2 de fev. de 2017

[A Tati Leu] A Química (Stephenie Meyer)

Título: A Química
Autora: Stephenie Meyer
Ano: 2016
Edição: 1
Páginas: 496
Idioma: português 
Editora: Intrínseca
Sinopse: Ela trabalhava para o governo americano, mas poucas pessoas sabiam disso. Especialista em seu campo de atuação, era um dos segredos mais bem guardados de uma agência tão clandestina que nem sequer tinha nome. E quando perceberam que ela poderia ser um problema, passam a persegui-la. A única pessoa em quem ela confiava foi assassinada. Ela sabe demais, e eles a querem morta. Agora ela raramente fica em um mesmo lugar ou usa o mesmo nome por muito tempo.
Até que um antigo mentor lhe oferece uma saída – uma oportunidade de deixar de ser o alvo da vez. Será preciso aceitar um último trabalho, e a única informação que ela recebe a esse respeito só torna sua situação ainda mais perigosa. Ela decide enfrentar a ameaça e se prepara para a pior batalha de sua vida, mas uma paixão inesperada parece diminuir ainda mais suas chances de sobreviver. Enquanto vê suas escolhas se evaporarem rapidamente, ela vai usar seus talentos como nunca imaginou.
Uma trama repleta de tensão, na qual Meyer cria uma heroína poderosa e fascinante, com habilidades diferentes de todas as outras, e prova mais uma vez por que seus livros estão entre os mais vendidos do mundo.

[A Tati Leu] A Química (Stephenie Meyer)


Terminado em 25 de janeiro de 2017.

Depois de muitos anos sem publicar uma história inédita (apesar de ter investido em histórias derivadas da série “Crepúsculo”), Stephenie Meyer nos traz “A Química”, um romance de espionagem narrado em terceira pessoa que conta a história de Alex, ex-funcionária de uma agência secreta do governo dos Estados Unidos que passa a viver sob a mira de seus ex-empregadores, depois de eles decidirem eliminá-la por conta das informações a que teve acesso.

Durante os anos em que trabalhou para o governo, Alex utilizou seu conhecimento em química para produzir drogas empregadas em sessões de tortura, que tinham o objetivo de arrancar informações de supostos terroristas que ameaçavam a população. Graças a seus talentos, tornou-se a melhor em sua área de atuação, e isso rendeu-lhe o apelido pelo qual é conhecida: “A Química”. 

Vivendo um dia em cada lugar, sem manter vínculos e esforçando-se para não deixar pistas pelo caminho, Alex consegue fugir por um bom tempo de seus ex-empregadores, surpreendendo a eles e a si mesma. Até o dia em que recebe uma proposta: a possibilidade de ter sua vida de volta, de nunca mais precisar fugir, em troca de um último trabalho.

Cheia de dúvidas, sem saber em quem confiar, Alex decide arriscar, mas jogando de acordo com suas próprias regras. E é então que seu caminho se cruza com o de Daniel, seu alvo, supostamente um terrorista em posse de uma poderosa arma biológica.


“A Química” é um livro que queria muito ler e pelo qual esperei bastante. Sempre gostei da Stephanie Meyer, desde que comecei a ler “Crepúsculo” (abaixa, que lá vem pedrada!), e, embora muitos a considerem uma autora fraca, acho sua escrita boa e seus enredos – em especial “A Hospedeira” – bem desenvolvidos e envolventes.

Este, no entanto, não me convenceu. A sinopse do livro nos promete uma história mais madura do que suas antecessoras e um enredo com mais ação, conspiração, mistério e tensão. Vi pouco disso. O romance entre a protagonista e seu par romântico ganha mais destaque do que sua relevância justificaria e chega a ofuscar a trama policial intrincada que a autora nos prometeu.

Não tenho nada contra romances açucarados, de verdade. Acabei de admitir que sempre gostei de “Crepúsculo”. O problema é que não é isso que você espera depois de ler a sinopse desse livro. Eu, pelo menos, esperava mais suspense, mais ação, e menos “me derreti toda só porque ele tocou minha bochecha”. 


Além disso, achei o romance pouco plausível, e ele mal se sustenta sobre a história. Quem aqui se apaixonaria de imediato, perdidamente, por uma pessoa que o sequestrou e o torturou com drogas químicas que infligem dores insuportáveis, sendo esse seu único contato com ela? Eu correria pra bem longe, assim que recuperasse o uso das pernas!


A capa também não me agradou muito, mas não por não ser bonita. Ela é, não dá para negar. Prateada, clean, com poucos elementos, tem tudo a ver com a temática mais thriller do livro. É linda, mas não é realmente muito prática. Impressa em papel cartão supremo alta alvura, com uma aparência laminada, é o tipo de capa que fica marcada por qualquer dobra. Aquele tipo de capa que combina mais com colecionadores, com leitores que têm o maior cuidado com o livro, do que... bom, do que comigo. Tinha acabado de ganhar o livro, fui lendo para o trabalho no metrô, dobrei a capa para trás, para segurar o livro com uma mão só, e pronto, ganhei um vinco gigantesco que corta a capa do topo à base. Deu até aquela dor básica no coração. Gente, ainda estava nas primeiras páginas!

Foto: Editora Intrínseca

Claro que nem tudo são espinhos, há rosas por aqui. Stephanie Meyer nos apresenta um enredo criativo, uma trama interessante de espionagem, e, como já mencionei, escreve bem, de uma maneira que faz a leitura fluir. Há reviravoltas instigantes e, no final, uma surpresa que achei tão bem pensada que garantiu sozinha uma das estrelinhas que dei aqui. Acho realmente que sua única falha foi tentar forçar desde o início do livro um romance difícil de justificar e tão dispensável que talvez a história tivesse se desenvolvido melhor sem ele, ou se ele tivesse surgido gradativamente, depois de algum tempo, durante a trajetória dos personagens.

Nota 3 de 5


Sobre a autora:

Stephenie Meyer é formada em literatura inglesa na Brigham Young University e ganhou status de celebridade com a repercussão da série “Crepúsculo”. Considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em edição especial da revista Time, a autora mora com o marido e três filhos em Glendale, no Arizona.

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