Título: Nada mais a perder
Autora: Jojo Moyes
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 400
Idioma: português
Editora: Intrínseca
Sinopse: Na juventude, Henri Lachapelle foi um cavaleiro de raro talento, entre os poucos admitidos na academia de elite do hipismo francês, o Le Cadre Noir. Contudo, reviravoltas da vida o levaram da França a Londres, onde ele agora vive em um simples conjunto habitacional. Sem nunca abandonar o amor pela antiga carreira, aos trancos e barrancos Henri ensina a neta, Sarah, a montar o cavalo Boo, na esperança de que o talento da dupla seja o passaporte para uma vida melhor e mais digna para todos. Mas um grande golpe muda mais uma vez os planos de Henri Lachapelle, e Sarah se vê entregue à própria sorte, lutando para, além de sobreviver, cuidar de Boo e manter os treinamentos.
Natasha é uma advogada especializada em representar crianças e adolescentes envolvidos com crimes ou em situação de risco. Abalada emocionalmente e em dúvidas quanto a seu futuro profissional depois de um caso terrível, Natasha ainda tem de lidar com as feridas do fim de seu casamento. Um fim, diga-se de passagem, bem inusitado, já que ela se vê forçada a morar com o charmoso futuro ex-marido enquanto esperam a venda da casa da família.
Quando Sarah cruza o caminho de Natasha, a advogada vê na menina a oportunidade de colocar a vida de volta nos trilhos e decide abrigar a adolescente sob o próprio teto. O que ela não sabe é que Sarah guarda um grande segredo que lhes trará sérias consequências.
Repleto de personagens cativantes e verossímeis, “Nada mais a perder” é um romance emocionante e original, que mostra que às vezes nossa única opção é ter coragem, pois não há mais como voltar atrás, e que o apoio de que precisamos nesses momentos pode estar onde menos se espera.

Terminado em 22 de dezembro de 2016.
Dizer que um livro de Jojo é bom já é praticamente redundância, mas confesso que comecei a ler este com o nariz um pouco torcido, porque não sou muito fã de obras que trazem animais sendo “usados” por humanos, e parte da história de “Nada mais a perder” gira em torno do treinamento de um cavalo para apresentações artísticas. Não entendo nada de hipismo, nem de adestramento, então não posso realmente falar sobre o tipo de relacionamento desenvolvido entre cavalos e humanos, mas, ao menos no livro, há sentimentos muito fortes entre Sarah, neta prodígio de um ex-astro do hipismo, e Boo, seu cavalo.

O livro começa contando a história de Henri Lachapelle, um talentoso cavaleiro francês, com um futuro brilhante à sua frente, e de como ele acabou na Inglaterra, sem muito dinheiro, viúvo e com uma neta – Sarah – para criar sozinho. Em Sarah, ele vê a oportunidade de concretizar os sonhos que não conseguiu alcançar, então dedica-se a ensinar-lhe tudo o que sabe na esperança de que seu talento no hipismo possa garantir-lhe um futuro melhor.
A vida de Sarah cruza-se com a de Natasha quando, por conta de um derrame, Henri acaba internado no hospital, e a adolescente, com apenas 14 anos, vê-se sozinha e obrigada a encontrar um meio de sobreviver e ainda manter o cavalo que tanto ama.

Natasha é uma ótima advogada às voltas com seus próprios dilemas: um caso problemático no trabalho a deixou desestabilizada, e Mac, seu quase ex-marido charmoso, pelo qual ainda se sente atraída, está de volta à sua vida, disposto a oficializar o divórcio e a resolver todas as pendências que ainda os ligam.
O destino de alguma forma as une, e, embora ambas hesitem em confiar uma na outra, Natasha decide abrigar a garota temporariamente. Sarah, por conta das muitas perdas que já sofreu, cria um escudo, fecha-se cada dia mais e adota comportamentos que Natasha não compreende; Natasha, por sua vez, duvida de sua própria capacidade de ser mãe e, entre os conflitos do trabalho e do fim do casamento, não encontra meios de chegar até a garota.

Tudo no livro é ótimo: a capa é linda; a narrativa é deliciosa; o enredo é profundo e emocionante; os personagens são incríveis. O que mais me encantou é o quanto a história é verossímil e o quanto Sarah, Natasha e Mac são humanos e reais, com suas particularidades, qualidades específicas, mas também defeitos e dificuldades, com os quais facilmente nos identificamos. Mac, aliás, é um fofo, simplesmente encantador, e é impossível ler o livro e não torcer para que Natasha caia de uma vez em seus braços, cantando aquela parte da música do The Chainsmokers:
You, look as good as the day I met you
I forget just why I left you
I was insane
Infelizmente, ela lembra muito bem, obrigada, por que se separaram e precisa enfrentar seus próprios fantasmas antes de ser capaz de decidir o desfecho de seu próprio casamento.
O livro é lindo, emocionante, profundo e garante muita emoção, bons suspiros e – pelo menos no meu caso – algumas lágrimas, e acompanhar os dramas tão distintos de Henri, Sarah, Mac e Natasha definitivamente vale muito a pena. Não é só uma história de amor entre um casal, embora esse tipo de amor também esteja lá: é uma história riquíssima de amor em seu formato mais puro, doação, dedicação, amadurecimento, superação, confiança, fé e coragem.
Nota 5 de 5
Sobre a autora:
Jojo Moyes nasceu em 1969 e cresceu em Londres. Trabalhou como jornalista por dez anos, nove deles no jornal The Independent, de onde saiu em 2002 para se dedicar integralmente à carreira de escritora.
É autora de mais de dez livros, entre eles A última carta de amor, Como eu era antes de você, A garota que você deixou para trás e Um mais um, publicados pela Intrínseca. Como eu era antes de você, seu romance de maior sucesso, vendeu mais de oito milhões de exemplares em todo o mundo, ocupou o topo da lista de mais vendidos em nove países e foi adaptado para o cinema, com Sam Claflin (Jogos vorazes) e Emilia Clarke (Game of Thrones).
Uma das poucas escritoras no mundo a ter emplacado três livros ao mesmo tempo na lista de mais vendidos do The New York Times, Jojo mora em Essex com o marido e os três filhos.



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