6 de out. de 2016

[A Tati Leu] Lembrança (Meg Cabot)

Título: Lembrança
Autor: Meg Cabot
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 400
Idioma: português 
Editora: Galera (Record)
Sinopse: Quinze anos depois do primeiro volume da série “A mediadora”, a autora #1 no New York Times, Meg Cabot, retorna com uma divertida e sexy continuação da saga de Suzannah Simon, a menina que via fantasmas... e os ajudava a passar para a luz. Até que se apaixonou por um... Agora, mais velha e experiente – e noiva de sua alma gêmea fantasmagórica – ela enfrenta um espírito vingativo. E um idiota do passado!


Muitos anos depois de finalizar a série “A mediadora” (sua melhor série, em minha opinião), Meg Cabot nos leva de volta à ensolarada Carmel, na Califórnia, para conferir como anda a vida adulta de sua protagonista mais briguenta e desbocada.

Para quem não conhece a série – ou precisa de uma refrescada na memória, afinal, lá se vão 15 anos desde o lançamento do primeiro livro –, “A mediadora” conta a história de Suzannah Simon, uma adolescente capaz de interagir com fantasmas que, por variados motivos, continuam em nosso mundo. Na medida do possível, Suze procura mediar os conflitos e as pendências desses fantasmas atormentados, para que possam descansar em paz, mas a questão é que nem todos eles estão muito dispostos a partir para o outro lado. Não sem uma boa briga, pelo menos.


A história começa quando a mãe de Suze, viúva, decide casar-se com Andy Ackerman, e ambas se mudam para Carmel, onde ele vive com seus três filhos. Mas logo que Suze entra em seu novo quarto, percebe que terá que dividir a casa não somente com o padrasto e os três novos meios-irmãos, mas também com um fantasma que já está no lugar há mais de um século: Jesse. E como se já não fosse difícil o bastante recomeçar a vida em uma cidade nova, ver fantasmas quase tão teimosos quanto ela e ainda dividir o quarto com um, que tal se apaixonar por ele?

Imagino que muitos fatores tenham levado Meg Cabot a retomar não somente “A mediadora”, mas também a série “O diário da princesa”. É compreensível retomá-las, afinal, com essas séries, Meg chegou ao seu auge, e nenhum outro de seus personagens ficou tão famoso quanto Mia, a princesa de Genovia. Além disso, é fato que gente saudosista dá lucro, né? Já reparou? Não importa a idade, todo adulto fica feliz quando resgatam alguma franquia de sua infância ou de sua adolescência.

Não sou exceção. Cresci lendo Meg Cabot, fiquei feliz quando a continuação foi anunciada e não fiquei decepcionada com o livro: a narrativa em primeira pessoa continua leve e bem-humorada, cheia de digressões, e foi uma delícia rever personagens tão queridos e conhecer outros que logo de cara cativam (o que são essas sobrinhas trigêmeas, gente?).

Além disso, Meg relembra diversas vezes acontecimentos de outros livros, em especial do último, “Crepúsculo”. Acho que eu teria aproveitado mais a leitura se tivesse feito uma retomada dos demais volumes da série (afinal, quem lembra tudo que aconteceu tantos anos depois?), mas não me lembrar de algumas coisas não comprometeu realmente a história. Vale muito a pena ler a série de novo, claro, mas, se não for possível, dá para entender tudo perfeitamente bem, e a narrativa ainda diverte e dá aquela sensação nostálgica gostosa do mesmo jeito.

A própria cartinha de boas-vindas de Meg, logo no início do livro, aliás, já é uma sacudida nostálgica. Dá para ser mais fofa que isso, gente?


Claro que há muitas novidades: Suze cresceu, e o mesmo se aplica aos adolescentes e pré-adolescentes que costumavam ler essa série. Ou seja, Meg, escrevendo agora para um público predominantemente adulto, sob o ponto de vista de uma personagem adulta, ganha liberdade para tecer uma trama com mais sexualidade, assuntos mais polêmicos (embora não sejam explorados com muita profundidade) e, claro, já que estamos aqui falando de Suze Simon, palavrões.

Em “Lembrança”, encontramos Suze dez anos depois dos acontecimentos de “Crepúsculo”, já noiva de Jesse e trabalhando na mesma escola em que estudou durante o Ensino Médio. Tudo vai muito bem, em sua opinião, apesar de seu trabalho não ser remunerado e o noivado ser mais casto do que ela gostaria, já que o noivo é do século passado.

Até que Paul Slater decide voltar à sua vida para bagunçá-la um pouquinho, trazendo péssimas notícias: ele comprou a antiga casa de Suze, na qual ela conheceu Jesse, e pretende demoli-la. O único problema é que, de acordo com uma antiga maldição, se isso acontecer, Jesse poderá se tornar um demônio.

É claro que Paul está disposto a negociar com Suze. Ele concorda em desistir da demolição se a protagonista aceitar passar uma noite com ele, o que, ele acredita, a fará desistir de Jesse.


Enquanto decide como lidar com o chantagista, Suze ainda precisará enfrentar o fantasma muito poderoso de uma garotinha, cuja morte guarda segredos mais obscuros do que ela poderia imaginar.

O único problema no livro, na minha opinião, foi essa maldição em torno de Jesse, que me pareceu um pouco difícil de comprar. Sem mencionar, claro, a chantagem de Paul. Afinal, que raio de plano é esse? Ele acreditava mesmo que uma noite faria Suze desistir do amor da vida dela? Que tipo de mina de ouro ele acha que guarda dentro da calça? Esse plano só não é mais cheio de buracos, aliás, do que aquele que a própria Suze elaborou para lidar com ele. Achei, por isso, essa parte da história um pouco fraca, mas há outras tramas e personagens muito carismáticos para compensar.

No geral, como já mencionei, gostei do livro, e acho que os fãs da série não vão se decepcionar. Também acho, aliás, que não acabou por aí, não. Meu palpite é que Meg ainda aproveitará algumas das histórias recém-desenvolvidas para dar continuidade à série. Eu, particularmente, não vou achar ruim. E você, o que acha?

Nota 4 de 5


Sobre a autora:

Meg Cabot já morou em Indiana, na Califórnia e na França. Trabalhou como ilustradora e usou o pseudônimo Jenny Carroll para escrever a série A Mediadora. É autora da série O Diário da Princesa e de livros como Avalon High e Todo garoto tem, todos publicados pela Editora Record. Atualmente mora em Nova York com o marido e uma gata de um olho só chamada Henrietta.

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