escreve e expõe suas opiniões. Foi um livro que me deixou de boca aberta e um tanto quanto chocada.
Então, terminei "Nômade" hoje. Na verdade, apesar de saber que seria mais um relato sobre sua vida, eu esperava que o livro tivesse outro foco -- o foco em suas mudanças. Sim, ela fala de suas andanças pelo mundo, de sua família, de seus costumes, mas cai novamente na crítica insana ao Islã. É óbvio que isso faz parte dela e do propósito do ativismo de Ayaan (ela luta para que as mulheres muçulmanas sejam livres), mas são muitas, muitas páginas dedicadas a destruir os seguidores da religião de Alá. No fim, o título do livro só serve para os primeiros capítulos. Do meio para o final, o livro poderia ter sido encaixado na outra obra, "Infiel".
Eu concordo com muitas opiniões de Ayaan (e discordo de muitas outras), mas morro de medo de admiti-las em público. Ela é realmente muito corajosa. Até acho curioso ela ser ateia assumida e insistir na tecla de que a Igreja Católica precisa tomar uma atitude para impedir a perpetuação do Islã. Ela acredita que só a Igreja, com seu Deus bom e generoso, é capaz de converter os seguidores de um Deus que castiga e pune como é o Deus do povo árabe. Parece loucura ela defender o fim de uma religião por (parecer) generalizá-la como violenta, mas, no contexto, faz todo o sentido. Ela pede também que as feministas do Ocidente parem de se preocupar com -- segundo ela -- bobagens em meio a tanto progresso e passem a levantar a bandeira contra a mutilação genital feminina, o casamento infantil e os maus tratos que as muçulmanas sofrem.
Ayaan parece uma pessoa muito radical e, às vezes, passa certa arrogância ao expor suas ideias, mas ela se sente no direito de dizer o que quer de seu povo, de sua cor e de seus costumes, porque, de fato, vivencia tudo isso. E, no fundo, acho que ela tá é certa.
Nota 5 de 5


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